Cury (CURY3): O que fez o Santander elevar o preço-alvo e eleger a ação como a favorita do setor
O Santander elevou o preço-alvo das ações da Cury (CURY3) para o fim de 2026, de R$ 49 para R$ 52, e elegeu a companhia como sua principal escolha (top pick) no setor de construção civil. O novo valor implica um potencial de valorização de aproximadamente 73% frente à cotação atual, de R$ 30.
Por volta das 15h30 (horário de Brasília) desta terça-feira (9), os papéis da incorporadora subiam 3,5% na Bolsa de valores, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, avançava 0,60%. Acompanhe o tempo real.
Em relatório, o Santander apontou que a revisão positiva é sustentada por um conjunto de fatores operacionais, como aumento de lançamentos, reajustes de preços dos imóveis, reconhecimento de receita mais forte do que o esperado e diluição de despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A).
A casa, inclusive, agora prevê lucro líquido para a companhia de R$ 1,3 bilhão em 2026 e R$ 1,6 bilhão em 2027, o que representa alta de 3% e 7% em relação às projeções anteriores, respectivamente, mesmo com redução de 75 pontos-base na expectativa de margem bruta, agora estimada em 39,1% para os mesmos períodos.
‘Excesso de pessimismo’
O banco afirma que as ações da Cury acumulam queda de cerca de 30% desde o pico registrado em fevereiro, quando chegaram próximas de R$ 42, num movimento mais intenso que o recuo do Ibovespa em igual intervalo, de 12%.
Para o Santander, a baixa reflete preocupações com pressão de custos na construção civil, especialmente em um cenário de inflação de insumos mais elevada após a alta do petróleo.
Ainda assim, a casa avalia que parte desse receio é “exagerada”. Entre os argumentos, estão a margem de backlog (fila de projetos já vendidos) em 42,9%, a elevada participação de receitas corrigidas por índices inflacionários (INCC e IGP-M) e a capacidade da companhia de repassar preços em novos lançamentos.
O relatório também reforça a visão positiva sobre a velocidade de vendas (VSO) da construtora, que, no primeiro trimestre (1T26), bateu 73,9% nos últimos 12 meses, nível de destaque dentre as incorporadoras listadas.
Segundo o banco, esse ritmo acelerado de comercialização reduz riscos de ciclo, melhora a geração de caixa e colabora com a diminuição de despesas financeiras.
Dividendos elevados e múltiplos atrativos
Outro ponto de destaque é o potencial de geração de valor aos acionistas. O Santander projeta dividend yield de 12,7% para a Cury em 2027, além de crescimento médio anual do lucro por ação (LPA) de 21% entre 2025 e 2028.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) também é ressaltado, com estimativas próximas de 80% em 2026 e 2027, patamar considerado elevado pelo banco.
Além disso, pelas contas da casa, o papel CURY3 negocia a “múltiplos atrativos”, com preço sobre lucro (P/L) de 5,5 vezes para o ano que vem.