Consenso é Selic a 14,50%: O que esperar da reunião do Copom?
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece nessa quarta-feira (30), não guarda muitas surpresas ao investidor. Para grande parte do mercado, a expectativa é de que o Banco Central opte por um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, repetindo o movimento da decisão anterior.
A leitura é compartilhada por diferentes instituições financeiras, mas com um pano de fundo que ficou mais complexo desde o último encontro.
O Itaú BBA, por exemplo, avalia que o Copom deve seguir com o corte contratado, levando a taxa para 14,50% ao ano, sem mudanças relevantes na comunicação. Para o banco, o ambiente exige “serenidade e cautela”, em meio à elevada incerteza global, especialmente diante dos desdobramentos no Oriente Médio.
Apesar da expectativa de continuidade no ciclo de flexibilização, o diagnóstico ficou mais delicado. Isso porque os dados recentes de inflação vieram mais pressionados e as expectativas de mercado voltaram a subir, consumindo parte do espaço que o BC tinha para reduzir os juros.
Na mesma linha, Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil, chama atenção para a deterioração do cenário inflacionário. Desde a última reunião, as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 avançaram de forma relevante, se afastando ainda mais da meta de 3%.
Diante disso, o Citi Brasil espera que o Copom revise para cima suas estimativas de inflação, tanto para 2026 quanto para o horizonte relevante da política monetária. A projeção da instituição é de que o IPCA encerre o ano em 4,1% e atinja 3,4% no quarto trimestre de 2027, período considerado chave para as decisões do Banco Central.
O movimento vai na mesma direção do BBA, que também enxerga uma piora no cenário prospectivo. Pelos cálculos do banco, a inflação deve subir para 4,4% em 2026 e alcançar 3,4% no horizonte relevante (4T27), acima das estimativas anteriores e ainda distante da meta de 3%.
Por outro lado, as casas destacam que parte desse impacto tem sido compensado pelo comportamento do câmbio. A valorização do real nas últimas semanas ajuda a conter a inflação, funcionando como um amortecedor adicional no cenário, enquanto os preços das commodities seguem relativamente estáveis.
Com esse conjunto de fatores – inflação mais alta, câmbio mais favorável e atividade sem grandes mudanças –, a avaliação predominante é de que o BC deve manter a estratégia de ajustes graduais.
E o tom do comunicado?
Na prática, o Copom deve reforçar uma mensagem já conhecida de que o ciclo de cortes segue em curso, mas em ritmo mais cauteloso e cada vez mais dependente da evolução dos dados. Para o BBA, o comunicado não deve trazer mudanças relevantes no tom já adotado pelo BC.
“O comitê deve enfatizar serenidade e cautela na condução da política monetária, adicionando que os passos futuros do processo de calibração seguirão guiados pela evolução dos dados e pela
avaliação contínua do balanço de riscos”, avalia.
Além disso, o comunicado deve incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e extensão no tempo dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.
Para a XP, o comunicado desta semana tende a ser mais duro do que o anterior, reforçando a necessidade de uma condução cautelosa da política monetária para mitigar efeitos de médio prazo decorrentes dos choques inflacionários. No entanto, a casa descarta uma possível interrupção do ciclo de calibração no curto prazo.