Dólar engata queda pelo 6º dia consecutivo e fecha a R$ 4,99
O dólar à vista manteve o ritmo de perdas e fechou em queda pelo 6º dia consecutivo, no menor nível em dois anos. A expectativa de uma nova rodada de negociações de paz no Oriente Médio continuou no foco de atenções.
Nesta quarta-feira (15), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 4,9922, com queda de 0,03%.
O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,07%, aos 98,052 pontos.
Na véspera, o índice atingiu a mínima em seis semanas.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio seguiu em compasso de espera por novas negociações entre Estados Unidos e Irã para um cessar-fogo definitivo.
Pela manhã, uma autoridade iraniana disse à Reuters que o governo Trump não concordou formalmente com a extensão da ‘trégua’ nos combates.
“Há um engajamento contínuo entre EUA e Irã para chegar a um acordo”, afirmou a autoridade sênior à agência de notícias.
Na semana passada, os dois países firmaram um acordo de cessar-fogo por 15 dias.
Já no final da tarde, os EUA emitiram novas sanções relacionadas ao Irã e ao contraterrorismo, atingindo três pessoas, 17 entidades e nove embarcações, de acordo com um aviso publicado no site do Departamento do Tesouro norte-americano.
Um dos sancionados é Mohammad Hossein Shamkhani, filho de Ali Shamkhani, figura-chave na política de segurança e nuclear do Irã, morto em ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra Teerã em 28 de fevereiro.
“O Tesouro está agindo de forma agressiva com a Operação Fúria Econômica, visando elites do regime como a família Shamkhani, que tentam lucrar às custas do povo iraniano”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em comunicado.
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a ausência de um vetor direcional claro — combinada com ajuste de posições após a alta recente do real — manteve o câmbio com baixa oscilação no pregão de hoje.
Livro Bege
Em segundo plano, os investidores acompanharam o Livro Bege do Federal Reserve (Fed), mas com reação limitada no mercado.
“O Livro Bege reforçou um cenário de pressão inflacionária ainda presente, com destaque para a alta disseminada dos custos de energia e insumos, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, que vem encarecendo frete, combustíveis e cadeias industriais ligadas ao petróleo”, afirmou Bruno Shahini, da Nomad, em nota.
“O mercado de trabalho mostrou pouca mudança, com estabilidade na maioria dos distritos e sinais marginais de melhora na oferta de mão de obra. A leitura geral é de uma economia ainda resiliente, mas com pressões inflacionárias mais disseminadas, o que tende a reforçar a postura conservadora do Fed na condução da política de juros”, acrescentou.