Conheça Wesley Filho, o Batista ‘low profile’ que vai assumir o comando global da JBS (JBSS32)
Aos 34 anos, Wesley Batista Filho está prestes a assumir uma das posições mais importantes do setor global de alimentos. A partir de janeiro de 2027, ele será o novo CEO global da JBS (JBSS32), sucedendo Gilberto Tomazoni, que está no comando da companhia desde 2018.
O nome, por si só, carrega peso. Wesley Filho é neto de José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, fundador da JBS, e filho de Wesley Batista, que comandou a companhia globalmente entre 2011 e 2017. É também sobrinho de Joesley Batista, outro personagem central na história recente da empresa.
Mas, apesar do sobrenome que carrega, Wesley Filho construiu uma trajetória bem diferente da imagem pública que historicamente acompanhou a família Batista.
Discreto e pouco afeito aos holofotes, o executivo passou os últimos 15 anos construindo sua carreira dentro da operação da JBS. Antes de chegar ao comando da maior operação da companhia, nos Estados Unidos, passou por frigoríficos, exportação, diferentes países e proteínas — uma espécie de formação prática que começou no chão de fábrica.
Desde 2023, Wesley Batista Filho ocupava o cargo de CEO da JBS USA, liderando as operações e a estratégia da companhia na América do Norte.
Agora, está próximo de assumir o comando global de uma empresa que faturou US$ 86,2 bilhões em 2025 e que, há pouco mais de um ano, também tem ações negociadas na Bolsa de Nova York.
Da Suíça ao chão de fábrica
A formação de Wesley Filho começou longe do Brasil.
Aos 15 anos, ele foi estudar no Lyceum Alpinum Zuoz, tradicional internato suíço localizado nos Alpes. A experiência internacional acabou sendo importante para sua trajetória: além da formação escolar, o executivo desenvolveu fluência em idiomas como inglês, espanhol, francês e alemão.
Em 2011, aos 19 anos, Wesley Filho começou como trainee na operação de carne bovina da companhia em Greeley, no Colorado. E não foi em um escritório corporativo: sua experiência inicial foi diretamente ligada à operação do frigorífico.
Diferentes mercados
Posteriormente, liderou as operações de carne bovina da companhia no Uruguai, no Paraguai e no Canadá, assumindo responsabilidades sobre compra de gado, produção e execução comercial em diferentes mercados.
Wesley costuma se referir à sua primeira experiência de gestão, no Uruguai, como sua “escola de operação dos frigoríficos”, em referência à oportunidade que teve, ainda no início da carreira, de administrar todas as etapas de um negócio.
Após liderar operações de carne bovina na América do Sul e no Canadá, Wesley retornou a Greeley, em 2016, para comandar a JBS USA Fed Beef, então a maior unidade de negócios da companhia no mundo. Na função, esteve à frente de uma das maiores operações mundiais de carne bovina antes de retornar ao Brasil.
A trajetória chama atenção pela variedade de mercados e funções.
Em vez de permanecer concentrado em uma única área, Wesley Filho foi passando por diferentes partes da companhia: produção, exportação, gestão de frigoríficos, carne bovina, operações internacionais e, posteriormente, outras proteínas e alimentos processados.
Foi também uma forma de construir uma experiência que se tornaria especialmente útil em uma empresa como a JBS, que deixou há muito tempo de ser apenas uma companhia brasileira de carne bovina.
Do Brasil à Seara
Por volta de 2017, Wesley Filho retornou ao Brasil para assumir a JBS Brasil.
Em 2018, foi nomeado CEO da JBS Brasil. Dois anos depois, passou a acumular também a liderança da Seara, negócio de aves, suínos e alimentos preparados da JBS, mantendo simultaneamente a responsabilidade pela JBS Brasil.
A experiência ampliou seu conhecimento para além da carne bovina e o colocou diante de um negócio mais próximo do consumidor, com marcas, alimentos processados e maior exposição a produtos de valor agregado.
Era uma etapa importante na formação de um executivo que, poucos anos depois, passaria a supervisionar uma companhia multiproteína e global.
