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Dólar salta mais de 1% e supera R$ 5 com piora externa e ‘risco Flávio’

15 maio 2026, 11:51 - atualizado em 15 maio 2026, 11:59
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(Foto: iStock.com/MicroStockHub)

A aversão a risco externa e o cenário político se sobrepõem à forte valorização do petróleo, com o barril do Brent próximo a US$ 100, e o dólar à vista ganha força ante o real na manhã desta sexta-feira (15).

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Por volta de 11h30 (horário de Brasília), o dólar operava a R$ 5,0511, com alta de 1,30%, no mercado à vista. Mais cedo, a moeda chegou a ser cotada a R$ 5,0761 (+1,80%), no maior nível intradia em quase um mês.



O fortalecimento do dólar ante a moeda brasileira acompanha o desempenho da divisa no exterior. No mesmo horário, o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com ganho de 0,21%, aos 98.505 pontos.

“O pregão começou claramente em modo de risk-off, com pressão generalizada sobre ativos de risco”, explicou Bruno Shahini, especialista de investimentos da Noma. Em cenários de maior aversão a risco, os investidores tendem a procurar ativos de segurança, como o dólar norte-americano.

Esse movimento foi desencadeado pela frustração com a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China. O mercado esperava avanços concretos nas negociações de paz no Oriente Médio com apoio de Pequim, importante aliado e maior comprador de petróleo do Irã – o que não aconteceu.

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Com a manutenção do impasse para um cessar-fogo entre Washington e Teerã, os preços do petróleo operam em forte alta, com o barril do Brent próximo a US$ 100 – reforçando o temor de impactos inflacionários decorrentes dos preços de energia nas principais economias do mundo e aumenta a expectativa de juros elevados por mais tempo.

“Mais uma alta nos preços do petróleo está permitindo que o dólar se beneficie dos dados recentes de tom hawkish e da consequente reprecificação das apostas de alta de juros pelo Fed”, afirmou o estrategista do ING, Francesco Pesole, em relatório diário.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os traders já veem chance de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) em janeiro de 2027, após dados de inflação ao consumidor e ao produtor mais altos do que o esperado para abril e nos maiores níveis desde 2023 e 2022, respectivamente.

“Os mercados não ouviram o suficiente de Pequim para ficarem mais otimistas em relação ao Golfo, e os dados fortes dos EUA agora estão aumentando a confiança em uma alta de juros pelo Fed”, acrescentou Pesole, do ING.

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A valorização do petróleo, por sua vez, tende a beneficiar o real, já que o Brasil é um país exportador de commodities. Mas a percepção de piora do risco doméstico com foco no cenário político eleva a cautela local.

Desde a última quarta-feira (13), com o vazamento de um áudio do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro – –os investidores passaram a “exigir” prêmios mais altos nos ativos locais.

Segundo a reportagem do Intercept Brasil, a troca de mensagens entre o pré-candidato à Presidência e Vorcaro indicam a existência de uma negociação em que o dono do Master se comprometeu a repassar um total de US$ 24 milhões – equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época – para financiar o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estados.

Para analistas do mercado, a possível ligação de Flávio com Vorcaro coloca em xeque a candidatura do senador à Presidência nas eleições de outubro – apontando como principal candidato da direita.

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A expectativa agora é acompanhar as próximas pesquisas de intenção de voto para mensurar os impactos na opinião pública e a possibilidade de uma candidatura oficial de Flávio à disputa pelo Palácio do Planalto em outubro.

Datafolha deve sair entre hoje e amanhã, mas o levantamento ainda não deve trazer um panorama concreto do reflexo sobre a eventual candidatura de Flávio, já que a pesquisa de campo foi iniciada antes do vazamento do áudio.

O estresse doméstico também ‘contamina’ a curva de juros futuros, com as taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) operando acima de 14% – com destaque para os vértices de longo prazo nas máximas do ano.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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