Direcional (DIRR3): Ações sobem após 1T26 com lucro em alta e margem recorde; veja potencial de valorização
As ações da Direcional Engenharia (DIRR3) operam em alta nesta terça-feira (12) em reação ao balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26). Entre analistas, a leitura é de que os números reforçaram a consistência operacional da construtora, sustentada pela forte demanda no segmento econômico.
Por volta das 11h35 (horário de Brasília), os papéis avançavam aproximadamente 2,2% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 13,14. Na máxima intradia, chegaram a R$ 13,42. Acompanhe o tempo real.
Rentabilidade recorde
Entre janeiro e março, a Direcional registrou lucro líquido de R$ 213 milhões, alta de 30% frente ao apurado no mesmo período de 2025.
O número ficou praticamente em linha com a expectativa do mercado, que projetava R$ 212 milhões, segundo dados da LSEG.
A receita líquida também avançou 30% no período, para R$ 1,2 bilhão. Já o resultado operacional medido pelo Ebitda somou R$ 315 milhões, crescimento de 47%.
Para o analista Caio Nabuco de Araujo, da Empiricus Research, um dos principais destaques do 1T26 foi rentabilidade.
Isso porque o ROE (retorno sobre patrimônio líquido) anualizado alcançou 38%, enquanto a margem bruta ajustada atingiu novo recorde histórico, de 42,9%, expansão de 130 pontos-base (bps) em relação ao 1T25 e de 10 bps frente ao trimestre anterior.
“Os resultados reforçam a consistência operacional da Direcional, sustentada pela forte demanda no segmento econômico, elevada eficiência operacional e disciplina na gestão de custos e preços”, afirmou Araujo.
Lado operacional segue forte
Conforme antecipado na prévia operacional, os lançamentos da construtora totalizaram R$ 1 bilhão em valor geral de vendas (VGV) entre janeiro e março — sendo R$ 860 milhões na participação da companhia —, crescimento anual de 12%.
Do total lançado, aproximadamente 70% estiveram concentrados na marca Direcional, focada no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e 30% na Riva, voltada ao desenvolvimento de empreendimentos residenciais de médio e alto padrão.
De acordo com o analista da Empiricus, a velocidade de vendas (VSO) também permaneceu elevada, em torno de 24%, avanço de 250 bps em relação ao 4T25 e no maior nível para um primeiro trimestre.
Caixa e estrutura de capital
Em relação à estrutura de capital, Araujo afirmou que a construtora encerrou março com dívida líquida de R$ 613 milhões, equivalente a 24% do patrimônio líquido, “patamar considerado administrável diante do atual ritmo de crescimento da empresa”.
Segundo ele, a companhia registrou geração de caixa operacional de R$ 35 milhões no 1T26, embora o fluxo contábil tenha sido impactado por amortizações relacionadas à cessão de recebíveis.
“A Direcional iniciou 2026 mantendo a forte dinâmica observada nos últimos meses, combinando crescimento de vendas e margens elevadas”, disse o analista.
“Negociando a aproximadamente 7 vezes os lucros projetados para 2026, a Direcional segue entre as preferências da Empiricus, com janela de entrada favorável na precificação atual”, prosseguiu.
O que diz o Itaú BBA
Na mesma linha, o Itaú BBA avaliou que a construtora reportou resultados sólidos no 1T26, com margem bruta praticamente estável na comparação trimestral e crescimento de 29% no lucro por ação (LPA) em relação ao ano anterior, que ficou em R$ 0,38, cerca de 5% acima das estimativas.
De acordo com o banco, a geração de caixa livre também surpreendeu positivamente, impulsionada pelas vendas de SPEs (Sociedades de Propósito Específico).
“Apesar das nossas preocupações com a inflação de construção, a DIRR3 continua sendo a nossa principal escolha no setor, com as ações negociando a um atrativo múltiplo P/L ajustado de 7 vezes e 5 vezes para 2026 e 2027, respectivamente”, afirmou a casa.
“A nossa visão positiva é sustentada pela sólida execução e, mais importante, pela menor sensibilidade da empresa aos choques de custos de construção em comparação com os seus pares”, prosseguiu.
De acordo com o Itaú BBA, a Direcional tem menor dependência de projetos antigos em termos de receitas, que, combinada com uma grande carteira de recebíveis indexada à inflação, atua como um amortecedor contra as pressões de gastos.
Além disso, na visão do banco, as recentes alterações no programa MCMV deverão reforçar o poder de fixação de preços, ajudando a empresa a manter as margens à medida que a procura se fortalece.
O preço-alvo do BBA para os papéis DIRR3 é de R$ 16,50, o que representa potencial de valorização de cerca de 25% frente à cotação atual.