Comprar ou vender?

BTG (BPAC11) sofre corte de recomendação e preço-alvo pelo Itaú BBA, e ação sente

30 out 2026, 12:31
BTGImagem: Divulgação/BTG Pactual
(Imagem: Divulgação/BTG Pactual)

As ações do BTG Pactual (BPAC11) iniciaram o dia em queda nesta sexta-feira (30). Apesar de o mercado ainda estar reagindo ao resultado das urnas com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o temor fiscal, o derretimento nas ações tem um motivo a mais desta vez.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Itaú BBA realizou um duplo corte nos papéis do banco. A casa mudou a recomendação para Market Perform, que equivale a neutro, e cortou o preço-alvo das units para 2027, saindo de R$ 70 para R$ 60. Apesar da tesourada, o potencial de alta ainda é de pouco mais de 16% em relação à cotação atual.

Por volta das 11h30 (horário de Brasília), os papéis caíam 4,48%, com a menor cotação sendo registrada logo após a abertura do pregão, queda de 5,01%, a R$ 51,33.



A semana também não tem sido generosa com os papéis do BTG. A derrubada do Ibovespa também impactou o banco, que já cai mais de 34% desde o segundo turno. Antes da derrocada da bolsa brasileira, BPAC11 subia mais de 50% no ano.

O que fez o Itaú BBA mudar de ideia?

Para os analistas do Itaú BBA, a qualidade do BTG não é questionada e ela já está refletida no preço da ação, enquanto o cenário para 2027 deve trazer dificuldades para o crescimento dos negócios. A combinação deixa uma relação entre risco e retorno menos atraente para o investidor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A casa continua vendo o banco como uma das instituições de maior qualidade entre as empresas financeiras brasileiras que acompanha, com receitas diversificadas, ganhos de participação de mercado e rentabilidade próxima de 25%. O problema está no espaço para uma valorização adicional.

Negociado a cerca de nove vezes o lucro estimado para 2027 e duas vezes seu valor patrimonial, o BTG já incorpora nos múltiplos boa parte da capacidade de sustentar seus resultados, segundo os analistas.

Nesse patamar, eventuais decepções com os números podem pressionar a cotação. Já o retorno esperado com dividendos é de aproximadamente 3% para o próximo ano.

O BBA afirma que, olhando apenas para o preço, voltaria a ter uma visão mais favorável sobre os papéis entre R$ 45 e R$ 50, faixa equivalente a sete a oito vezes o lucro projetado.

Um 2027 mais difícil para o BTG

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O cenário traçado pelo Itaú BBA considera atividade econômica e confiança para investir enfraquecidas, além de juros e inflação elevados por mais tempo. Essa combinação deve pesar sobre o volume de operações no mercado de capitais, a movimentação dos clientes e a expansão dos ativos sob gestão.

Com isso, a casa reduziu as estimativas de todas as linhas de receita do BTG para 2027. Os maiores cortes ocorreram nas projeções para banco de investimento, de 12%; gestão de patrimônio, de 8%; e operações de mercado, de 7%.

A previsão de receita total caiu 4,5%, para R$ 49 bilhões. Já a estimativa de lucro foi reduzida em 5%, para R$ 23,2 bilhões, o que representa crescimento de 13% sobre 2026 — uma desaceleração em relação ao avanço de 23% esperado para este ano.

Além das projeções menores, o BBA passou a considerar um custo de capital próprio mais elevado, ou seja, um retorno maior exigido pelo investidor para assumir o risco de investir no banco. Os dois fatores explicam a redução do preço-alvo.

Crédito ganha peso e aumenta os riscos

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Outro ponto de atenção é a maior participação do crédito nos resultados. Pelas contas do BBA, os empréstimos a empresas e o financiamento ao consumidor devem representar aproximadamente 38% das receitas do BTG em 2027.

Essa exposição pode se tornar uma fonte de pressão se a economia perder força. Para as empresas, juros altos por mais tempo dificultam o pagamento das dívidas. Para as famílias, a inflação persistente reduz a renda disponível, enquanto um mercado de trabalho mais fraco pode comprometer a capacidade de honrar as parcelas.

O BBA projeta que a carteira de crédito corporativo cresça 13% em 2027, ante 20% em 2026. No financiamento ao consumidor, a expansão deve desacelerar de 35% para 19%. A inadimplência e o custo com perdas de crédito, porém, são apontados como as principais variáveis que podem alterar o desempenho dos lucros.

Vale destacar que o banco divulga seu resultado operacional do terceiro trimestre de 2026 no dia 12 de novembro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar