Câmbio

Dólar abaixo de R$ 5 veio pra ficar? O que esperar da moeda norte-americana até o fim do ano, na visão do Itaú BBA

16 abr 2026, 8:22 - atualizado em 16 abr 2026, 8:22
dolar-real
(Foto: iStock.com/MicroStockHub)

O dólar caiu abaixo do piso de R$ 5 no início desta semana e parece ter ‘estacionado’. Na última quarta-feira (15), por exemplo, o dólar encerrou a R$ 4,9922, na menor cotação desde abril de 2024 – cravando uma sequência de três pregões abaixo de R$ 5.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em entrevista ao Money Times, Júlia Marasca, economista do Itaú BBA, avalia que o anúncio de cessar-fogo temporário no Oriente Médio e a expectativa de um acordo de paz definitivo entre Estados Unidos e Irã contribuiu para o enfraquecimento global do dólar.

Isso, segundo ela, abriu espaço para uma apreciação adicional do real, que já vinha apresentando desempenho resiliente mesmo em meio à escalada da aversão ao risco global e acima dos pares emergentes, atingindo o menor nível em dois anos.

Para Marasca, ainda não há sinais de apreciação excessiva do real. Segundo o modelo do Itaú BBA, o “valor justo” do dólar é de R$ 4,95 no mercado à vista.

Por que o real resistiu às tensões geopolíticas

O desempenho da moeda brasileira surpreendeu em meio à escalada das tensões geopolíticas, na visão da economista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mesmo em um cenário de risk-off, a moeda brasileira manteve-se em um patamar próximo ao pré-guerra e apresentou desempenho superior ao de seus pares emergentes. Desde o início do conflito até a última terça-feira (14), a moeda brasileira subiu 3,4% frente ao dólar e já acumula valorização de 9% no ano, segundo levantamento da Austin Rating.

Para Júlia Marasca, dois fatores explicam a performance do real ante o dólar: o Brasil ser um país exportador de petróleo e ter taxas de juros em nível bastante elevado.

“O aumento do preço do petróleo tende a elevar o saldo comercial e atrair fluxo de dólares para o país, enquanto economias mais dependentes de importação da commodity e de derivados sofrem mais”, afirmou a economista.

Segundo ela, a Selic na casa dos dois dígitos também continua oferecendo retorno atrativo para investidores estrangeiros. “O diferencial de juros funcionou como um buffer diante da volatilidade recente”, disse.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A taxa básica de juros brasileira está em 14,75% ao ano, enquanto os juros norte-americanos estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

A equipe econômica do Itaú, por sua vez, projeta a Selic em 13% ao ano em dezembro, e acredita que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) deve manter os juros inalterados até o final de 2026.

Fraqueza do dólar com dias contados

Na visão da economista do Itaú BBA, a performance do câmbio deve continuar à mercê dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Em um cenário de resolução do conflito que deixe os Estados Unidos relativamente enfraquecidos, o dólar poderia continuar perdendo força, abrindo espaço para uma apreciação adicional do real.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por outro lado, uma nova escalada das tensões tende a reverter esse movimento.

“Se o conflito voltar a escalar, o ambiente de aversão ao risco predomina e todas as moedas acabam sofrendo”, afirmou.

No cenário doméstico, o principal fator de risco é a eleição presidencial em outubro. Historicamente, períodos eleitorais elevam o prêmio de risco e aumentam a volatilidade dos ativos brasileiros — o que deve se repetir em 2026.

“A eleição deve ser apertada, o que tende a pressionar o câmbio”, disse.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O cenário fiscal também entra na conta. “Para entrar em um ciclo virtuoso de apreciação [do real], é preciso ter expectativa de ajuste fiscal, independentemente de quem ganhar a eleição”, afirmou a economista.

Nas contas de Marasca, o dólar deve encerrar o ano em torno de R$ 5,40, refletindo a combinação de um diferencial de juros menor entre Brasil e EUA e maior prêmio de risco devido às eleições.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar