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“Estamos animados em trabalhar com os órgãos regulamentadores”, diz CTO da Tether

19 jan 2022, 15:01 - atualizado em 20 jan 2022, 22:40

O ano de 2022 é apontado por diversos analistas do mercado  como “o ano da regulamentação” em relação aos criptoativos.

Atualmente, os órgãos regulatórios mostram uma atenção maior nas stablecoins e no setor de finanças descentralizadas.

Entre diversas criptomoedas que são lastreadas em ativos do mundo físico, a Tether (USDT) é a que mais vem levantando questionamentos e preocupações, muito pelo seu tamanho de mercado.

As stablecoins são usadas para diferentes operações em corretoras descentralizadas — como empréstimos, swap, opções e tradings, alavancadas ou não.

Entretanto, a capitalização de mercado da Tether de mais de R$ 78 bilhões — e a aplicabilidade em uma variedade de redes de contratos inteligentes — já levantou uma série de dúvidas sobre a forma em que é lastreada.

Quando somado com a maior atenção de órgãos regulatórios esse ano, a preocupação aumenta entre os investidores.

Mas segundo Paolo Ardoino, CTO da empresa Tether, não há motivos para se preocupar.

Na realidade, segundo ele, estão “animados em trabalhar com os órgãos regulamentadores globais.”

Confira abaixo entrevista feita pelo Crypto Times:

Crypto Times – Conta para a gente um pouco sobre a Tether.

Paolo Ardoino, CTO da Tether – A Tether criou todo o mercado das stablecoins ​​até o ano de 2014.

E para as pessoas que ainda não conheciam o mercado de criptomoedas em 2014, ele era bastante novo e também sem regulamentações, não apenas para stablecoins, ​​porque não existiam, Tether foi a primeira, mas não havia regulamentação para cripto em geral.

A Tether nasceu em um momento em que não havia regulamentações e nasceu em uma situação em que a equipe teve que dar um jeito usando escritórios de advocacia em todo o mundo sobre como projetar adequadamente um produto para um mercado que não existia.

Com isso, criamos uma indústria massiva que agora vale mais de US$ 150 bilhões. E tudo isso do zero. 

Crypto Times – E quais são as suas perspectivas sobre a regulamentação das stablecoins ​​neste ano?

Continuando a nossa história, o ano de 2021 foi o primeiro ano em que os reguladores começaram a levar as stablecoins mais a sério. Porque o crescimento delas no começo daquele ano até o final dele foi assustador.

Então, não foi surpresa que os reguladores finalmente começaram a levar o que fazemos a sério.

Não existe somente a Tether, mas também outras stablecoins. Nos tornamos uma indústria verdadeiramente complexa.

[A regulamentação] É importante, e estamos muito felizes em ver que os reguladores estão tentando entender como todo esse mercado funciona para formular leis globais adequadas para o nosso crescimento contínuo. 

Crypto Times – Como foi trabalhar tantos anos com a incerteza do que poderia ou não ser feito? E quando a regulamentação deve acontecer?

De fato, nós trabalhamos por anos com a incerteza do que poderíamos fazer ou não.

Sempre tivemos que perguntar para tantos especialistas jurídicos ao redor do mundo, e sempre tivemos uma boa relação com reguladores de forma que perguntávamos diversas vezes suas opiniões. Mas é muito melhor se, em vez disso, tivéssemos normas claras.

Acreditamos que em 2022 e provavelmente no começo de 2023 já teremos algum tipo de regulamentação. 

Crypto Times – Mas como você acha que serão essas regulamentações? Como a Tether está se preparando para isso?

Paolo Ardoino, CTO da Tether – A Tether tem um histórico de colaboração com reguladores, então estamos prontos para compartilhar informações com eles e aumentar nosso nível de transparência. Estamos animados em trabalhar com os órgãos regulamentadores globais.

Também temos um histórico de transparência. No começo de 2021, apenas para exemplificar, começamos a produzir relatórios trimestrais. E eles são um meio de mostrar que todos os tokens da Tether são 100% garantidos por nós.

