Dólar cai quase 1% e fecha a R$ 5,06 com ajuste pós-Fed e possível intervenção do Japão
O dólar à vista perdeu força com incertezas sobre a postura do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) em relação ao controle da inflação e rumores de uma nova intervenção do Japão no câmbio.
Nesta quinta-feira (30), o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,0611, com queda de 0,93%, na mínima intradia.
O dólar acompanhou o fortalecimento da divisa no exterior ao longo da sessão. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, caía 0,94%, aos 99.951 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
A decisão de juros nos Estados Unidos continuou a reverberar no mercado de câmbio.
Ontem, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva, em uma decisão com a maior dissidência entre os membros desde 2016.
Na coletiva de imprensa, Kevin Warsh reforçou que, caso a inflação não desacelere, o Fed poderá voltar a elevar os juros: “Não hesitaremos em agir”, disse ele. A postura dele, combinada com a ‘ausência de clareza no comunicado na visão segundo economistas, lançou dúvidas sobre a postura do Fed no combate à inflação.
O temor de uma postura mais leniente ganhou força com novos dados de inflação nos EUA. O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) recuou 0,1% em junho, em linha com as expectativas. No acumulado do ano, a inflação apontou para alta de 3,7% — acima da meta do Fed de 2%.
O Produto Interno Bruto também registrou um crescimento abaixo do esperado, de 1,5% no segundo trimestre, contra a expectativa de avanço de 2,1%, e reduziu a pressão sobre o Fed para novos aumentos de juros.
Além disso, suspeitas de uma nova intervenção do Japão no câmbio ajudaram a pressionar o dólar no mercado global. “A provável venda maciça de dólares pelo Japão para conter a queda do iene pressionou fortemente para baixo o índice DXY, gerando um efeito cascata de liquidez que beneficia diretamente as divisas de países emergentes”, avaliou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Para Chris Turner, diretor global de mercados do ING, “tudo indica que as autoridades japonesas aproveitaram um ambiente de dólar mais fraco para iniciar sua segunda campanha de intervenção cambial do ano”, avalia
Na visão do especialista, a iniciativa foi “bem calculada”. A estimativa do banco é de que essa nova intervenção do Japão no câmbio possa somar novamente cerca de US$ 70 bilhões ao longo de dois a três dias. Vale lembrar que elas venderam cerca de US$ 73 bilhões entre 30 de abril e 1º de maio.
O movimento, se confirmado, acontece um dia antes da decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês). O mercado espera uma manutenção dos juros em 1% ao ano, após a elevação de 0,25 ponto percentual no mês passado.
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