Renda Fixa

Especialista da Nomad vê janela atrativa para investir em renda fixa nos EUA e indica onde estão as oportunidades

25 maio 2026, 9:00 - atualizado em 22 maio 2026, 16:48
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(Imagem: Canva Pro)

Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos voltaram ao centro das atenções dos investidores globais após uma forte abertura das taxas nas últimas semanas. Em meio ao aumento das preocupações com inflação persistente e juros elevados por mais tempo, os rendimentos dos chamados Treasury Bonds dispararam, levando os papéis longos aos maiores níveis em quase duas décadas.

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O Treasury de 30 anos chegou a pagar 5,19%, maior patamar desde 2007, enquanto o Treasury de 10 anos, referência global para crédito, hipotecas e ativos de risco, avançou para 4,68%, maior nível desde janeiro deste ano.

Os yields dos Treasuries se movem de forma inversa aos preços dos títulos. Na prática, a alta das taxas indica uma forte venda de bonds americanos diante da percepção de que a inflação pode permanecer elevada por mais tempo e dificultar futuros cortes de juros pelo Federal Reserve.

A pressão ganhou força após a recente disparada do petróleo, em meio às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. O mercado teme que os custos mais altos de energia contaminem os índices globais de inflação, pressionando desde combustíveis até cadeias produtivas e preços ao consumidor.

Abre-se uma porta

Para a Nomad, o movimento acabou criando uma janela atrativa para investidores em renda fixa americana, principalmente nos títulos intermediários. Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a companhia tem adotado uma postura mais defensiva nas carteiras globais e ampliado a exposição diante do ambiente de maior volatilidade.

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“Agora as taxas estão muito altas e a renda fixa americana tem essa característica de ser prefixada. Então, investir para travar essa taxa elevada historicamente é uma estratégia deque a gente gosta como proteção de parte da carteira”, afirmou ao Money Times.

A preferência da casa está concentrada em títulos com duration entre cinco e sete anos, evitando vencimentos muito longos devido à forte oscilação da curva americana.

“Não alongamos muito o prazo da recomendação porque os títulos de 10 ou 20 anos ainda sofrem bastante volatilidade”, disse a executiva.

O movimento acontece em um momento em que o mercado passou a revisar as expectativas para a política monetária americana. Dados recentes de inflação acima do esperado e a pressão nos preços de energia elevaram as apostas de manutenção dos juros elevados por mais tempo.

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O CME FedWatch mostra que o mercado descarta cortes na próxima reunião do Fed e já começa a precificar até mesmo novas altas em outubro deste ano.

A curva de juros americana também voltou a subir nas últimas semanas. Segundo relatório da Nomad, os Treasuries de diferentes vencimentos passaram por um deslocamento para cima, pressionando os preços dos títulos mais longos.

Nesse ambiente, os ETFs de curto prazo têm apresentado desempenho mais resiliente que os papéis longos. O relatório destaca que produtos atrelados a Treasuries longos sofreram mais com a volatilidade recente, enquanto fundos de curtíssimo prazo mantiveram retornos positivos.

A estratégia conservadora da Nomad atualmente mantém 100% da exposição em renda fixa americana de curto prazo. Já os portfólios moderados e sofisticados combinam Treasuries curtos com crédito corporativo investment grade e high yield.

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Entre os instrumentos acompanhados pela casa estão ETFs como SGOV, SHV e BIL, focados em Treasuries de curtíssimo prazo, além de produtos de crédito privado, como LQD, VCIT e HYG.

TIPS surgem como alternativa

Outro segmento que passou a ganhar destaque na visão da Nomad são os TIPS, títulos do Tesouro americano protegidos contra a inflação, equivalentes ao Tesouro IPCA+ brasileiro.

Segundo o próprio TreasuryDirect, os TIPS têm o principal corrigido pela inflação medida pelo CPI, índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos. Os juros pagos são prefixados, mas incidem sobre um valor ajustado diariamente pela inflação, o que aumenta tanto o principal quanto os cupons em períodos inflacionários.

Na prática, o instrumento funciona como uma proteção direta contra a perda de poder de compra em dólar. “É um instrumento pouco falado, mas que voltou a ganhar muita procura porque protege o investidor justamente em um cenário de inflação mais pressionada”, afirmou a estrategista.

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Segundo Zogbi, a classe passou a registrar demanda crescente em 2026 justamente porque o mercado revisou para cima as expectativas inflacionárias, ao mesmo tempo em que os juros americanos permanecem elevados.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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