Braskem (BRKM5) cai mais de 6% no primeiro dia fora do Ibovespa; confira o que mexe com o papel
A Braskem (BRKM5) figura entre as principais quedas do mercado na B3 nesta quarta-feira (26), o primeiro dia do papel fora do Ibovespa (IBOV).
Para o economista e head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, a queda de hoje não reflete a saída da ação do índice, mas é um conjunto de fatores que vêm pesando para a petroquímica já nas últimas sessões.
No mês, a Braskem já acumula queda de mais de 36% com os fundamentos fragilizados, além da abertura da curva de juros pesando sobre a alavancagem da companhia, explica Bertotti.
“Ao mesmo tempo, temos o pedido de recuperação extrajudicial e o mercado aguarda uma maior clareza disso, de como serão feitos os acordos financeiros com os credores, que são tão importantes para a manutenção das atividades da companhia”, afirma.
Para Bertotti, as incertezas quanto à recuperação da Braskem e a deterioração do cenário macro são ingredientes que puxam os preços da petroquímica para baixo hoje.
Por volta das 13h11 (horário de Brasília), BRKM5 recuava 6,57% (R$ 3,84).
O que está em jogo para Braskem?
Na segunda-feira (24), a empresa confirmou o pedido de recuperação extrajudicial, houve adesão de 39,6% dos credores, em dívida que soma US$ 10,9 bilhões.
Agora, a companhia deve ter mais 90 dias de proteção, enquanto levanta um plano um plano final de reestruturação com os credores, que deve contar com adesão de 50% mais 1.
Entre as notícias veículadas sobre medidas de reestruturação da dívida, está a negociação para ampliação do limite de crédito comercial da companhia com a Petrobras (PETR4), no valor de R$ 2,35 bilhões.
Segundo os analistas Vicente Falanga e Ricardo França do Bradesco BBI, diferentes alternativas vêm sendo mencionadas para a recuperação da Braskem, incluindo aportes de capital, uma possível oferta subsequente de ações e, mais recentemente, a conversão de dívida em participação acionária.
“Essa sucessão de possibilidades reforça a baixa visibilidade sobre os próximos passos do plano. Continuamos estimando que a companhia precisa reduzir sua dívida líquida entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para alcançar uma estrutura de capital sustentável”, avaliam.
Para os analistas do BBI, qualquer solução capaz de promover essa redução deverá resultar em diluição relevante para os atuais acionistas.