Oncoclinicas (ONCO3) vê prejuízo saltar 234%, para R$ 475 milhões; empresa tem ajustes contábeis ‘significativos’
A Oncoclinicas (ONCO3), que passa por momento delicado na Bolsa, viu os seus números pioraram no segundo trimestre de 2025, com prejuízo de R$ 475,7 milhões, alta de 234% em relação ao mesmo período do ano passado, quando reportou prejuízo de R$ 142 milhões, mostra documento enviado ao mercado nesta sexta-feira (15).
A empresa também registrou prejuízo de R$ 275 milhões quando se considera o resultado com itens não recorrentes, ante os R$ 62 milhões do ano passado. Em agosto, a Justiça deu ‘ok’ para a companhia seguir com sua recuperação extrajudicial.
Ao todo, a Oncoclínicas busca o reperfilamento de dívidas financeiras quirografárias de aproximadamente R$ 5,1 bilhões, além de créditos intercompany.
Por outro lado, a companhia conseguiu terminar o trimestre com Ebitda, que mede o resultado operacional, ajustado positivo em R$ 34,2 milhões, alta de 170% contra o primeiro trimestre, com margem de 3,3%, mas queda de 85,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo a Oncoclínicas, o número foi ajudado pela desalavancagem operacional do período, ocasionada pelo menor volume de atendimentos e, consequentemente, por uma menor receita, enquanto as despesas fixas permaneceram elevadas.
A receita líquida, por sua vez, atingiu R$ 1,0477 bilhão, queda de 28,5%, em uma “dinâmica relacionada ao volume de provisões de PCLD durante o trimestre”.
A empresa diminuiu ainda o número de procedimentos, que atingiu um total de aproximadamente 114 mil no segundo trimestre, marcando uma redução em relação aos períodos anteriores.
O ticket médio cobrado dos pacientes cresceu 9,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, resultado do repasse da inflação.
As despesas operacionais subiram 30%, para R$ 513 milhões.
Ajustes contábeis da Oncoclinicas
A empresa informou ainda que reconheceu alguns ajustes contábeis que impactaram “significativamente” o resultado.
Entre eles, está um impacto não recorrente de anos passados, que gerou um efeito de aproximadamente R$ 72 milhões no trimestre.
As despesas operacionais foram impactadas pelo reconhecimento de:
- R$ 30,5 milhões de provisionamento de risco de perda de crédito relacionado à Unimed Leste Fluminense;
- R$ 78 milhões de impairment do BTS de Goiânia; e
- R$ 76 milhões de multa pela rescisão do contrato de locação do imóvel do Centro Paulista de Oncologia, na Avenida Angélica, em São Paulo.
Como a Oncoclínicas chegou a esse ponto?
A situação atual da Oncoclínicas é resultado de uma sucessão de eventos, sendo o principal deles a tentativa de expansão da companhia após sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) em 2021.
Isso porque a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, expandiu o foco de clínicas que realizavam diagnóstico e tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.