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EscolaCripto: qual é a relação do bitcoin e do dólar com a lavagem de dinheiro?

21/11/2020 - 11:00
Em artigo exclusivo para o Crypto Times, EscolaCripto explica por que o bitcoin não é o vilão da história quando o assunto são atividades ilegais (Imagem: Unsplash/@bermixstudio)

Geralmente, grandes players do mercado financeiro tradicional contrários ao bitcoin fazem todo o tipo de afirmações negativas contra o ativo.

A intenção por trás desses atos é tentar convencer o público em geral é algo ruim, apresentando o lado “nocivo” dos criptoativos (diminuindo sua popularidade) e associando-os, sempre que podem, a práticas ilegais.

É fato que, nos primeiros anos de vida e com uma capitalização de mercado ainda muito pequena, o bitcoin era associado ao Silk Road — mercado da deep web era usado para comércio ilegal on-line, que deu origem a tantos outros.

Vindo de um crescimento constante e orgânico ao longos dos anos, o bitcoin passou a ser adotado em mercados mais convencionais e, atualmente, há evidências empíricas da diminuição da sua utilização por parte de criminosos em todo o mundo. 

Ao contrário do que se imagina, utilizar o bitcoin para atividades ilícitas é bem mais difícil do que uma moeda fiduciária. Uma moeda, cujas transações são transparentes, imutáveis e registradas publicamente em livro-razão público, faz dela uma opção menos interessante para os criminosos. 

Por outro lado, as características inerentes da rede Bitcoin fazem com que o trabalho das autoridades de cada país em rastrear transações com finalidades ilícitas seja exponencialmente facilitado.

O bitcoin não é tão utilizado em crimes como dizem as más línguas; dados comprovam que o mercado tradicional é o grande responsável pela lavagem de dinheiro (Imagem: Pixabay/AaronJOlson)

No sistema bancário tradicional, existem mais meios de se praticar condutas antiéticas, como transações fraudulentas ligadas à lavagem de dinheiro e ao narcotráfico, por exemplo. 

Enquanto o bitcoin é descentralizado, o sistema financeiro é apoiado por grandes instituições que, muitas vezes, acobertam fraudes.

Um exemplo mais recente disso, envolvendo grandes instituições financeiras mundiais, é o caso conhecido como “FinCEN Files”, que veio à tona no mês de setembro deste ano.

Os registros da Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN) mostram que cinco bancos globais — JPMorgan, HSBC, Standard Chartered Bank, Deutsche Bank e Bank of New York Mellon — continuaram lucrando com dinheiro proveniente de práticas ilegais, mesmo após terem sido alertados.

Foram identificados mais de US$ 2 trilhões em transações entre 1999 e 2017, as quais foram sinalizadas pelos responsáveis ​​internos de conformidade das instituições financeiras como uma possível lavagem de dinheiro ou outra atividade criminosa.

Os dois principais bancos são o Deutsche Bank AG, que revelou US$ 1,3 trilhão em dinheiro suspeito nos arquivos, e o JPMorgan Chase & Co., que revelou US$ 514 bilhões, segundo a análise.

Outro caso de uma grande instituição financeira envolvida em escândalos do gênero é o do Danske Bank, o maior banco da Dinamarca, cuja subsidiária estoniana lavou mais de € 200 bilhões.

Esse é mais um caso de cumplicidade das autoridades com a lavagem de dinheiro e atividades ilícitas envolvendo o dólar americano.

Lavagem de dinheiro — o ato de tentar esconder a origem ilícita de um recurso — é uma preocupação mundial. Essa prática torna possível vários outros crimes, como o tráfico de drogas, o financiamento ao terrorismo, entre outros e, por isso, é uma questão legítima. 

Uma das coisas mais importantes para um criminoso que está planejando uma forma de lucrar com seu ato é encontrar uma forma de “lavar” esse dinheiro.

O criminoso pega esse dinheiro sujo (geralmente proveniente de crimes, como tráfico de drogas ou corrupção) e o coloca em circulação na economia, sem que seja descoberto.