O salto para o comando global
Em 2022, Wesley tornou-se Presidente Global de Operações, passando a supervisionar os negócios da JBS na América do Norte, América do Sul, Europa e Oceania. Nessa posição, coordenou o desempenho operacional de negócios de carne bovina, suína, aves e alimentos preparados, antes de retornar aos Estados Unidos para liderar a JBS USA.
No ano seguinte, veio o movimento que consolidou sua posição como um dos principais nomes da sucessão.
Em 2023, ele assumiu o comando da JBS USA, substituindo Tim Schellpeper, voltando a Greeley pela terceira vez para liderar o maior negócio da companhia em receita e uma das maiores empresas de alimentos dos Estados Unidos.
A JBS USA reúne operações de carne bovina, suína e alimentos preparados, mais de 60 unidades de produção distribuídas por 31 estados e dezenas de milhares de colaboradores.
Ele assumiu a função em um momento em que a indústria de carne bovina dos Estados Unidos entrava em uma das fases mais desafiadoras do ciclo pecuário, com oferta mais restrita de gado e custos elevados dos animais pressionando de forma persistente as margens do setor.
Sua gestão também foi marcada por novos investimentos em capacidade produtiva e alimentos preparados.
Em Iowa, por exemplo, a JBS anunciou investimentos para ampliar sua produção de alimentos e construir uma nova fábrica de linguiças. No Texas, a companhia avançou com a expansão de uma unidade de carne bovina.
A lógica é semelhante à estratégia que a JBS vem perseguindo globalmente: aumentar capacidade, melhorar eficiência e ampliar a participação em produtos de maior valor agregado.
O Batista de perfil discreto
É justamente essa trajetória que ajuda a explicar o contraste entre Wesley Filho e a imagem pública tradicionalmente associada à família.
O executivo é descrito como reservado e pouco afeito à exposição pública. Em entrevistas, costuma falar mais sobre operação, pessoas, clientes e produtividade do que sobre sua própria trajetória.
Em uma entrevista concedida à Swiss Learning em 2021, ele contou um conselho recebido do pai no início da carreira.
“Seja o primeiro a chegar e o último a sair. Você terá mais tempo para aprender, e isso ajudará a conquistar o respeito dos seus colegas”, disse.
A frase resume, em alguma medida, a forma como sua carreira foi construída.
Wesley Filho entrou na JBS aos 19 anos e passou por uma longa sequência de posições antes de chegar ao topo. Não se trata, portanto, de alguém que tenha aparecido repentinamente na estrutura de comando por ser membro da família controladora.
Ao mesmo tempo, é impossível ignorar o peso do sobrenome.
O movimento guarda uma semelhança com o feito pelo patriarca da família e fundador da JBS, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, que colocou os filhos José Batista Júnior, Wesley e Joesley Batista à frente de unidades do negócio à medida que eles foram crescendo e ganhando experiência na empresa.
A diferença é que, enquanto os filhos de Zé Mineiro começaram muito cedo a assumir responsabilidades no negócio da família, Wesley Filho percorreu uma trajetória mais longa e internacional dentro da JBS antes de chegar ao comando.
Agora, a história se repete — mas em uma escala muito maior.
A chegada de Wesley Filho representa o retorno de um Batista ao comando executivo da JBS depois de quase uma década de gestão sob Tomazoni.
A diferença é que a terceira geração encontra uma empresa muito maior e mais complexa do que aquela recebida pela geração anterior.
De empresa brasileira a gigante global
Quando Wesley Batista pai assumiu o comando global da JBS, a companhia estava acelerando sua internacionalização e consolidando a aquisição da Swift nos Estados Unidos.
Dessa vez, Wesley Filho recebe uma empresa que já é uma multinacional de fato.
A JBS possui operações espalhadas por diversos países, atua em diferentes proteínas e categorias de alimentos e, desde 2025, passou a ter suas ações negociadas também na New York Stock Exchange (NYSE).
A mudança de geração, portanto, acontece em um momento simbólico.
O avô de Wesley Filho, Zé Mineiro, transformou um pequeno negócio de abate de gado em Goiás em uma companhia de alcance nacional. Seu pai e seu tio ajudaram a transformá-la em uma multinacional. E Tomazoni conduziu uma etapa de profissionalização e expansão que levou a empresa a um novo patamar de escala.
Agora, cabe à terceira geração conduzir a próxima fase.