Construtoras têm 4T25 forte, mas BTG acende alerta para média e alta renda; veja quem se destacou
As construtoras listadas em bolsa apresentaram resultados sólidos no quarto trimestre de 2025 (4T25), com destaque para as companhias voltadas à habitação popular, segundo avaliação do BTG Pactual.
Em relatório, o banco apontou que o segmento de baixa renda foi especialmente beneficiado pelo bom momento do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que tem passado por atualizações frequentes em suas condições.
Na visão dos analistas, o cenário positivo do programa impulsionou as vendas consolidadas das empresas, que cresceram, em geral, 19% na base anual, resultando em um avanço de 36% na receita frente ao 4T24.
Segundo o BTG, com margens brutas em 35% (aumento de 160 pontos-base na comparação anual) e melhora no lucro líquido, os retornos das companhias também permaneceram elevados, com ROE médio de 43% entre outubro e dezembro (+600 pontos-base).
“Em nossa opinião, os principais destaques do último trimestre foram Cury (CURY3) e Tenda (TEND3) no segmento de baixa renda”, afirmou o banco, avaliando que o grupo deve continuar se beneficiando do momento favorável do MCMV.
“Para este ano, seguimos otimistas com a habitação popular. A Tenda é nossa principal escolha (top pick), com as ações negociando a um múltiplo P/L de 6 vezes para 2026.”
Média e alta renda
Quanto às construtoras de média e alta renda, o BTG destacou que os resultados também permaneceram sólidos no 4T25, apesar de um cenário macroeconômico desafiador devido aos juros elevados
De acordo com o relatório, a demanda por novas moradias seguiu firme, com preços ainda em alta, embora sinais de desaceleração, especialmente nas pré-vendas, tenham sido observados.
A casa ressaltou que, embora o lucro líquido consolidado do segmento tenha subido 27% no 4T25 na comparação anual, o número foi impulsionado principalmente por Cyrela (CYRE3) e Moura Dubeux (MDNE3), enquanto as demais companhias reportaram queda nos lucros ou crescimento mais moderado.
“Mantemos uma visão cautelosa em relação à média e alta renda, diante dos primeiros sinais de que o ambiente macroeconômico está pesando sobre a demanda e devido a algum acúmulo de estoque no fim do ano passado”, afirmou o banco.
“Neste grupo, preferimos a Cyrela, negociada a um múltiplo P/L de 6 vezes para 2026, e Moura Dubeux, com P/L de 5,5 vezes.”