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BTG vê temporada fraca para materiais básicos no 2º trimestre e aponta ação defensiva

07 jul 2026, 12:39 - atualizado em 07 jul 2026, 12:50
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(Imagem: Facebook/Gerdau)

O BTG Pactual espera uma temporada de resultados fraca para as empresas de materiais básicos sob sua cobertura no segundo trimestre de 2026. Na avaliação do banco, receitas pouco pressionadas pela estabilidade dos preços das commodities, valorização do real e inflação de custos devem limitar o desempenho da maior parte das companhias.

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A principal exceção deve ser o setor siderúrgico, com a Gerdau (GGBR4) permanecendo como a principal escolha defensiva do banco.

Segundo o BTG, o principal tema da temporada será a inflação de custos, refletindo os efeitos da guerra sobre insumos ligados ao petróleo e ao diesel. O banco destaca, por exemplo, a alta de 37% dos fretes entre Brasil e China, além da menor diluição dos custos fixos em razão de volumes abaixo do esperado. A valorização de cerca de 4% do real frente ao dólar também deve pressionar as exportadoras.

Embora produtoras de cobre e celulose tenham sido beneficiadas por preços realizados mais altos no trimestre, o BTG avalia que esse efeito deve ser compensado pelo câmbio desfavorável e pelo aumento dos custos. Já empresas de minério de ferro e ouro devem enfrentar um cenário mais difícil, combinando preços realizados menores e despesas operacionais mais elevadas.

Do lado positivo, o banco acredita que as siderúrgicas serão o destaque da temporada, beneficiadas pelo maior poder de precificação e pela recuperação dos volumes, fatores que devem mais do que compensar a inflação de custos. Nesse contexto, a Gerdau segue como a favorita do BTG, sustentada pela alta dos preços do aço no México, no Brasil e nos Estados Unidos.

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Entre os destaques negativos da temporada, o banco cita Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Aura Minerals (AURA33), CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3). A expectativa é que a Vale seja pressionada pelo aumento do custo caixa C1 do minério de ferro, enquanto a CSN Mineração deve sofrer com a maior exposição aos fretes no mercado à vista. Já a Suzano deve sentir os efeitos de menores volumes, da valorização do real e de maiores gastos com manutenção.

Por outro lado, o BTG vê um cenário mais favorável para Klabin (KLBN11) e Irani (RANI3), impulsionadas pelo bom momento dos mercados de embalagens e papelão ondulado.

As projeções do BTG

Entre as empresas acompanhadas pelo banco, a Vale deve reportar receita líquida de US$ 10,5 bilhões, alta de 19% em relação ao segundo trimestre de 2025. O Ebitda, porém, deve crescer em ritmo menor, para US$ 3,83 bilhões, avanço de 12% na mesma comparação, refletindo a pressão dos custos. O lucro líquido é estimado em US$ 2,81 bilhões, alta de 33%, enquanto as vendas de minério de ferro devem alcançar 79 milhões de toneladas, crescimento de 2%.

Para a CSN Mineração, o BTG projeta receita líquida de R$ 4,25 bilhões, avanço de 5% na comparação anual. Em contrapartida, o Ebitda deve recuar 20%, para R$ 1,02 bilhão, em meio ao aumento dos custos, enquanto os volumes de minério devem cair 3%. O lucro líquido é estimado em R$ 499 milhões.

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No caso da CSN, a expectativa é de estabilidade operacional. O banco estima receita líquida de R$ 10,8 bilhões, alta de 1% na comparação anual, e Ebitda de R$ 2,69 bilhões, avanço de 2%. A companhia deve reduzir o prejuízo para R$ 58 milhões, ante perdas de R$ 95 milhões no segundo trimestre de 2025, enquanto os volumes de aço devem crescer 6%.

A Gerdau, principal recomendação do BTG para o setor, deve apresentar um dos melhores desempenhos da temporada. O banco projeta receita líquida de R$ 17,4 bilhões, praticamente estável na comparação anual, enquanto o Ebitda deve avançar 27%, para R$ 3,26 bilhões, e o lucro líquido alcançar R$ 1,55 bilhão.

Já para a Usiminas (USIM5), o BTG estima receita líquida de R$ 6,14 bilhões, queda de 7% na comparação anual. Ainda assim, a companhia deve registrar forte expansão da rentabilidade, com Ebitda de R$ 716 milhões, alta de 75% em relação ao mesmo período do ano passado, e lucro líquido de R$ 341 milhões, ante R$ 95 milhões um ano antes. Os volumes de aço, por sua vez, devem recuar 6%.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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