Eleições 2026

Cenário mais provável é o de continuidade e reeleição de Lula, avalia Tendências Consultoria

06 jul 2026, 15:54 - atualizado em 06 jul 2026, 15:54
O cientista político e sócio da Tendências Consultoria, Rafael Cortez (Gutavo Porto/Money Times)

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a continuidade por mais quatro anos da atual política econômica é o cenário mais provável se as eleições presidenciais fossem hoje. A avaliação é do sócio da Tendências Consultoria, o cientista político Rafael Cortez.

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“Nosso cenário que a gente julga mais provável é um cenário de continuidade, um cenário de eleição do governo”, disse Cortez durante evento do Lide nesta segunda (6), em São Paulo. “Não é o bem ou mal, eu sou só o mensageiro daquilo que a gente incorpora nos nossos modelos econômicos na Tendências”, completou.

Segundo ele, o cenário atual é basicamente um repetição da eleição de 2022, com o embate entre Lula e um Bolsonaro. Como Jair Bolsonaro está inelegível e em prisão domiciliar, o candidato da família em 2026 será Flávio Bolsonaro (PL), primogênito ungido pelo ex-presidente como seu sucessor na disputa. Na mesma linha, a disputa neste ano será equilibrada como a de quatro anos atrás.

“Lamentavelmente, para aqueles que querem olhar para o futuro, a eleição de 2026 ainda vai ser um convite para olhar ao passado, por conta da oferta de candidaturas presentes. A gente vai ter muito possivelmente um duelo Lula versus Bolsonaro, com a diferença que agora é o filho, o Flávio Bolsonaro, que deve ser o candidato da oposição”, afirmou o cientista político.

Além da alta taxa de conhecimento dos dois nomes líderes nas pesquisas eleitorais, Cortez considera “muito difícil” o surgimento ou a consolidação de algum nome como surpresa ao longo da corrida eleitoral, mesmo com toda volatilidade possível até outubro. Para completar, as pesquisas eleitorais mostram uma alta taxa de manutenção, em 2026, ao voto de 2022.

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O sócio da Tendências Consultoria cita pesquisa Datafolha a qual aponta que nove em cada dez brasileiros gostou da opção que fez no segundo turno de 2022. “Quem votou Lula gostou, quem votou Bolsonaro gostou. Quem anulou, foi de branco ou não compareceu, também gostou do que fez”.

O cenário de ligeiro favoritismo de Lula só não é maior, segundo Cortez, por causa da rejeição ao governo do atual presidente. “Qualquer manual de ciência política, diz que quando a desaprovação do governo é maior do que a aprovação, esse é um cenário para a oposição ganhar, mas essa oposição traz um projeto com uma rejeição tão alta quanto tem o governo atual”.

Reformas econômicas difíceis com governo tripartite

A perda do poder do presidente da República e o controle do orçamento federal pela Câmara e o Senado tornaram difícil a possibilidade de reformas econômicas e fiscais no próximo governo. Nem mesmo a concessão de ministérios em troca de apoio político tem sido suficiente para manter uma maioria concreta no Congresso no governo Lula, cenário que deve seguir em 2027, seja qual for o presidente ou a presidente.

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Essa instabilidade se reflete na política monetária, tanto que a Tendências calcula, que a taxa de juros neutro, aquela que não pressiona a inflação, está entre 9% e 9,5% ao ano, patamar que só seria atingido em 2029 na avaliação da consultoria.

“Então, a gente tem um longo caminho com essa taxa de juros mais civilizada. Mas se tem algo que eu acho que ainda é positivo no Brasil, é que a gente ainda tem democracia, a gente ainda tem troca de eleição. Então, a gente vai aos pouquinhos chegando lá”, concluiu.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
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