Cyrela (CYRE3): Venda bilionária de ativos pode turbinar dividendos e reduzir dívida, dizem analistas; ação sobe forte
As ações da incorporadora e construtora Cyrela (CYRE3) operam em forte alta nesta quinta-feira (6), um dia após a companhia anunciar a assinatura de um memorando de entendimentos (MoU) para a venda de um portfólio de ativos imobiliários por cerca de R$ 2,14 bilhões.
Por volta das 11h50 (de Brasília), os papéis avançavam 3,4% na bolsa de valores, negociados a R$ 22,35, enquanto, no mesmo horário, o Ibovespa (IBOV), principal índice da B3, caía 0,62%, aos 176.631 pontos. Acompanhe o tempo real.
Lucro à vista
Pelos termos do memorando assinado, a operação envolve a potencial venda de quatro galpões logísticos, sendo dois na região metropolitana de São Paulo, um no Rio de Janeiro e outro em Extrema (MG), e parte das lajes corporativas do “Edifício Cyrela Corporate“, na capital paulista, para o fundo imobiliário TRXF11.
Segundo o analista Caio Nabuco de Araujo, da Empiricus Research, como uma fração dos imóveis pertence a parceiros, a parcela atribuível à Cyrela é estimada entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,5 bilhão, dos R$ 2,14 bilhões totais da transação.
Desse montante, aproximadamente metade deverá ser recebida em dinheiro e o restante por meio de cotas do próprio TRXF11.
Venda abre espaço para dividendos extraordinários
De acordo com Araujo, a operação pode gerar um ganho entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões para a Cyrela, além de contribuir para uma melhora da estrutura de capital da companhia.
Para o analista, a entrada dos recursos também aumenta a possibilidade de distribuição de dividendos extraordinários, embora parte do valor possa ser destinada ao desenvolvimento de novos projetos, aquisição de terrenos e investimentos (capex).
“Os cálculos preliminares indicam um dividend yield adicional de 7%, dependendo da destinação dos valores”, afirmou Araujo.
Segundo ele, mesmo a transação ainda dependendo de diligências, aprovações e outras condições precedentes, “o anúncio é positivo para a tese de investimento na incorporadora, ao combinar monetização de ativos non-core (não estratégicos), redução da alavancagem e maior flexibilidade para remunerar os acionistas”.
A Empiricus mantém recomendação de compra para as ações CYRE3, que, pelas contas da casa, negociam atualmente a cerca de 0,8 vez o valor patrimonial
O que diz o BTG Pactual
Na mesma linha, o BTG Pactual avaliou a operação como positiva e afirmou que, considerando a participação da Cyrela nos empreendimentos, a companhia deve receber aproximadamente R$ 1,4 bilhão, sendo metade em caixa no fechamento da operação e metade em cotas do TRXF11.
Pelas estimativas da instituição, a transação implica um cap rate (taxa de capitalização) próximo de 8% e pode gerar lucro líquido de R$ 700 milhões para a construtora.
“Esse montante representa cerca de 35% das projeções de lucro líquido para 2026 e aproximadamente 7% do valor patrimonial atual”, disse o BTG.
Para o banco, “a operação é considerada geradora de valor por fortalecer a posição financeira da empresa e potencialmente ampliar a distribuição de proventos aos acionistas”.
O BTG também mantém recomendação de compra para CYRE3, com preço-alvo de R$ 40, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 79%.
O que diz o Itaú BBA
O Itaú BBA classificou a transação como positiva e também estimou que o valor atribuível à Cyrela fique entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,5 bilhão.
Segundo a casa, os ganhos líquidos da incorporadora podem alcançar R$ 800 milhões, equivalente a cerca de 8% do valor contábil da empresa.
“Atualmente, CYRE3 é negociada a 0,8 vez o P/TBV (preço sobre valor patrimonial tangível) projetado para o fim de 2026. Após o reconhecimento do ganho, o múltiplo poderia cair para cerca de 0,75 vez”, afirmou o banco.
“Mais importante ainda: com o recebimento de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,5 bilhão — embora metade ocorra via cotas do TRXF11, cuja monetização provavelmente será gradual —, estimamos que a alavancagem poderia cair de 19,6% (no 1T26) para 6%”, acrescentou.
Na avaliação da instituição, a operação também abre espaço para uma distribuição relevante de proventos, com potencial de dividend yield adicional entre 10% e 15%.
“Embora as perspectivas para o setor de habitação de média e alta renda sejam desafiadoras, mantemos nossa recomendação outperform (compra) para CYRE3, devido à sua execução de excelência, à crescente exposição ao resiliente nicho de baixa renda e ao valuation atrativo”, disse o BBA.
O preço-alvo definido para o papel é de R$ 33, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 48%.