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Compra da Serra Verde pela USA Rare Earth abre caminho para pesquisa e expansão de produção, diz CEO

21 abr 2026, 8:57 - atualizado em 21 abr 2026, 8:25
Terras raras mineração minério de ferro (Imagem: Alfio Manciagli/istockphoto)
Terras raras mineração minério de ferro (Imagem: Alfio Manciagli/istockphoto)

A aquisição da mineradora brasileira Serra Verde pela norte-americana USA Rare Earth, em um negócio de US$ 2,8 bilhões, deverá trazer recursos para investimentos em novas pesquisas no ativo de terras raras em Goiás e poderá abrir caminho para uma segunda fase de expansão capaz de dobrar a produção planejada, disse o presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração, Ricardo Grossi, à Reuters.

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O acordo, anunciado na segunda-feira (20), foi o mais recente de uma série de aquisições da USA Rare Earth que vêm ampliando o portfólio da companhia norte-americana, que inclui mineração, processamento de minerais e fabricação de ímãs em quatro países — Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido.

“Com a geração de caixa nova projetada, nós teremos condições financeiras dentro do novo grupo de expandir as nossas pesquisas”, afirmou Grossi, que continuará liderando as operações no Brasil.

A Serra Verde iniciou a primeira fase de sua produção comercial em 2024 e prevê atingir a capacidade nominal de 6.400 toneladas anuais de óxidos de terras raras em 2027, com vida útil de mais de 20 anos. Segundo Grossi, a produção poderá ser dobrada com a chamada fase 2, que já está em estudos e poderá ter decisão final tomada até 2030.

“Nós já temos um conhecimento inicial desses recursos, nós temos iniciativas em andamento de desenvolvimento de rotas de processo para esse novo recurso. O foco agora é realmente terminar a obra (da fase 1), a otimização, mas, em paralelo, já estamos estudando sim as opções de crescimento e de rotas de processo”, disse Grossi.

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“Essa tomada de decisão, ela deve seguir o cronograma que nós temos dentro da companhia de projetos estratégicos, mas até 2030 a gente deve tomar essa decisão”, adicionou, sem dar mais detalhes.

A empresa produz atualmente carbonato de terras raras, uma etapa inicial de beneficiamento na cadeia, e não divulga o volume produzido durante a fase de otimização da planta por razões comerciais.

A Serra Verde também prevê acelerar contratações para sustentar a próxima etapa do ramp-up, com a adição de cerca de 500 trabalhadores entre próprios e terceiros, sobre uma base atual de mais de 1.000 funcionários no Brasil, disse Grossi.

Da mina ao ímã

Grossi afirmou que a transação com a USA Rare Earth também amplia o acesso da companhia a tecnologias e operações em outros países, permitindo integração ao longo da cadeia produtiva fora da Ásia.

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“Essa fusão que nós acordamos, ela proporciona para a nossa empresa, para o país, para o Estado de Goiás também, várias possibilidades. Abrem-se várias alternativas que não existiam fora da Ásia”, disse ele.

“Nós somos hoje, com esse acordo, a maior empresa de terras raras integradas fora da Ásia”, frisou.

Atualmente, a China é responsável por cerca de 90% da produção global de terras raras processadas, o que lhe permite controlar amplamente os preços. Enquanto isso, os Estados Unidos vêm buscando maior participação estratégica global neste mercado.

O Brasil, por sua vez, é conhecido por ter a segunda maior reserva global de terras raras, mas responde por apenas uma fração da produção mundial.

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O governo federal vem trabalhando em medidas que busquem incentivar a produção desses recursos no país, com o objetivo de fomentar também a criação de uma cadeia industrial, evitando que o Brasil se torne apenas um exportador de commodities também nessa área.

Questionado se o novo acordo poderia abrir caminho para novas etapas de industrialização no Brasil, Grossi afirmou que não há atualmente planos aprovados para isso.

Ele pontuou ainda que a cadeia de terras raras é composta por mineração, produção do concentrado ou carbonato, separação dos óxidos e, posteriormente, a produção das ligas e dos ímãs.

“A Serra Verde poderia simplesmente extrair e vender o minério, e isso poderia ser processado em outro lugar. Então, eu queria aproveitar para deixar muito claro que o grande investimento que a Serra Verde fez foi na primeira etapa de agregação de valor, que é na produção do carbonato de terras raras, que já é o início de uma separação, você está retirando as terras raras do minério”, afirmou.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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