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BrasilAgro (AGRO3) está ‘sempre pronta’ para compra imperdível — e não conta com fazenda ‘not for sale’

19 ago 2026, 7:00
brasilagro agro3
(Foto: Divulgação)

Para uma empresa que ganha dinheiro comprando, desenvolvendo e negociando propriedades rurais, não há ativos intocáveis nem oportunidades excepcionais que possam ser ignoradas.

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É assim que a BrasilAgro (AGRO3) encara seu portfólio. Em entrevista ao Money Times, o CEO André Guillaumon afirmou que a companhia está preparada para agir dos dois lados do mercado sempre que os preços forem atraentes.

“Se aparecer uma fazenda imperdível para comprar, assim como uma venda irrecusável, as duas a gente vai fazer”, afirma.

Ana Paula Zerbinati, diretora de Relações com Investidores da BrasilAgro, que também participou do bate-papo, reforça a mensagem: “Nós estamos sempre prontos para comprar”.



A filosofia reflete o próprio modelo de negócios da empresa. Em vez de tratar as fazendas como patrimônio permanente, a BrasilAgro vê suas propriedades como ativos capazes de gerar valor por meio de investimentos em produtividade, infraestrutura e conversão de áreas. Depois de capturada essa valorização, os recursos podem ser direcionados a novos projetos.

Isso não significa que a companhia esteja à procura de compradores para qualquer propriedade. Algumas áreas ainda têm potencial de desenvolvimento e valor a ser extraído. Ainda assim, nenhuma delas tem uma etiqueta de “not for sale”.

“Se alguém chegar e colocar o dinheiro que a gente está esperando lá na frente a valor presente, a gente vende, não tem problema nenhum. Não há nenhuma fazenda da BrasilAgro com a plaquinha ‘invendável’”, disse o CEO.

Em outras palavras, se uma oferta refletir hoje o valor que a empresa espera capturar apenas anos adiante, a venda antecipada pode ser a decisão mais racional.

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A lógica é simples: adquirir uma área, investir em sua transformação, capturar a valorização criada e reciclar esse capital em novos ativos.

E há espaço para comprar na BrasilAgro?

A disposição para aproveitar oportunidades surge em um momento de aumento da alavancagem. O indicador saltou de 0,04 vez no terceiro trimestre de 2025 (3T25) para 1,82 vez no 3T26, mas Guillaumon considera o nível confortável.

Segundo ele, a análise do endividamento precisa levar em conta uma característica importante do negócio: os recebíveis provenientes da venda de fazendas. “O trabalho nosso é continuar transformando terra para continuar vendendo terra para manter nesses níveis.”

Para o CEO, um dos melhores indicadores de risco está no custo de captação da própria companhia. Hoje, a BrasilAgro consegue captar recursos a cerca de 92% do CDI, faixa que, segundo ele, permanece entre 90% e 93% há quatro ou cinco anos.

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Leia também: BrasilAgro (AGRO3) subiu 151 vezes desde o IPO; o que pode puxar o próximo ciclo (ou superciclo) das terras agrícolas?

“A melhor proxy que você pode ter para dizer qual que é o seu nível de alavancagem é o percentual sobre o CDI que a companhia consegue se endividar.”

Na avaliação do executivo, uma deterioração relevante da percepção de risco apareceria imediatamente nas condições de financiamento.

Por isso, a dívida não é vista pela administração como um obstáculo para novas aquisições. O principal desafio está no custo do dinheiro em um ambiente de juros elevados.

‘Acertar o timing da compra é quase impossível’

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Guillaumon afirma que há áreas no portfólio que podem ser vendidas nos próximos meses, mas lembra que a estratégia da companhia é atuar de forma anticíclica.

“Temos que aproveitar os ciclos bons e ser uma empresa muito vendedora, e aproveitar os ciclos mais difíceis e ser uma empresa compradora. Nosso negócio é girar portfólio agrícola e nós vamos vender porque há áreas que entendemos que atingiram sua maturação e é preciso sair delas no momento exato.”

O executivo reconhece que o mercado de terras atravessa um período de menor liquidez, mas destaca que a diversificação geográfica construída ao longo dos anos ajuda a mitigar esse problema. A BrasilAgro possui propriedades na Bahia, Maranhão, Piauí, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.

Enquanto o mercado de terras em Mato Grosso segue mais travado, outras regiões como Maranhão, Piauí e Bahia ainda apresentam alguma capacidade de absorção transações. “Se tivéssemos apenas fazendas em Mato Grosso para vender, não iríamos conseguir fazer nenhum negócio”.

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A meta de longo prazo continua sendo reciclar cerca de 10% do portfólio anualmente, embora o ritmo possa variar de acordo com as condições de mercado.

Se vender no momento adequado é importante, identificar o ponto perfeito de entrada é uma tarefa praticamente impossível, afirma Guillaumon.

Por isso, a empresa se preocupa menos com oscilações de curto prazo no preço das terras e mais com a capacidade de geração de retorno ao longo dos anos.

“Você pode comprar uma terra por 100 hoje e amanhã ela estar valendo 90. A nossa questão é: mesmo que eu compre o ativo por 100, eu vou conseguir rentabilizá-lo no médio e longo prazo? Se o negócio viabilizar uma taxa interna de retorno operacional (TIR), nós tomamos a posição”, destaca.

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Historicamente, a BrasilAgro busca uma TIR operacional entre 7% e 8% ao ano em dólar. Essa visão de longo prazo permite à companhia atravessar momentos desfavoráveis do ciclo agrícola sem alterar sua estratégia.

“Os nossos projetos são de duration de médio e longo prazo. Eu não posso ter uma visão de um ano. Se eu acredito que a soja terá preços ruins nos próximos cinco ou seis anos? Óbvio que não. Esse cenário vai se inverter por oferta, demanda ou frustração climática. Quando inverter, vamos vender. Mas hoje a nossa visão é mais compradora do que vendedora”, afirma.

Juro alto ainda segura a expansão

Apesar de captar abaixo do CDI, a BrasilAgro enfrenta o mesmo desafio observado em boa parte do agronegócio: juros elevados aumentam a exigência de retorno para qualquer novo investimento.

Quanto mais caro o capital, maior precisa ser o potencial de ganho de uma propriedade para justificar sua aquisição. E é justamente aí que está a insatisfação de Guillaumon: “Nós gostaríamos de pagar 90% do CDI, mas com um juro de 10% e não de 14%.”

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Atualmente, a companhia desembolsa entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões por ano com o serviço da dívida.

O resultado é um paradoxo. Justamente quando o mercado de terras começa a oferecer oportunidades mais interessantes para compradores, o custo de financiar essas aquisições continua elevado.

Para Guillaumon, essa equação ainda limita a velocidade de expansão. Mas não muda a direção da empresa: se surgir uma propriedade com retorno adequado, a BrasilAgro continuará pronta para comprar. E, se aparecer uma proposta capaz de antecipar hoje o valor que espera capturar amanhã, também estará disposta a vender.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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