Dias melhores? Braskem (BRKM5) salta 26% após JP Morgan enxergar potencial de 63%; entenda
O JP Morgan elevou a recomendação de Braskem (BRKM5) de neutro para compra e também subiu o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15, com potencial de valorização de 63% ante o fechamento anterior (11).
Como consequência, a ação chegou a disparar 26,96%, a R$ 11,68, o maior salto percentual diário desde novembro de 2023, aparecendo como principal alta da B3 e do Ibovespa.
Segundo o JP, a elevação do papel reflete a melhora nos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança após a reestruturação.
“A Braskem está posicionada para um 2026 mais forte, à medida que desafios globais de mercado e restrições logísticas no Oriente Médio apertaram a oferta petroquímica e sustentaram a melhora das margens”, avalia.
Por volta das 11h38 (horário de Brasília), BRKM5 subia 18,80%, a R$ 10,93, enquanto o Ibovespa recuava 0,93%, aos 180.218,06 pontos.
Na avaliação da analista do JP Milene Clifford Carvalho, a normalização ao longo da cadeia petroquímica deve levar vários meses, devido às interrupções contínuas em plantas industriais e aos prazos logísticos mais longos.
Oferta global impulsiona BRKM5
Segundo o JP Morgan, as condições desafiadoras do mercado global e as restrições logísticas no Oriente Médio apertaram a oferta petroquímica, sustentando maiores taxas de utilização e melhora da rentabilidade operacional.
A região responde por cerca de 15% da capacidade global de polietileno e etileno — sendo 9% localizada no Estreito de Ormuz. A redução da concorrência e as restrições de embarque em meio ao conflito entre EUA e Irã aumentaram ainda mais a pressão sobre a oferta.
“Diante desses acontecimentos, revisamos nossas estimativas para a Braskem para refletir spreads mais elevados, o que deve sustentar resultados financeiros significativamente mais fortes em comparação aos níveis pré-conflito — embora estoques de segurança e o excesso de capacidade da indústria tenham ajudado a mitigar os impactos no 1T26”, detalha o JP Morgan.
Incentivos fiscais
Para o JP, a Braskem deve se beneficiar dos recentes avanços no arcabouço de apoio à indústria química brasileira, voltados para melhorar a competitividade dos produtores locais diante da baixa oferta global e da pressão das importações.
O banco menciona como fatores que ajudam a petroquímica na parte fiscal:
- O Programa de Investimento de Regime Especial da Indústria Química (REIQ), que deve apoiar projetos de expansão de capacidade;
- A Lei Complementar nº 228 que elevou o benefício do REIQ de 0,73% para 5,8%;
- A Lei nº 15.294/25 que instituiu o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química, válido de janeiro de 2027 até dezembro de 2031.
Avanços na governança
O banco considera ainda que a transação com a IG4 representa uma mudança significativa na governança da Braskem, substituindo a estrutura anterior liderada pela Novonor por um modelo de co-governança entre IG4 e Petrobras.
O novo acordo de acionistas prevê um conselho equilibrado, com 11 membros — incluindo três independentes — e representação igualitária entre IG4 e Petrobras, afirma o JP, que acrescenta que as nomeações da diretoria executiva e todas as principais decisões do conselho e dos acionistas exigirão consenso, garantindo supervisão conjunta e alinhamento estratégico.
“Isso representa uma mudança clara em relação à estrutura anterior, na qual a participação majoritária da Novonor resultava em maior controle do conselho e influência limitada da Petrobras”, avalia.