Apostas

Brasileiro já enviou R$ 507 milhões para bets durante a Copa, aponta estudo

28 jun 2026, 11:02 - atualizado em 28 jun 2026, 11:02
apostas bets
(Imagem: iStock.com/Hirurg)

Os brasileiros já destinaram R$ 507,3 milhões para casas de apostas esportivas regularizadas desde o início da Copa do Mundo de 2026, segundo levantamento da Klavi, empresa especializada em Open Finance. O monitoramento considera uma amostra anonimizada de 1,2 milhão de pessoas e acompanha diariamente as transferências para empresas autorizadas a operar no país.

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Os dados, atualizados até 25 de junho, mostram que o interesse pelas apostas ganhou força ao longo do torneio. No último dia analisado, 9,1% da amostra realizou ao menos uma transferência para plataformas de apostas, percentual 9% acima da média registrada antes da Copa, de 8,33%.

O valor desembolsado por quem apostou também aumentou. Em média, cada apostador enviou R$ 235 às plataformas no dia 25, montante 24% superior à média pré-Copa, de R$ 188. O resultado indica que, além do crescimento no número de apostadores, houve aumento no ticket médio das apostas.

Pela metodologia da Klavi, os dias de jogos da seleção brasileira costumam concentrar os maiores picos tanto de participação quanto de valores enviados às plataformas. Os gráficos do estudo mostram elevação dos indicadores nas datas em que o Brasil entrou em campo, sugerindo uma relação direta entre as partidas da equipe e a movimentação financeira nas bets.

O monitoramento ganha relevância nesta semana, já que na segunda-feira (29) a seleção brasileira volta a jogar contra o Japão. Historicamente, segundo a série acompanhada pela Klavi, essas datas tendem a impulsionar tanto o número de apostadores quanto o volume financeiro movimentado.

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A Klavi ressalta que o painel considera apenas transações destinadas a empresas de apostas regularizadas, identificadas por meio dos dados compartilhados via Open Finance. O levantamento não contempla movimentações para plataformas irregulares ou meios alternativos de pagamento.

Pressão por restrições à publicidade das bets ganha força

O avanço das apostas também intensificou o debate sobre a publicidade do setor. No Congresso Nacional, um projeto de lei que proíbe a propaganda e o patrocínio de empresas de apostas, incluindo anúncios em TV, rádio, internet, redes sociais e eventos esportivos, já foi aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelos plenários da Câmara e do Senado antes de seguir para sanção presidencial.

Os defensores da proposta afirmam que a medida pode ajudar a reduzir o endividamento e o vício em jogos. Já representantes do setor argumentam que restringir a publicidade das empresas autorizadas pode favorecer plataformas ilegais, que operam fora das regras estabelecidas pelo governo.

Bets avançam entre brasileiros, mostra Raio X do Investidor

O crescimento das apostas online também aparece na 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa da Anbima em parceria com o Datafolha. Segundo o estudo, 17% da população afirmou ter realizado apostas online em 2025, ante 14% registrados três anos antes, mostrando que a atividade segue ganhando espaço no orçamento dos brasileiros.

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A principal motivação continua sendo a busca por uma fonte rápida de renda. Entre os apostadores, 39% afirmam recorrer às bets pela possibilidade de ganhar dinheiro rapidamente em momentos de necessidade. Ao mesmo tempo, cresce o componente de entretenimento: 32% disseram apostar por diversão, acima dos 26% observados nas duas edições anteriores do levantamento.

Os dados aparecem em um cenário de fragilidade financeira. A pesquisa mostra que 31% dos brasileiros não possuem qualquer reserva para emergências, enquanto apenas 36% da população investe em produtos financeiros, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas.

Para a Anbima, o avanço das apostas ocorre em paralelo ao amadurecimento da cultura de investimentos no país, mas também evidencia a disputa pelo dinheiro disponível das famílias.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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