Setor Automotivo

A pedra no caminho para carro elétrico mais barato do Brasil

07 jul 2026, 11:20 - atualizado em 07 jul 2026, 11:20
JMEV Emova Urban, ou EV3. Imagem: Wikicommons

Em março, o BYD Dolphin Mini ganhou um novo concorrente entre os carros elétricos mais baratos do mercado: o JMEV Emova Easy. Anunciado por R$ 69.990, o modelo passou a ser o elétrico de menor preço à venda no Brasil.

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No entanto, em julho, a importadora E-Motors Brasil anunciou a suspensão das vendas do JMEV Emova Easy e de sua versão superior, o Emova Urban, comercializado por R$ 99.990. A empresa também informou que devolverá integralmente os valores pagos pelos clientes que haviam feito reservas.

A decisão foi motivada pelo aumento dos custos de importação dos veículos — que, segundo a empresa, passaram a equivaler ao preço de um carro seminovo — e pelo fim dos incentivos fiscais para veículos elétricos.

A expectativa da importadora é retomar as vendas quando os custos de frete diminuírem. Ainda não há uma data definida para a retomada da comercialização do JMEV Emova Easy e do JMEV Emova Urban, mais conhecidos como EV2 e EV3.

Salto nos custos

No início do ano, o custo para enviar um contêiner de 40 pés da China para o Brasil era de US$ 1.800, o equivalente a cerca de R$ 9.900. Em junho, esse valor saltou para US$ 10.200, aproximadamente R$ 56 mil — quantia suficiente para comprar um Renault Kwid seminovo.

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Além da disparada no frete marítimo, houve o aumento da alíquota do Imposto de Importação para carros 100% elétricos. Em julho de 2026, a taxa atingiu o patamar máximo de 35%.

Com isso, a tabela original de preços deixou de ser viável. Ao suspender as operações, a E-Motors Brasil afirma buscar evitar repassar os custos adicionais ao consumidor e preservar sua competitividade no segmento de entrada.

Por trás da alta

O encarecimento do frete entre Brasil e China reflete fatores geopolíticos globais, principalmente as tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O cenário afetou um dos principais corredores marítimos do mundo: o Estreito de Ormuz.

As restrições ao tráfego de embarcações na região elevaram os custos e os riscos do transporte marítimo, impactando rotas em todo o mundo, inclusive aquelas que não passam diretamente pelo estreito. A alta do preço do petróleo também contribuiu para esse movimento, já que o combustível representa uma parcela significativa dos custos operacionais da navegação.

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Além disso, a antecipação de embarques por parte dos importadores e o aumento da demanda no segundo semestre pressionaram a capacidade das empresas de transporte marítimo, contribuindo para a elevação dos fretes.

Já em relação ao Imposto de Importação sobre veículos eletrificados, a alíquota chegou a 35% após dois anos de aumentos escalonados, em uma medida adotada pelo governo para incentivar a produção nacional de veículos elétricos e híbridos.

*Sob supervisão de Renan Dantas.

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Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Atualmente, estagiária de redação do Money Times e do Seu Dinheiro.
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