C&A (CEAB3) cai mais de 7% com falta de consenso entre analistas sobre o balanço; o que fazer com as ações agora?
As ações da C&A (CEAB3) operam em forte queda e lideram a ponta negativa do Ibovespa (IBOV) desde o início do pregão desta quarta-feira (5) em reação ao balanço do segundo trimestre (2T26).
Por volta de 12h15 (horário de Brasília), CEAB3 caía 5,68%, a R$ 9,08. Na mínima intradia, os papéis chegaram a recuar 7,61% (R$ 8,98). Acompanhe o Tempo Real.
A varejista encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 130,1 milhões, alta de 4,3% na base anual e recorde para o período. O lucro líquido reportado, porém, foi de R$ 177,9 milhões, queda de 11,2% na comparação anual.
Segundo a companhia, a comparação foi impactada pela base elevada do segundo trimestre de 2025, que contou com o ganho da venda da carteira remanescente do Bradescard, enquanto o resultado deste ano foi beneficiado por uma reversão de provisão de aproximadamente R$ 80,7 milhões.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado pós-IFRS 16 ficou em R$ 435,9 milhões, praticamente estável em relação ao segundo trimestre de 2025, com margem de 20,9%.
A margem bruta consolidada avançou para 58,1%, enquanto a margem bruta de vestuário atingiu 59,1%, marcando o vigésimo trimestre consecutivo de expansão.
Já as vendas nas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) avançaram 4,1% na base anual. A companhia atribuiu o desempenho à coleção de inverno, à evolução da estratégia Energia C&A e aos investimentos em gestão de estoques e precificação.
- VEJA MAIS NÚMEROS DO BALANÇO: C&A (CEAB3) lucra R$ 130,1 milhões no 2T26, alta de 4,3% no ano
Números em linha, avaliação sem consenso
Para os analistas, os números da C&A vieram em linha com o esperado. O Safra, por exemplo, classificou o balanço como “positivo”.
“Os resultados do 2T26 reforçam nossa visão de que a pressão sobre as receitas observada no 4T25 [quatro trimestre de 2025] não era estrutural”, escreveram os analistas.
Para o banco, a rentabilidade surpreendeu positivamente. “A recuperação do SSS (sigla em inglês para vendas nas mesmas lojas) em Vestuário e a expansão da margem bruta trazem um tom mais construtivo para os próximos trimestres, que contarão com bases de comparação mais favoráveis”, diz o relatório.
O BTG Pactual também destacou o crescimento de 4,1% das vendas nas mesmas lojas ante o mesmo período de 2025, mesmo diante de uma base de comparação “bastante” forte. Os analistas também chamaram a atenção para a expansão das margens da companhia, impulsionada por maior disciplina comercial e gestão de estoques.
Já o Bradesco BBI destoou do consenso e avaliou o balanço da C&A como “neutro a levamente negativo”. Na visão do banco, a geração de fluxo de caixa foi o “ponto fraco” do trimestre.
A companhia ‘queimou’ R$ 159 milhões em caixa livre, fortemente impactada por necessidades de capital de giro. O ciclo de caixa aumentou 19 dias na comparação anual, puxado por uma deterioração de 18 dias nos estoques, reflexo de um fluxo de clientes e vendas abaixo do esperado no mês de junho – “o que adiciona risco para o próximo trimestre”, na avaliação dos analistas Pedro Pinto e Flávia Meirelles.
A equipe de análise do setor de varejo da XP, que também considerou os números em linha com as expectativas, também afirmou que a atenção dos investidores deve se concentrar para a dinâmica negativa de capital de giro, com piora do ciclo de caixa devido aos maiores dias de estoque, ainda que a alavancagem tenha permanecido em níveis saudáveis mesmo após a execução da recompra.
Com um balanço sem surpresas, o Citi também espera mudanças “limitadas” nas estimativas de lucro do consenso para os próximos trimestres.
O que fazer com as ações agora?
Os analistas, em geral, mantiveram as recomendação de compra para as ações CEAB3.
Para o Bradesco BBI, porém, as tendências do balanço exigem cautela para o setor varejista.
“Embora os números operacionais tenham sido decentes e o valuation descontado ofereça uma importante margem de segurança no longo prazo, a piora nos estoques e a fraqueza nas vendas de junho trazem um risco de revisões baixistas para as estimativas no curto prazo e exigem cautela com o setor de varejo”, avaliaram Pedro Pinto e Flávia Meirelles..
Apesar da visão mais pessimista, o banco manteve a recomendação de compra e CEAB3 como a ação preferida (top pick) do setor de varejo.
Confira as recomendações e preços-alvos dos bancos/corretoras citados:
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de valorização |
| Bradesco BBI | Compra | R$ 16,00 | 64,61% |
| BTG Pactual | Compra | R$ 19,00 | 95,47% |
| Citi | Compra/Alto Risco | R$ 18,00 | 85,19% |
| Safra | Compra | R$ 15,50 | 59,47% |
| XP | Compra | R$ 17,00 | 74,90% |
*potencial de valorização sobre o preço de fechamento anterior. Em 05/08/26, CEAB3 encerrou o dia cotada a R$ 9,72.