Vale (VALE3) cai 2% após divulgar projeções para 2026 e 2027, mas Safra vê números positivamente; entenda
As ações da Vale (VALE3) recuaram 2,05%, a R$ 81,74, após a divulgação das projeções da companhia para 2026 e 2027. As atualizações feitas pela companhia foram consideradas positivas pelos analistas do Banco Safra.
Hoje, as mineradoras recuam em bloco em dia de aversão a risco nos mercados. Além disso, o minério de ferro fechou em queda de 0,98%, cotado a 812,5 yuans (US$ 119,57) a tonelada, na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China.
As projeções consideram as condições de mercado observadas antes e depois do conflito no Oriente Médio, a mineradora estima um incremento de cerca de US$ 1,5 bilhão no fluxo de caixa livre (FCF, em inglês) neste ano. Segundo a mineradora, o incremento é composto por:
- Aumento de cerca de US$ 1,2 bilhão no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do segmento;
- Geração de aproximadamente US$ 425 milhões por meio de programas de hedge cambial e de combustível; e
- Aumento de cerca de US$ 0,1 bilhão em investimentos de manutenção.
Por volta das 15h17 (horário de Brasília), a VALE3 caía 0,26%, a R$ 83,23. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,72%, aos 180.598,73 pontos.
Atualizações positivas de fluxo de caixa
A Vale trouxe duas atualizações, sendo a primeira a sensibilidade do Ebitda e do FCF estimatodos para 2026 da divisão de Soluções de Minério de Ferro antes e depois da guerra entre Estados Unidos e Irã.
Outro ajuste foi na sensibilidade do Ebitda e do FCF do segmento de níquel da Vale Base Metals a diferentes premissas de preço do níquel, entre US$ 16 mil e US$ 20 mil por tonelada, e às premissas de consenso para subprodutos como cobre, cobalto, ouro e metais do grupo de platina.
Para o Safra, os números são positivos uma vez que o aumento na sensbilidade do fluxo de caixa livre das Soluções de Minério de Ferro não estava no cenário base do banco.
Adicionalmente, o banco avalia que isso ajuda a aliviar as preocupações do mercado em relação à perda de rentabilidade decorrente dos custos de caixa e do frete desde o início do conflito, algo que aparentemente pressionou as ações após o balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26).
O Ebitda do segmento de níquel do Vale Base Metals também pode ficar bem acima das estimativas do Safra e do consenso do mercado sob as premissas de preços da Vale. O cenário do banco considera preços do níquel de US$ 17,3 mil a tonelada em 2026 e US$ 17,6 mil a tonelada em 2027, implicando um Ebitda de US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão, respectivamente — 3% e 9% abaixo do consenso.
Entretanto, o Safra estima que, sob a premissa da Vale de US$ 18 mil a tonelada para o níquel, o Ebitda subiria para US$ 1,55 bilhão em 2026 e US$ 2 bilhões em 2027.
Com base na sensibilidade divulgada pela Vale, o Ebitda do negócio de níquel aumenta cerca de US$ 225 milhões (15%) para cada aumento de US$ 1.000 a tonelada no preço médio anual do níquel.
“Mais importante ainda, a sensibilidade do FCF é significativa: uma operação que anteriormente víamos como abaixo do ponto de equilíbrio pode passar a gerar FCF positivo caso os preços permaneçam próximos aos níveis spot“, afirma o Safra.