Entre recordes e dúvidas: por que as ações da Movida (MOVI3) caem após o balanço
Apesar dos números recordes apresentados pela Movida (MOVI3) no segundo trimestre de 2026 (2T26), o mercado reage com cautela ao balanço.
As ações da locadora operavam em queda por volta das 12h desta terça-feira (11), refletindo a avaliação de que, embora os resultados operacionais tenham sido sólidos, alguns pontos do relatório ainda levantam dúvidas sobre a trajetória da companhia.
A Movida reportou lucro líquido de R$ 136 milhões no período, alta de 101% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e acima das projeções médias do mercado, que apontavam para cerca de R$ 127 milhões.
A companhia também registrou receita líquida recorde de R$ 3,77 bilhões e Ebitda histórico de R$ 1,69 bilhão.
Na leitura dos analistas, o trimestre confirmou a recuperação operacional da empresa. O Citi classificou o resultado como “marginalmente positivo”, destacando o forte desempenho dos negócios de locação, a estabilidade nas margens da operação de seminovos e dos níveis de depreciação da frota.
O banco também destacou que a companhia parece estar relativamente mais protegida da concorrência dos veículos chineses do que seus pares, graças ao foco em automóveis de entrada e à estratégia de revenda.
O Itaú BBA seguiu linha semelhante, afirmando que a empresa continua executando bem sua estratégia mesmo em um ambiente mais competitivo.
Para os analistas, o crescimento robusto na divisão de aluguel de carros (RAC), a expansão das margens e a estabilidade dos indicadores operacionais sustentam a tese de recuperação da companhia.
O Bank of America também destacou a qualidade do resultado, classificando-o como um “earnings beat” limpo, impulsionado pelos negócios de locação. Segundo o banco, este foi o segundo trimestre consecutivo em que a superação das expectativas foi explicada exclusivamente pela melhora operacional, sem efeitos extraordinários.
O que pesou no balanço da Movida
Ainda assim, alguns pontos impediram uma reação mais positiva das ações.
O principal deles foi o consumo de caixa. O Citi chamou atenção para a queima de fluxo de caixa livre de R$ 656 milhões no trimestre, resultado bem inferior à expectativa de geração positiva de caixa.
O desempenho refletiu principalmente um volume de investimentos em frota superior ao projetado, à medida que a companhia ampliou a aquisição de veículos para atender à demanda e se preparar para a sazonalidade mais forte do terceiro trimestre.
Outro aspecto que gerou cautela foi o crescimento acelerado da frota. A Movida encerrou o trimestre com 286 mil veículos, avanço de 7% sobre os três meses anteriores.
Para o Bank of America, o movimento pode não ser bem recebido pelos investidores, já que contrasta com o discurso adotado pela administração no início do ano, quando a prioridade declarada era rentabilidade e eficiência, com crescimento mais moderado da frota.
A operação de seminovos também permanece no radar. Embora as margens tenham se mantido estáveis, o volume de veículos vendidos ficou abaixo do considerado normalizado por parte dos analistas.
O Bank of America avalia que a menor velocidade de desmobilização da frota pode elevar a idade média dos carros e pressionar a depreciação no futuro. Além disso, o avanço das montadoras chinesas segue sendo apontado como um risco potencial para os preços de revenda dos veículos usados.
A orientação da companhia para o terceiro trimestre também teve impacto limitado. A Movida projetou lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões no período, faixa considerada próxima das estimativas já embutidas pelo mercado.
Tanto Citi quanto Itaú BBA ressaltaram que o guidance sugere pouca margem para revisões expressivas das projeções de consenso.
Assim, apesar dos recordes operacionais e da melhora consistente nos indicadores de rentabilidade, a queda das ações nesta terça-feira indica que os investidores seguem atentos à geração de caixa, ao ritmo de expansão da frota e aos riscos associados ao mercado de seminovos.
Ainda assim, as principais casas de análise mantiveram recomendação positiva para os papéis, apostando que a companhia continuará entregando crescimento de lucros e ganhos de eficiência nos próximos trimestres.