Helbor (HBOR3) despenca mais de 20% após OPA da HBR: O que desagradou o mercado?
O anúncio da oferta pública (OPA) da HBR Realty (HBRE3) para comprar a totalidade das ações da Helbor (HBOR3) e fechar o capital da companhia foi recebido com forte ceticismo pelo mercado financeiro.
Por volta das 15h (horário de Brasília) desta segunda-feira (6), os papéis da incorporadora paulista, que são negociados fora do índice Ibovespa, recuavam mais de 25%, cotados a R$ 1,77 na bolsa de valores (B3).
Desde o início de janeiro, o recuo é de aproximadamente 25%. Em uma perspectiva mais ampla, a desvalorização é brutal: a ação já chegou a valer R$ 50,79 em 2013, o que representa uma queda de 96% desde então.
Mas, afinal, o que desagradou os investidores?
Na avaliação de fontes procuradas pelo Money Times, a reação negativa pode ser explicada por uma combinação de fatores que vão desde a estrutura da oferta até as incertezas em relação à companhia que permanecerá listada na B3.
Segundo Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, um dos principais motivos que desagradaram os investidores foi a forma de pagamento da OPA.
Isso porque, pela proposta, os acionistas da Helbor não receberão dinheiro pelas ações hoje detidas. Em vez disso, cada papel da incorporadora será trocado por 0,81553398 ação ordinária da HBR.
Em outras palavras, os atuais investidores da HBOR3 vão virar acionistas da HBRE3, já que a Helbor, se aprovada a OPA, sairá do Novo Mercado da B3 e se tornará uma subsidiária integral da HBR.
“O acionista da Helbor vai receber papéis da HBR. Ou seja, em vez de receber dinheiro, vai receber ações de uma empresa que não era o objetivo inicial dele”, afirmou o analista.
Prêmio pouco atrativo
Outro ponto destacado por Minotto foi o prêmio oferecido aos investidores da Helbor, considerado limitado.
Segundo o comunicado, com base na relação de troca, a oferta equivale a aproximadamente R$ 2,52 por ação, um valor magro em relação aos R$ 2,36 do fechamento da última sexta-feira (3), quando a OPA foi anunciada.
O analista explicou que parte do mercado trabalhava com preços-alvo bem superiores para a incorporadora.
“A oferta foi pouco atrativa frente a diversas casas que tinham preço-alvo acima de R$ 2,56 para a HBOR3”, disse.
Incertezas à vista
Minotto também destacou que os investidores da Helbor passaram a assumir o risco de os papéis da HBR oscilarem até a conclusão da operação.
Como a liquidação da OPA será feita por meio da entrega de ações da HBR, o valor efetivamente recebido pelos acionistas da Helbor dependerá do comportamento desses papéis durante o processo.
“Até que o negócio se conclua, as ações podem variar bastante no mercado e o valor da nova empresa recebida pode cair”, pontuou.
Além disso, ele lembrou que parte do mercado ainda demonstra cautela em relação à gestão da HBR, cujos papéis acumulam forte desvalorização desde a abertura de capital, realizada em 2021.
“Existe uma desconfiança em relação a governança da empresa controladora [HBR], que já perde mais de 80% desde o seu IPO.”
HBR defende operação
Apesar da reação negativa desta segunda-feira (6), a HBR sustenta que a operação permitirá uma companhia maior, mais eficiente e com maior potencial de geração de valor.
Em apresentação realizada a investidores, analistas e jornalistas, o CEO, Alexandre Nakano, afirmou que a combinação dos negócios deverá gerar sinergias operacionais, reduzir custos, aumentar a liquidez das ações e ampliar o acesso ao mercado de capitais.
De acordo com o executivo, um dos principais argumentos apresentados pela HBR para justificar a oferta pública de aquisição de ações é o banco de terrenos da Helbor.
Segundo ele, a incorporadora possui aproximadamente R$ 12 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) potencial, dos quais cerca de 83% estão localizados na cidade de São Paulo e praticamente a totalidade é destinada a empreendimentos de médio e alto padrão.
“Hoje, uma das maiores dificuldades que a HBR tem é encontrar sua matéria-prima principal, que são os terrenos”, contou.
Para o CEO, a incorporação desse portfólio ampliaria significativamente as possibilidades de crescimento da companhia remanescente da fusão.
“O mesmo DNA”
Nakano afirmou também que Helbor e HBR compartilham o mesmo DNA. De acordo com ele, enquanto a primeira é focada na incorporação residencial voltada à pessoa física, a segunda concentra seus projetos em ativos comerciais, como empreendimentos corporativos, varejo, hotéis e self-storage.
“Muitas pessoas acreditam que a HBR tem uma característica mais patrimonialista, só que não é verdade. Mais do que tudo, a HBR, assim como a Helbor, atua no desenvolvimento imobiliário”, disse, ao explicar as diferenças.
“A Helbor faz o desenvolvimento imobiliário num ciclo menor, de três ou quatro anos. Ou seja, ela faz a aquisição do terreno, constrói, vende e passa para o próximo”, disse Nakano.
“Já a HBR tem um ciclo maior, às vezes de 10 anos. Mas ela, igualmente, faz a compra do terreno, constrói, aluga, matura esse aluguel e eventualmente, lá na frente, faz o que o mercado chama de reciclagem, que é a venda do ativo.”
Na avaliação do executivo, essa complementaridade permitirá ampliar o ecossistema imobiliário do grupo e atender desde compradores de imóveis residenciais até grandes empresas.
“O que acontece hoje é que as duas companhias, separadamente, estão subavaliadas. Com esse processo [de fusão], a gente acredita que as duas juntas vão criar mais elementos para destravar valor.”
A expectativa da gestão da HBR é que o processo de compra das ações da Helbor leve em torno de 90 dias.
A conclusão da oferta depende da adesão de acionistas que representem pelo menos 50,1% do capital votante da Helbor e da aprovação por mais de dois terços dos acionistas minoritários habilitados.