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Dólar avança e fecha a R$ 5 com maior dissidência do Fed desde 1992 e à espera de Copom

29 abr 2026, 17:02 - atualizado em 29 abr 2026, 17:08
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(Imagem: REUTERS/Dado Ruvic)

O dólar à vista encerrou em alta, em dia marcado por decisões de política monetária nos EUA e no Brasil e apesar da forte valorização do petróleo no mercado internacional.

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Nesta quarta-feira (29), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0018, com avanço de 0,39%,



O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com ganho de 0,31%, aos 98,948 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

O mercado de câmbio concentrou as atenções nas decisões de política monetária.

Nos Estados Unidos, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros inalterados pela terceira vez consecutiva na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em uma decisão não unâmime. Stephen Miran foi o único voto dissidente, votando por um corte de 0,25 ponto percentual.

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Contudo, o que chamou a atenção do mercado foi a dissidência de outros três membros: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas sem sinalização de flexibilização monetária. Essa foi a maior dissidência desde 1992.

No comunicado, o Fomc afirmou que continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas e acrescentou que “estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos”.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, – que encerra mandato em maio – afirmou que permanecerá como membro do Conselho do BC norte-americano.

Já no Brasil, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) corte os juros em 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão será divulgada após o fechamento dos mercados.

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Mercado de trabalho brasileiro

Os dados macroeconômicos também movimentaram o câmbio. Entre eles, o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou a criação de 228.208 vagas formais de trabalho em março.

O resultado ficou acima da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 150.000 vagas.

Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o Caged ainda é reflexo ainda do período anterior aos dobramentos do conflito no Oriente Médio, cenário em que a economia brasileira passava por um choque positivo sobre atividade econômica decorrente da isenção de imposto de renda e da valorização do salário mínimo no começo do ano.

“Por mais que o dado tenha sido positivo, é importante ressaltar que a partir de então, com o prolongamento do conflito no Oriente Médio, e, consequentemente, aumento do preço do petróleo afetando a cadeia produtiva dos custos brasileiro e também com uma Selic terminal mais alta do que anteriormente projetada, deve impactar a atividade daqui para frente”, afirmou o economista.

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Ricciardi ainda destaca que o dado mostrou “alguma recuperação” do mercado de trabalho formal brasileiro. “Temos agora uma média móvel trimestral passando das 100 mil vagas, que é algo que a gente não observava desde agosto do ano passado.”

De olho na geopolítica

As tensões geopolíticas ficaram no radar, ainda que ofuscadas pelas decisões sobre juros.

No final da tarde de hoje, opresidente norte-americano, Donald Trump, disse que as negociações com o Irã estão sendo conduzidas por telefone.

No último fim de semana, Trump cancelou uma viagem no fim de semana para que negociadores dos Estados Unidos fossem ao Paquistão para falar com autoridades iranianas.

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O chefe da Casa Branca afirmou que discutiu um possível cessar-fogo na Ucrânia em uma ligação telefônica com o presidente russo, Vladimir Putin. “Tivemos uma boa conversa, eu o conheço há muito tempo”, disse Trump.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.

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