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Copom está à espera da eleição? Quais pontos podem definir o próximo corte da Selic

22 set 2026, 11:39 - atualizado em 22 set 2026, 11:40
Juros futuros, taxas, DI
(Imagem: inkdrop)

Mais uma vez, o Comitê de Política Monetária (Copom) deixou em aberto se a próxima reunião contará com mais uma redução na taxa Selic ou não. Para alguns economistas, o Banco Central deve pausar o ciclo de cortes até que o resultado das eleições mostre um cenário mais claro sobre a possível condução da política monetária no próximo governo.

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Isso porque, a depender de quem ganhe a corrida eleitoral, marcadores econômicos como o dólar e a curva de juros podem variar excessivamente a ponto de mudar o cenário macroeconômico com impacto direto na inflação e demais indicadores da economia brasileira.

“Se a gente tiver um resultado da eleição cuja leitura de mercado seja mais favorável [para um ajuste fiscal], aí a gente pode abrir mais espaço para a continuidade do ciclo de corte de juros”, avaliou Carlos Lopes, economista do banco BV.

A visão é compartilhada por Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, que ressalta que esse é atualmente o principal trigger para o afrouxamento monetário.

Veja a seguir o trecho em que o comitê cita o impacto de curto prazo da política fiscal que dá argumentos para essa leitura:

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“A visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade.”

A autoridade também afirma que uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta.

Além disso, na avaliação do economista do BV, o Banco Central deve ainda avaliar a condução da política monetária no exterior, já que grande parte dos países desenvolvidos estão elevando suas taxas de juros, inclusive, os Estados Unidos, o que exerce forte influência sobre os ativos emergentes.

Economia claramente mais fraca

Se as incertezas fiscais, eleitorais e externas podem levar o Banco Central a pisar no freio, a atividade doméstica joga na direção contrária e dá argumentos para a continuidade dos cortes na Selic.

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Na ata, o Copom reforçou o diagnóstico de desaceleração da economia brasileira. Segundo Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, a comunicação avançou em relação à reunião anterior ao incorporar os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que confirmaram uma perda de ritmo mais evidente, principalmente nos setores e componentes da demanda mais sensíveis aos juros.

O crédito também ganhou espaço na avaliação do BC. O Comitê destacou que sua dinâmica recente é “consistente com um quadro de desaceleração do crescimento, em meio a uma política monetária restritiva”, principalmente nas modalidades de prazo mais longo.

Para Caio Megale, economista-chefe da XP, esse é um dos sinais de que os indicadores estão caminhando na direção desejada pelo BC. Embora a atividade ainda parta de um nível considerado forte e a inflação permaneça acima da meta, ambos vêm perdendo força.

A inflação, inclusive, trouxe uma melhora adicional. O Copom destacou que as medidas subjacentes desaceleraram e passaram a ficar abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, ainda que permaneçam acima do centro da meta.

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Nesse cenário, tanto Costa quanto Megale veem espaço para a continuidade do ciclo de cortes. Para a economista, a combinação entre atividade e inflação mais fracas favorece novas reduções de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões.

A XP, por sua vez, espera outro corte de 0,25 ponto em novembro e projeta a Selic em 13,25% ao final de 2026. Para 2027, a casa trabalha com a possibilidade de o Copom acelerar o ritmo de flexibilização para 0,50 ponto percentual a partir da segunda reunião do ano, levando a taxa a 11,50% em meados do ano.

Isso não significa, porém, que o caminho esteja livre. Megale destaca que os riscos permanecem relevantes, principalmente diante de choques externos e oscilações do petróleo.

No exterior, as tensões geopolíticas e seus efeitos sobre commodities e insumos também permanecem como fonte de incerteza para a trajetória dos juros. Ainda assim, Megale avalia que o real tende a permanecer relativamente estável, amparado pela solidez das contas externas brasileiras.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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