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Brava Energia (BRAV3) recua até 3% com incertezas sobre rumo da companhia sob gestão da Ecopetrol

26 ago 2026, 11:31 - atualizado em 26 ago 2026, 11:52
Brava Energia
(Imagem: iStock/claffra)

As ações da Brava Energia (BRAV3) figuram entre as maiores quedas do Ibovespa (IBOV) nas primeiras horas do pregão desta quarta-feira (26).

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Por volta de 11h (horário de Brasília), BRAV3 caía 2,75%, a R$ 17,70, sendo a ação com pior desempenho entre as negociadas no IBOV. Mais cedo, os papéis registraram perda de 3,57% (R$ 17,55).

O movimento acontece no dia seguinte à teleconferência realizada pela Ecopetrol com investidores e analistas, a primeira após a companhia colombiana assumir o controle da junior oil brasileira, para detalhar os próximos passos para a Brava Energia.

Segundo analistas, a colombiana apresentou um plano de criação de valor. As metas de curto prazo, até o final de 2026, estarão concentradas no fortalecimento da estrutura de governança, sem mencionar planos de realizar mudanças – apenas afirmando que está avaliando oportunidades nesse tema.

A princípio, o plano é integrar a Brava ao ciclo de planejamento e reporte da Ecopetrol, respeitando os acionistas minoritários, que detêm 49% de participação, ao mesmo tempo em que alinha os planos de negócios e as decisões de alocação de capital.

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As metas de médio prazo — de 2027 a 2030 — estarão concentradas na otimização do desempenho, aproveitando as capacidades operacionais da Ecopetrol, priorizando investimentos de acordo com retorno e risco e gerenciando ativamente a liquidez e a estrutura de capital.

Já as metas de longo prazo, a partir de 2030, consistem em crescimento disciplinado por meio do desenvolvimento da base de reservas existente, avanço do portfólio de exploração e avaliação de oportunidades de fusões e aquisições (M&A) ou desinvestimentos que agreguem valor.

A Ecopetrol também afirmou que valiando potenciais fusões com seus ativos existentes no Brasil para obter sinergias, mas sem nenhuma decisão tomada ainda.

Além disso, a controladora destacou que fechar o capital da Brava Energia não é uma possibilidade atualmente considerada, já que a administração da companhia está ‘confortável’ com a permanência da junior oil listada no Brasil.

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No radar, a agência de classificação de risco Fitch elevou as notas de crédito em moedas estrangeira e local da Brava Energia de “BB-” para “BB” e a nota nacional de “AA-(bra)” para “AA+(bra)”, com perspectiva estável.

O que dizem os analistas?

Na avaliação do BTG Pactual, os comentários da administração permaneceram relativamente preliminares, com poucos detalhes adicionais sobre o plano estratégico para a Brava e foco no curto prazo em integração e continuidade operacional.

Os analistas Daniel Guardiola, Álvaro Leyva e Juan Sanchez destacam que a nova controladora reiterou que a junior oil continuará operando de forma independente por enquanto.

“No curto prazo, a prioridade é uma integração disciplinada e a execução. No longo prazo, a questão central será transformar a base de reservas da Brava em geração sustentável de caixa”, afirma o trio, em relatório.

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Mas, segundo eles, a governança continua sendo uma “importante incerteza”. “A falta de clareza em relação a futuras mudanças na administração, à possível integração com os ativos brasileiros existentes da Ecopetrol, às prioridades de alocação de capital e até mesmo à metodologia de consolidação contábil significa que vários elementos importantes da tese de criação de valor permanecem indefinidos”, avaliam os analistas do BTG Pactual.

“Com a própria Ecopetrol se aproximando de uma transição de administração, a nomeação de seu próximo CEO poderá moldar de forma relevante a estratégia da Brava, a alocação de capital e as ambições de crescimento no Brasil”, acrescentaram.

Na mesma linha, os analistas do Bank of America (BofA) afirmaram que a reunião forneceu “poucos detalhes adicionais” sobre a aquisição pela Ecopetrol.

“A visibilidade sobre a alocação de capital e a composição do Conselho de Administração da Brava também permanece limitada. A própria Ecopetrol parece ainda estar desenvolvendo uma compreensão mais profunda da Brava, o que pode levar meses”, afirmam Leonardo Marcondes, Caio Ribeiro e Nicolas Barros.

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Na visão da XP, a teleconferência ficou em linha com as expectativas e transmitiu uma mensagem positiva de mudanças graduais, e não de disrupção.

“A principal mensagem foi capturar o potencial de geração de caixa dos ativos da Brava, equilibrando desalavancagem, dividendos e oportunidades de crescimento dentro de uma estrutura disciplinada de alocação de capital”, avaliaram os analistas Regis Cardoso e Enzo Sozzi.

O que fazer com as ações agora?

Os analistas, em geral, não alteraram as recomendações para as ações BRAV3. Confira as recomendações e preços-alvo dos bancos citados:

Banco/CorretoraRecomendação Preço-alvoPotencial de valorização*
BofANeutra R$ 22,5023,63%
BTG PactualCompra R$ 23,0026,37%
XPCompra R$ 26,0042,86%

*potencial de valorização sobre o preço de fechamento do pregão anterior (25/08/26).

Ecopetrol no controle

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No mês passado, a Ecopetrol adquiriu uma participação controladora de 51% na Brava por cerca de US$ 1,2 bilhão, estabelecendo uma plataforma de crescimento no Brasil.

A transação começou com a aquisição de 26% de participação a R$ 24 por ação em 23 de abril, seguida por outros 25% por meio da oferta pública de aquisição de 5 de agosto, a R$ 23 por ação, com fechamento em 17 de agosto.

Posteriormente, a Ecopetrol nomeou três representantes para o conselho da Brava.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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