Política

Ciro Nogueira diz que não transferiu terreno vendido para empresa financiada por fundo da Refit

22 maio 2026, 5:10 - atualizado em 22 maio 2026, 5:10
Ciro Nogueira
(Imagem: REUTERS/Adriano Machado)

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou em entrevista a uma emissora local, no Piauí, nesta quinta-feira (21), que o terreno vendido por empresa da família dele a uma distribuidora de combustíveis não foi formalmente transferido para a nova proprietária. Segundo o parlamentar, a compradora, apontada pela Polícia Federal como pertencente ao conglomerado da Refit, “não pagou até o final”.

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A declaração contradiz informações levadas pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio contrato de compra e venda assinado pelo irmão do senador.

O documento, de agosto de 2024, estabeleceu que uma área de 40 hectares em Teresina (PI) seria vendida pela Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis LTDA para a Athena Real Estate LTDA por R$ 14,2 milhões.

Procurada, a assessoria de Ciro Nogueira afirmou que o contrato prevê três parcelas de R$ 2,5 milhões iniciais e, depois, 21 parcelas mensais de R$ 300 mil a partir de fevereiro de 2025. Dentro desse cronograma, diz a assessoria, o prazo do pagamento ainda não se encerrou, por isso o negócio não foi finalizado. Questionada sobre a divergência entre a informação apresentada pelo senador e a contabilidade encontrada pela PF que aponta o pagamento da integralidade dos R$ 14,2 milhões à empresa da família de Ciro, a assessoria ainda não respondeu.

Como revelou o Estadão, a PF identificou o pagamento realizado à empresa que leva o nome do senador, embora só pertença oficialmente a familiares dele.

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Em entrevista à TV Clube, do Piauí, Ciro Nogueira reiterou que não é sócio da empresa, mas que o contrato para a venda de terreno “em uma das áreas mais valorizadas de Teresina” foi lícito.

“Isso é uma empresa que todos no Piauí sabem que é uma das maiores empresas do estado do Piauí, tem 50 anos de mercado, pertence a minha mãe. E foi procurada, foi vender o imóvel… A própria empresa não pagou até o final, por isso não foi transferido até agora. Uma transação comercial mais do que lícita. Vocês vão ver que não tem nenhuma ilegalidade”, afirmou.

O contrato tem uma divergência de valores. Ele estabeleceu que a negociação seria de R$ 14,2 milhões, pagos em três parcelas de R$ 2,5 milhões, cada, a partir de novembro de 2024. E o restante em 21 prestações de R$ 300 mil. Essa divisão soma R$ 13,8 milhões.

A Athena foi apontada pela PF como a principal beneficiária do fundo EUV Gladiator, ligada ao grupo Refit do empresário Ricardo Magro, investigado na Operação Sem Refino.

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O pagamento à empresa da família de Ciro Nogueira ainda será aprofundado pelas investigações. Um ex-assessor dele chegou a ser alvo de busca e apreensão, mas o senador não foi alvo da Sem Refino. No início do mês, o parlamentar sofreu busca e apreensão determinada no âmbito da Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master.

Relevante figura do Centrão, Ciro Nogueira foi ministro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e se tornou o primeiro congressista a ser oficialmente alvo das apurações da PF sobre as fraudes do Banco Master.

Embora esse fundo pertença formalmente à empresa Eurovest, a PF aponta na investigação que trata-se na verdade de uma estrutura usada por Ricardo Magro para blindagem patrimonial e ocultação de bens.

A Athena, que comprou o terreno da família de Ciro, seria um braço do grupo de Ricardo Magro para blindagem patrimonial por meio da compra de imóveis.

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O grupo Refit, a antiga Refinaria Manguinhos, atua no setor de combustíveis e é suspeito de práticas de corrupção e sonegação. Segundo a Receita Federal, Ricardo Magro é o maior devedor contumaz de impostos do Brasil, com dívidas que superam R$ 26 bilhões.

Na quarta-feira, Ciro Nogueira enviou nota na qual deu a compra e venda como concretizada.

“Esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado”, alegou.

Avião de R$ 10 milhões bloqueado

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A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou um bloqueio judicial sobre um avião de Ciro Nogueira por ordem do ministro André Mendonça, do STF. A decisão foi tomada no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal (PF), há suspeitas de que o parlamentar teria recebido propina para favorecer o empresário no Senado.

A informação foi confirmada pelo Estadão nos registros da Anac. A Certidão de Propriedade e Ônus Reais da aeronave afirma que “procede-se à inscrição da ordem judicial de sequestro e indisponibilidade da aeronave fabricante Beech Aircraft, modelo B200, nº de série BB-1266, marcas PT-WSX, de propriedade de Ciro Nogueira Lima Filho”. O avião, registrado em nome do senador e de sua ex-esposa, é um bimotor executivo com capacidade para nove passageiros, avaliado em cerca de R$ 10 milhões.

A medida impede a transferência ou negociação da aeronave até nova decisão judicial. Na prática, o avião fica indisponível para venda ou mudança de propriedade. O Estadão procurou a assessoria do parlamentar, mas não obteve retorno.

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Estadão Conteúdo é uma agência de notícias que pertence ao grupo O Estado de S. Paulo e fornece notícias, análises, colunas e cotações, entre outros conteúdos, para veículos de imprensa de todo o Brasil.
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