Cortes de juros sob pressão: “Momento é negativo para a política monetária”, afirma analista da EQI Research
O mercado segue de olho no conflito no Oriente Médio, acompanhando as tentativas de negociações entre Estados Unidos e Irã com maior alívio. No Brasil, o Ibovespa chegou a alcançar, pela primeira vez, os 199 mil pontos, quinta alta consecutiva.
No Giro do Mercado de hoje (14), a jornalista Paula Comassetto conversa com Nícolas Mérola, analista da EQI Research para analisar os principais destaques do dia.
No cenário internacional, os Estados Unidos e o Irã avaliam novas negociações para estender o cessar‑fogo de duas semanas, enquanto Trump mantém o bloqueio naval no Estreito de Ormuz.
A notícia foi suficiente para trazer baixas no preço do petróleo e quebrar o silêncio da China, com o presidente Xi Jinping declarando que “a ordem internacional está se desintegrando”.
“É muito importante colocar que os eventos recentes estão pautando o comportamento dos mercados todos os dias. Essa volatilidade está muito relacionada ao estreito de Ormuz e à movimentação do petróleo. Isso mexe com um ponto fundamental que são as taxas de inflação e o impacto disso nas políticas monetárias”, afirmou Mérola.
“Nas principais economias desenvolvidas, o ciclo de corte que estamos vendo no Brasil já tinha começado, por exemplo na Europa. O momento em que esses cortes estão acontecendo aqui é muito negativo para a política monetária. Até que o conflito se resolva de forma definitiva, os mercados tendem a manter a volatilidade”, completou.
De acordo com o especialista, isso não significa que os mercados não possam performar positivamente, como é o caso desta manhã. Para ele, o preço do petróleo tem um impacto pontual, mas depois se acomoda e, quando isso acontece, o repasse desses preços em todas as expectativas acaba sendo “bem implementado”.
A revisão da Agência Internacional de Energia também foi pauta do dia. Agora, a expectativa é de contração da demanda global de petróleo em 2026, uma reversão importante em relação ao mês passado.
Mesmo assumindo que Ormuz seja reaberto, a agência estima que seriam necessários cerca de 2 meses para normalizar exportações.
“A grande dúvida do mercado está em relação a quanto tempo o conflito e o alto preço do petróleo podem se estender ou se teremos novos patamares. Isso não está muito bem precificado no mercado e caso aconteça seria uma grande disrupção”, analisou o analista da EQI.
O dia também marca o início da temporada de balanços do 1º trimestre nos EUA, com resultados de gigantes como JP Morgan, Wells Fargo, Citigroup e Johnson & Johnson, que ajudam a sustentar o clima positivo nos mercados.
O dólar também estava no radar pela manhã, chegando abaixo de R$ 5, o patamar mais baixo em 2 anos.
“O câmbio é extremamente volátil. Não existe o certo ou errado, nem um preço justo. Falando de tendência, precisamos destacar que essa queda do dólar vem de antes do conflito, principalmente em relação a economias emergentes. O que tem acontecido é uma desconcentração do investidor americano dentro dos Estados Unidos e buscando outras economias”, disse o especialista
Ele ainda completou: “Os investidores americanos têm apostado em uma maior diversificação dos tipos de investimento e também nos mercados. Esse fluxo está sendo muito positivo para o Brasil, mesmo com a guerra, ele continua acontecendo”.
*Com supervisão de Vitor Azevedo