Economia

Dívida pública do Brasil sobe 1,9% em abril enquanto investidor busca proteção em título atrelado à Selic

28 maio 2026, 5:43 - atualizado em 28 maio 2026, 3:32
(Imagem: Rmcarvalho/ iStock)

A dívida pública do Brasil cresceu 1,91% em abril na comparação com o mês anterior sob efeito da despesa com juros e de um aumento nas emissões de títulos pelo governo, enquanto a volatilidade nos mercados tem levado investidores a buscar proteção, aumentando fortemente a demanda por títulos atrelados à taxa Selic.

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A dívida pública federal do Brasil atingiu R$ 8,798 trilhões em abril, segundo dados do Tesouro Nacional apresentados nesta quarta-feira (27). O resultado reflete uma alta de 1,93% na dívida pública mobiliária interna, a R$ 8,462 trilhões, enquanto a dívida pública federal externa cresceu 1,28% e atingiu R$ 335,9 bilhões.

As emissões da dívida interna somaram R$ 201 bilhões em abril, maior valor em 12 meses, enquanto os resgates totalizaram R$ 133 bilhões. Como resultado, a emissão líquida no mês ficou em R$ 68 bilhões, valor que se somou a uma apropriação positiva de juros de R$ 92,5 bilhões.

Em meio ao cenário internacional volátil gerado pela guerra no Irã, o Tesouro disse que foi mantido o maior apetite dos investidores por títulos atrelados à Selic. Esses papéis acompanham a taxa básica de juros, sendo uma opção menos volátil do que títulos com remuneração parcialmente ou integralmente prefixada, que sofrem variações de preço em resgates antecipados.

Em abril, os títulos flutuantes, atrelados à Selic, representaram 48,6% do estoque total da dívida, contra 47,7% um mês antes. Dados preliminares de maio mostram ainda que os títulos flutuantes tiveram participação relativa de 69,7% das novas emissões, contra 56% em abril.

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“É natural que os investidores demandem mais esse título para tirar o risco do mercado, se protegerem em relação ao movimento de volatilidade”, disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Helano Borges Dias.

O Plano Anual de Financiamento do Tesouro prevê que esse título responda neste ano por uma fatia de 46% a 50% do estoque, banda que Dias disse considerar “suficiente” para acomodar mais emissões, ponderando que ela pode ser alterada em setembro caso o Tesouro considere necessário.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicou nesta semana que a dependência do governo brasileiro de títulos atrelados à Selic na composição da dívida pode dificultar o trabalho da autarquia, já que elevações da Selic aumentam a renda dos detentores desses papéis e podem pressionar a inflação.

Dias reconheceu que esse é um dos fatores que poderia reduzir a potência da política monetária, junto com outros “vários elementos”, como o crédito direcionado, que obedece a regras do governo. Segundo ele, o Tesouro trabalha com a perspectiva de redução da parcela desses títulos no longo prazo.

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“A gente entende que o processo de consolidação fiscal é fundamental para que a gente caminhe nessa direção, a gente vem fazendo esse trabalho”, disse, argumentando que a própria curva de juros futuros indica que ainda há espaço para o BC cortar os juros básicos, hoje em 14,50% ao ano.

Colchão de liquidez em recuperação

A reserva de liquidez –colchão de recursos para gestão da dívida pública– se recuperou no mês, ao passar de R$ 885 bilhões em março para R$ 1,092 trilhão em abril, uma alta nominal de 23,3%. O valor é suficiente para quitar 8,91 meses de vencimentos de títulos, contra 5,69 registrados um mês antes.

Dias afirmou que o indicador dá conforto à gestão da dívida pública, com o Tesouro se preparando para uma torre relevante de vencimentos de títulos prevista para setembro. Depois, segundo ele, o último trimestre do ano será de alívio, com poucos vencimentos.

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Apesar da volatilidade, o Tesouro apontou que perspectivas de um acordo entre EUA e Irã no mês de abril reduziram a aversão ao risco ao longo do mês passado, com recuperação de mercados emergentes no período.

De acordo com as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma ligeira alta no mês passado, indo de 12,20% ao ano em março para 12,22% ao ano.

O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna também subiu, passando de 13,92% ao ano em março para 14,08% no mês passado.

Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,10 anos em março para 4,12 anos em abril.

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Em relação ao mês de maio, a secretaria disse que a incerteza sobre a resolução do conflito entre Estados Unidos e Irã, combinada à expectativa de juros reais mais elevados nos EUA, elevou a aversão ao risco, com impacto negativo sobre mercados emergentes e elevação nos juros futuros do Brasil.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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