Dólar cai a R$ 5,14 com ‘ajuda’ da disparada dos preços do petróleo
O dólar à vista cedeu ante o real com a forte valorização do petróleo no mercado internacional em meio a nova escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã com o fim do cessar-fogo temporário.
Nesta quarta-feira (8), o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,1484, com queda de 0,09%.
O dólar ante o real no mercado à vista acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com leve queda de 0,03%, aos 100,989 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O cenário geopolítico voltou aos holofotes no mercado de câmbio com escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o memorando de entendimento assinado com o Irã para encerrar o conflito “acabou”, acrescentando que não deseja manter negociações com Teerã.
O acordo provisório de cessar-fogo firmado entre Washington e Teerã, com mediação do Paquistão, tinha como objetivo estabelecer um período de 60 dias para negociações de um acordo permanente.
No entanto, as conversas indiretas realizadas no Catar terminaram sem qualquer sinal de avanço, e as Forças Armadas dos Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã na terça-feira.
“Para mim, acho que acabou. Não quero negociar com eles”, declarou Trump antes de uma cúpula da Otan na capital turca, Ancara.
Ele, porém, disse que não acredita que um conflito em grande escala com o Irã venha a eclodir após os ataques militares dos dois lados. “Não acho que isso vá recomeçar. Acho que vai passar muito rápido. Eles atacaram alguns navios, e então nós os atacamos com muito mais força”.
Na véspera das declarações de Trump, os EUA revogaram a licença que permitia ao Irã vender petróleo, após três navios-tanque terem sido atingidos por projéteis no Estreito de Ormuz.
Em resposta, o país persa afirmou que fechará o Estreito de Ormuz e atacará “duas vezes mais” alvos inimigos caso os EUA faça novos ataques, segundo PressTV.
Em reação, os preços do petróleo dispararam em voltaram ao patamar próximo de US$ 80 o barril – o que beneficiou o real ante o dólar, já que o Brasil é um país exportador de commodities, entre eles, o petróleo. O contrato mais líquido do Brent, referência para o mercado internacional, encerrou as negociações com alta de 5,20%, a US$ 78,02 na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maiot patamar desde 22 de junho.
“A valorização ampla das commodities funciona como contraponto para o real, ao melhorar as condições de troca do país e ampliar a entrada de dólar pelo canal exportador, o que ajudou a conter parte do avanço do dólar”, avaliou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
De olho nos juros
Em segundo plano, os investidores acompanharam a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros inalterados pela quarta vez consecutiva em junho, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, na primeira decisão sob o comando de Kevin Warsh.
No documento, alguns dirigentes já enxergam espaço para um novo aperto monetário. “Alguns participantes comentaram que, à luz desses desdobramentos, havia argumentos para elevar a faixa-alvo da taxa dos Fed Funds”, destacou a ata.
A minuta ainda reforçou que a a inflação continua sendo a principal preocupação da autoridade monetária, enquanto a economia dos Estados Unidos segue resiliente.
Após a divulgação da ata, o mercado reduziu um pouco a probabilidade de manutenção dos juros na próxima decisão do Fomc, em agosto. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 69,5% de chance de o BC manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano contra 73,3% da véspera.
A probabilidade de uma elevação de 25 pontos-base no próximo mês subiu de 26,7% ontem para 30,5% hoje.
Para setembro, a aposta majoritária permaneceu de ajuste para cima dos juros, com 67,9% de probabilidade, ainda de acordo com a ferramenta FedWatch.
Por aqui, o mercado mantém a precificação de um novo corte na Selic de 25 pontos-base em agosto na curva de juros futuros, o reduziria a taxa básica de juros de 14,25% ao ano (hoje) para 14% ao ano.
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