Taxa Selic

Copom decidiu “não fazer marola” ao manter a Selic em 13,75%; veja o que dizem economistas

04 nov 2026, 19:35
Banco Central BC Copom Selic 3
Foto: Rmcarvalho/iStock

Era bola cantada. As projeções não indicavam 99% de chances, mas algo em torno de 70%, de manutenção da taxa Selic nesta quarta-feira (4). Ainda assim, a decisão era dada como certa e amplamente esperada pelos agentes financeiros.

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Com isso, ao optar pela continuidade dos juros no nível de 13,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central atendeu às expectativas do mercado.

Foram cinco cortes consecutivos, entre março e setembro deste ano, que diminuíram a taxa básica de 15% para 13,75% ao ano.

Para os economistas participantes do mercado financeiro, essa pausa era necessária para avaliar os indicadores econômicos no Brasil e os fatores de pressão internacional pelos próximos dias.

Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, destaca o trecho em que o Copom fala sobre o aumento da incerteza, a elevação das expectativas de inflação e a desaceleração mais acentuada da atividade econômica como fatores que tornam o cenário da política monetária mais desafiador.

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“Na nossa visão, a decisão de manter a taxa de juros foi acertada, pois preserva a âncora monetária em um momento de incerteza”, disse Chicoli.

A opinião da casa é de que, na ausência de um ajuste fiscal relevante por parte do governo, “a taxa Selic não deve sofrer cortes adicionais nas próximas reuniões”.

Uma opinião compartilhada por Luis Leal, macroeconomista da G5 Partners. Para ele, “venceu o bom senso de não fazer marola em um momento de muita volatilidade nos mercados brasileiros”.

Leal acredita que a decisão será bem recebida pelo mercado na quinta-feira (5).

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Sobre próximos passos, o macroeconomista acredita que depende das notícias vindas de Brasília. O presidente Lula já marcou um pronunciamento para domingo (8) com a intenção de “acalmar os mercados”.

A princípio, a G5 mantém sua expectativa de manutenção da taxa Selic em 13,75% também em dezembro.

Ao avaliar os próximos passos, Leandro Padulla, economista do ASA, chama a atenção para a retórica do BC ao afirmar que a taxa Selic já se encontra em nível “substancialmente contracionista”.

Para ele, isso sugere que, embora o ciclo de cortes tenha sido interrompido, “a barra para uma eventual alta da taxa de juros permanece elevada neste momento”.

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Alguns agentes financeiros têm precificado na curva de juros aumento da Selic para os próximos meses. Na avaliação do ASA, o Copom entende que o atual nível dos juros já produz um grau significativo de restrição monetária e prefere observar a evolução dos choques recentes antes de considerar ajustes adicionais.

“O cenário mais provável é de manutenção da Selic em 13,75% nas próximas reuniões, com eventual retomada da discussão sobre flexibilização condicionada à melhora das expectativas de inflação e à convergência das projeções para a meta”, diz Padulla.

A última reunião do Copom deste ano será em 8 e 9 de dezembro.

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Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.
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