Normalmente, fazem através de “laranjas”, em uma conta de banco renomado ou em algum outro tipo de negócio onde não estará vinculado ao crime. 

A prática de lavagem de dinheiro tem três fases e possui a seguinte ordem:

– colocação: é onde o dinheiro é colocado na economia formal através de empresas, por exemplo;

– ocultação: nessa fase, os criminosos buscam transacionar os recursos de uma forma que dificulte o rastreamento, como, por exemplo, movimentando o dinheiro em diversas contas;

– integração: é a fase onde o dinheiro já está inserido na economia, com aparência lícita. 

O Departamento de Drogas e Crimes das Nações Unidas (UNODC) estima que mais de US$ 2 trilhões são utilizados anualmente em atividades ilícitas.

Além disso, segundo autoridades do Departamento do Tesouro dos EUA, a moeda mais utilizada por bandidos, para atividades ilícitas dessa natureza, é o bom e velho dólar americano, por meio dos serviços financeiros tradicionais.

Atualmente, a oferta monetária global em circulação é de quase US$ 90 trilhões, ou seja, em média quase 2% desse total são utilizados para atividades ilícitas todo o ano. 

Contudo, trata-se apenas de uma estimativa, pois o número pode ser maior se levarmos em consideração outras atividades praticadas de forma ilegal.

É de suma importância destacar isso, pois é muito fácil para alguém, que ouve a respeito do bitcoin, ligar o tema a atividades ilegais, principalmente devido às suas características que conferem anonimato, sem barreiras e velocidade de uma transação.

Porém, a realidade é diferente, e dados demonstram que uma minoria do volume negociado em criptoativos é utilizada para práticas ilícitas.

Cartões de crédito, bancos on-line, transferências eletrônicas e transações em dinheiro foram e continuam sendo usados para o crime. 

O relatório anual da Chainalysis, chamado de “Crypto Crime Report”, fornece uma análise abrangente do uso de bitcoins e criptomoedas para atividades ilícitas.

De acordo com o relatório, em 2019, houve mais de US$ 1 trilhão em transações de criptomoedas e apenas 1% delas envolvia alguma prática ilícita.

As exchanges são os destinos mais comuns para os quais os criminosos enviaram bitcoins relacionados a atividades ilícitas.  

Binance e Huobi lideram a lista de exchanges que recebem transações ilícitas.

Elliptic, empresa do Reino Unido que fornece ferramentas de análise de blockchain, também constatou que, nos últimos anos, menos de 1% das transações envolvendo criptomoedas era de fontes ilícitas. Esse número era de 35% em 2012.

O gráfico abaixo mostra quais crimes ocupam a maior parte das transações relacionadas a criptomoedas desde 2017. Em 2019, os “scams” eram a grande maioria.

Diferentes meios de transferência real de valor trazem novos riscos e novas formas de se efetuar transações ilícitas quando são apresentados ao público.

Eles tendem a ser contidos quando mecanismos são criados para mitigar o uso por criminosos, porém é muito difícil eliminar totalmente esse tipo prática. 

A dark net continuará existindo, com métodos cada vez mais sofisticados em sua infraestrutura para tentar manter suas atividades, de maneira que fique cada vez mais difícil de serem rastreadas e, assim, conseguir fugir das leis.

O bitcoin é uma moeda e, como tal, é utilizada tanto para fins lícitos e ilícitos — desde a compra de um simples serviço como a compra de drogas e outros crimes.

Porém, claramente, os boatos feitos por pessoas com interesse em derrubar a popularidade do BTC são como uma cortina de fumaça e, como vimos, não passam pelo teste das análises dos fatos. E sabemos que, contra fatos, não há argumentos. 

O processo evolutivo do Bitcoin e dos criptoativos vem melhorando a cada dia, tornando-os mais seguros para todos os usuários e participantes desse belo “ecossistema”. 

“Lutar e vencer todas as batalhas não é a glória suprema. A glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar.” (Sun Tzu)

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 20/11/2020 - 14:59