Embraer (EMBR3): pedido bilionário da Índia reforça aposta do Bradesco BBI e eleva preço-alvo
A possibilidade de a Embraer (EMBJ3) conquistar um contrato bilionário na Índia levou o Bradesco BBI a elevar o preço-alvo das ações da fabricante de aeronaves.
Em relatório divulgado nesta quarta-feira (26), o banco reiterou a recomendação de compra para o papel e passou a projetar preço-alvo de R$ 126 por ação ao fim de 2027, ante R$ 110 ao fim de 2026.
Segundo os analistas, o novo preço-alvo incorpora os resultados do segundo trimestre de 2026, o guidance atualizado para este ano e premissas mais otimistas para as entregas da divisão de aviação comercial e para o crescimento do segmento de Defesa. Na avaliação do BBI, o novo valor implica potencial de valorização de cerca de 30%.
Além da revisão das estimativas, o banco destacou uma nova oportunidade para a companhia: uma concorrência da Força Aérea Indiana estimada em aproximadamente US$ 10 bilhões para a compra de 60 aeronaves de transporte militar de médio porte.
A disputa envolve o C-390 Millennium, da Embraer, em parceria com a indiana Mahindra, além do C-130J Hercules, da Lockheed Martin, e do A400M, da Airbus. Para o BBI, a aeronave brasileira aparece bem posicionada graças à combinação de capacidade de carga, velocidade, eficiência operacional e flexibilidade para incorporação de conteúdo local.
Os analistas ponderam, porém, que a Embraer ainda precisaria desenvolver toda a estrutura local de montagem e manutenção exigida pelo projeto, além de comprovar o desempenho do C-390 em regiões de elevada altitude no norte da Índia. Isso faz com que a concorrência siga sem um favorito definido.
Caso a fabricante brasileira conquiste integralmente o pedido de 60 aeronaves, o Bradesco BBI estima que o contrato poderia adicionar cerca de R$ 5 bilhões em valor presente líquido, o equivalente a aproximadamente 8% do preço-alvo da ação. Além disso, a encomenda teria potencial de ampliar a carteira consolidada de pedidos da companhia em cerca de 29%.
Apesar do impacto potencial, o banco afirma que ainda não incorporou essa oportunidade às projeções, tratando o projeto como uma “opcionalidade positiva” devido às incertezas inerentes ao processo competitivo. Mesmo assim, a instituição mantém visão construtiva para a Embraer e reforça a recomendação de compra para o papel.