Brasileiros estão bebendo menos cerveja? BofA revela o que mudou no setor e avalia Ambev (ABEV3)
O Bank of America afirmou, a partir de pesquisa com mil consumidores brasileiros, que o consumo de cerveja no Brasil segue enfraquecido desde meados de 2025.
Segundo o levantamento, a participação da Ambev (ABEV3) nas compras da bebida se estabilizou e começou a se recuperar, seguindo o desempenho reportado desde o terceiro trimestre de 2025.
Consumo de cerveja segue em queda no Brasil
A pesquisa mostra que 52% dos entrevistados mantiveram o consumo de cerveja nos últimos seis meses, enquanto 13% reduziram a ingestão, ante 11% na pesquisa de 2025.
A frequência também diminuiu: 56% dos consumidores disseram beber cerveja mais de uma vez por semana, abaixo dos aproximadamente 60% observados de forma relativamente estável desde 2024.
A pressão é mais intensa entre os consumidores de baixa renda. Aqueles que recebem entre um e três salários-mínimos (de R$ 1.621 a R$ 4.863, aproximadamente) relatam consumo estável ou em queda. Já entre quem recebe mais do que dez salários-mínimos, o percentual ficou entre 50% e 55%.
O BofA também destaca a redução do consumo semanal entre as mulheres, de 7 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.
Saúde e medicamentos para emagrecer mudam hábitos
De acordo com o banco, a preocupação com saúde e bem-estar parece ser o centro para a redução do consumo de cerveja, especialmente para os consumidores com mais de 40 anos.
Entre os consumidores que mantiveram ou diminuíram a ingestão, 22% citaram dieta ou medicamentos para perda de peso como um dos fatores, acima dos 20% registrados um ano antes. O relatório destaca a crescente relevância dos medicamentos da classe GLP-1, típico das chamadas “canetas emagrecedoras”.
Já entre os mais jovens, entre 18 e 39 anos, afirmaram que a queda no consumo é decorrente de uma menor frequência de ocasiões sociais.
Consumo em casa avança sobre bares e restaurantes
A mudança de comportamento também aparece nos canais de consumo. O consumo fora de casa, em bares e restaurantes, representa 40% dos volumes, abaixo da faixa de 45% a 50% observada em 2023 e 2024.
O canal de consumo em casa, por sua vez, passou a responder por 60% do total. A tendência é observada em diferentes faixas etárias, embora bares e restaurantes continuem mais relevantes entre os consumidores de até 29 anos, representando 48% do volume consumido por esse grupo.
Na compra para consumo em casa, supermercados e atacadistas permanecem como os principais canais. O comércio de bairro recuperou parte de sua participação, enquanto as vendas on-line representam 7% do canal de consumo doméstico.
Ambev recupera participação, enquanto Amstel e Spaten avançam
A participação da Ambev nas compras de cerveja começou a se recuperar após um período de estabilidade, em linha com o desempenho reportado pela companhia desde o terceiro trimestre de 2025.
O banco atribui esse movimento, entre outros fatores, à estratégia de portfólio da companhia e à execução de preços menos consistente da Heineken.
A Heineken continua sendo a marca preferida dos consumidores, mas perdeu participação ao longo dos últimos 12 meses. Seu crescimento dentro do portfólio tem sido cada vez mais sustentado pela Amstel.
Na pesquisa de preferência, a participação da Amstel avançou de 9,1% em outubro de 2025 para 10,3% em setembro de 2026. A marca também ampliou sua participação nas compras, de 10,9% para 11,5% no período.
A Spaten aparece como outro destaque, com ganhos consistentes desde que começou a ser acompanhada pelo banco, em 2023. A marca alcançou a sétima posição entre as cervejas preferidas no Brasil.
As chamadas marcas de “escolha equilibrada” — que incluem cervejas sem álcool, com menos calorias ou sem glúten — estão conquistando espaço.
Heineken 0.0, Corona Zero e Budweiser Zero alcançaram participações de preferência entre 2,5% e 4%. Já a Michelob Ultra quase dobrou sua participação, de 0,9% para 1,9% em um ano.
Segundo o BofA, o avanço dessas marcas também aparece nos dados de compras, indicando que o interesse dos consumidores está se convertendo em consumo efetivo.
BofA ainda vê pressão sobre Ambev em 2027
O BofA aponta um mercado de cerveja pressionado por menor consumo e maior sensibilidade a preços, enquanto marcas zero e a diversificação de portfólio ganham espaço.
O banco também projeta pressão de custos e vê possibilidade de revisões negativas no lucro por ação da Ambev em 2027, cuja estimativa está 10% abaixo do consenso. O dividend yield de 6% é apontado como suporte para a avaliação da ação.
*Com supervisão de Renan Sousa