Estados americanos podem entrar com ação judicial na próxima semana para impedir acordo entre Paramount e Warner Bros., dizem fontes
Estados norte-americanos preocupados que a Paramount, ao adquirir a Warner Bros. Discovery por US$ 110 bilhões, prejudique a concorrência, podem entrar com uma ação para bloquear o acordo já na próxima semana, disseram à Reuters duas fontes familiarizadas com o assunto.
As fontes não especificaram o tipo de concorrência que preocupava os estados. Mas grupos de defesa do consumidor e alguns órgãos reguladores estaduais alertaram que os preços das assinaturas das plataformas de streaming podem subir e que as empresas resultantes da fusão podem demitir funcionários e oferecer uma gama mais restrita de filmes, notícias e outros conteúdos.
Caso o acordo seja adiado devido a contestações judiciais, os custos poderão aumentar para a Paramount, que já deverá acumular uma dívida de cerca de US$ 80 bilhões após a conclusão da transação.
O presidente-executivo da Paramount, David Ellison, concordou em pagar aos acionistas da Warner Bros. Discovery uma “taxa de acompanhamento” de 25 centavos por ação, o que equivale a cerca de US$ 650 milhões em dinheiro a cada trimestre, caso o negócio não seja concluído antes de outubro.
No início de junho, a Reuters noticiou que Califórnia, Nova York e outros estados norte-americanos estavam preparando uma ação judicial, visto que as autoridades estaduais pretendem intensificar a fiscalização de grandes fusões e aquisições, à medida que as autoridades federais antitruste adotam uma postura mais favorável aos negócios.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, assumiu a liderança na investigação sobre se o acordo viola as leis americanas contra fusões que possam prejudicar ilegalmente a concorrência.
Um porta-voz do gabinete de Bonta recusou-se a comentar. Um porta-voz da Paramount não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
Investigação no Oregon
De acordo com o gabinete do procurador-geral do Oregon, a Paramount informou que não concluirá a aquisição da Warner Bros antes de 22 de julho, o que adiaria o prazo para a conclusão do negócio por mais uma semana.
O gabinete do procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, disse que solicitaria a um tribunal do condado de Multnomah que ordene à empresa a entrega de documentos e adie a conclusão do negócio por 60 dias, para que o Estado possa analisá-los.
A Paramount já havia informado ao Oregon que não concluiria a transação antes de 16 de julho, informou o gabinete de Rayfield. Em uma audiência preliminar sobre o pedido do estado, a empresa alterou esse prazo, informou o gabinete.