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C&A (CEAB3) cai mais de 7% com falta de consenso entre analistas sobre o balanço; o que fazer com as ações agora?

05 ago 2026, 12:32 - atualizado em 05 ago 2026, 12:41
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(Foto: Flávya Pereira/Money Times)

As ações da C&A (CEAB3) operam em forte queda e lideram a ponta negativa do Ibovespa (IBOV) desde o início do pregão desta quarta-feira (5) em reação ao balanço do segundo trimestre (2T26).

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Por volta de 12h15 (horário de Brasília), CEAB3 caía 5,68%, a R$ 9,08. Na mínima intradia, os papéis chegaram a recuar 7,61% (R$ 8,98). Acompanhe o Tempo Real.



A varejista encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 130,1 milhões, alta de 4,3% na base anual e recorde para o período. O lucro líquido reportado, porém, foi de R$ 177,9 milhões, queda de 11,2% na comparação anual.

Segundo a companhia, a comparação foi impactada pela base elevada do segundo trimestre de 2025, que contou com o ganho da venda da carteira remanescente do Bradescard, enquanto o resultado deste ano foi beneficiado por uma reversão de provisão de aproximadamente R$ 80,7 milhões.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado pós-IFRS 16 ficou em R$ 435,9 milhões, praticamente estável em relação ao segundo trimestre de 2025, com margem de 20,9%.

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A margem bruta consolidada avançou para 58,1%, enquanto a margem bruta de vestuário atingiu 59,1%, marcando o vigésimo trimestre consecutivo de expansão.

Já as vendas nas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) avançaram 4,1% na base anual. A companhia atribuiu o desempenho à coleção de inverno, à evolução da estratégia Energia C&A e aos investimentos em gestão de estoques e precificação.

Números em linha, avaliação sem consenso

Para os analistas, os números da C&A vieram em linha com o esperado. O Safra, por exemplo, classificou o balanço como “positivo”.

“Os resultados do 2T26 reforçam nossa visão de que a pressão sobre as receitas observada no 4T25 [quatro trimestre de 2025] não era estrutural”, escreveram os analistas.

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Para o banco, a rentabilidade surpreendeu positivamente. “A recuperação do SSS (sigla em inglês para vendas nas mesmas lojas) em Vestuário e a expansão da margem bruta trazem um tom mais construtivo para os próximos trimestres, que contarão com bases de comparação mais favoráveis”, diz o relatório.

O BTG Pactual também destacou o crescimento de 4,1% das vendas nas mesmas lojas ante o mesmo período de 2025, mesmo diante de uma base de comparação “bastante” forte. Os analistas também chamaram a atenção para a expansão das margens da companhia, impulsionada por maior disciplina comercial e gestão de estoques.

Já o Bradesco BBI destoou do consenso e avaliou o balanço da C&A como “neutro a levamente negativo”. Na visão do banco, a geração de fluxo de caixa foi o “ponto fraco” do trimestre.

A companhia ‘queimou’ R$ 159 milhões em caixa livre, fortemente impactada por necessidades de capital de giro. O ciclo de caixa aumentou 19 dias na comparação anual, puxado por uma deterioração de 18 dias nos estoques, reflexo de um fluxo de clientes e vendas abaixo do esperado no mês de junho – “o que adiciona risco para o próximo trimestre”, na avaliação dos analistas Pedro Pinto e Flávia Meirelles.

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A equipe de análise do setor de varejo da XP, que também considerou os números em linha com as expectativas, também afirmou que a atenção dos investidores deve se concentrar para a dinâmica negativa de capital de giro, com piora do ciclo de caixa devido aos maiores dias de estoque, ainda que a alavancagem tenha permanecido em níveis saudáveis mesmo após a execução da recompra.

Com um balanço sem surpresas, o Citi também espera mudanças “limitadas” nas estimativas de lucro do consenso para os próximos trimestres.

O que fazer com as ações agora?

Os analistas, em geral, mantiveram as recomendação de compra para as ações CEAB3.

Para o Bradesco BBI, porém, as tendências do balanço exigem cautela para o setor varejista.

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“Embora os números operacionais tenham sido decentes e o valuation descontado ofereça uma importante margem de segurança no longo prazo, a piora nos estoques e a fraqueza nas vendas de junho trazem um risco de revisões baixistas para as estimativas no curto prazo e exigem cautela com o setor de varejo”, avaliaram Pedro Pinto e Flávia Meirelles..

Apesar da visão mais pessimista, o banco manteve a recomendação de compra e CEAB3 como a ação preferida (top pick) do setor de varejo.

Confira as recomendações e preços-alvos dos bancos/corretoras citados:

Banco/CorretoraRecomendação Preço-alvoPotencial de valorização
Bradesco BBICompra R$ 16,0064,61%
BTG PactualCompra R$ 19,0095,47%
CitiCompra/Alto Risco R$ 18,0085,19%
SafraCompra R$ 15,5059,47%
XPCompra R$ 17,0074,90%
Fonte: Bradesco BBI/Ágora Investimentos, BTG Pactual, Citi, Safra e XP

*potencial de valorização sobre o preço de fechamento anterior. Em 05/08/26, CEAB3 encerrou o dia cotada a R$ 9,72.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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