Não somente isso. Também fomos além e começamos a produzir pesquisas de detalhamento.

Esse foi o primeiro momento em que qualquer stablecoin mostrou o que eram as suas propriedades, o que tinham em seu portfólio. Nenhuma outra companhia estava fazendo isso. Depois que começamos, todos seguiram.

Também recebemos perguntas a respeito de certas partes de nosso portfólio e continuamos a ir além, compartilhando as classificações de todos os produtos que temos nele. Como, por exemplo, os papéis comerciais. A nossa classificação, para eles, é uma das melhores.

Isso mostra para nossos clientes que o que realmente importa é que nós estamos sendo transparentes e que nosso portfólio é extremamente líquido e extremamente sólido devido às classificações.

É claro que isso é uma indústria em crescimento. Ainda não existem normas, então nós iremos nos adaptar a uma indústria nova — e que nós criamos.

Crypto Times – Como exatamente esse lastro não-fiduciário é calculado e implementado no blockchain? E como a Tether funciona, exatamente?

Paolo Ardoino, CTO da Tether – Imaginemos a seguinte situação: o usuário quer adquirir mil dólares em Tether, diretamente da empresa, então ele irá mandar a quantia para a conta bancária da companhia, e, obviamente, iremos analisar  a transação.

Depois disso, mandaremos mil tokens de Tether (USDT) para o endereço específico do usuário. Pela transação, será descontada uma pequena taxa de 10 pontos bases (0,01%).

Aí, o usuário da Tether pode usar esse valor e depositar em corretoras, usar em finanças descentralizadas, entre outras coisas.

Em algum momento, o usuário quer seu dinheiro fiduciário de volta.

Assim, ele pode ir ao site da Tether novamente e depositar seus mil dólares em tokens, vamos checar se os tokens chegaram corretamente ao endereço e depois mandar de volta os mil dólares para o usuário. Esse é basicamente o jeito que as transações acontecem.

Crypto Times – E por que a Tether é atraente para o usuário?

O usuário do Tether quer comprá-lo porque quer investir em Bitcoin, em cripto, e somos uma solução fiduciária. Foi assim que grande parte do crescimento da Tether aconteceu.

Nossos maiores clientes são OTCs (mercado de balcões), corretoras descentralizadas e grandes corretoras.

Os clientes deles, ou seja, os clientes dos nossos clientes, são institucionais, bancos, empresas privadas que possuem bastante capital, e querem entrar no mercado cripto. 

Crypto Times – Agora me explica, por favor, como a Tether faz a gestão de suas reservas.

Fazemos nossas reservas com uma estratégia conservadora de portfólio. Existe um time de pesquisas que avalia como precificar e alocar o capital, e só depois o alocamos. 

Agora, por exemplo, estamos trocando, e saindo de uma maior quantidade de papéis comerciais para uma maioria em tesouro direto americano. Isso também foi um desejo da nossa comunidade. 

Mas, mesmo apenas os papéis comerciais têm riscos, e a precificação do portfólio como tesouro direto, dinheiro e papéis comerciais, é precificado em um banco de dados. Para isso, levamos em conta diferentes fatores, indo desde a liquidez no mercado geral até a oferta e a procura.

Então, nós identificamos esse preço e levamos a sério a tese de uma exposição a diferentes setores. Nós diversificamos, não colocamos tudo somente em um setor.

Nosso time de pesquisa em gestão faz um excelente trabalho para garantir que todo a Tether e o nosso portfólio inteiro seja o mais líquido e seguro possível.

A Tether é mais que 100% lastreada: nunca recusamos um saque. Estamos, na verdade, ensinando nossos concorrentes a como fazer isso de um jeito profissional.

A pessoa responsável por gerenciar as reservas da Tether está vindo da indústria financeira tradicional e tem décadas de experiência no setor, e, para nós, estamos fazendo um ótimo trabalho.

Repórter do Crypto Times
Jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Repórter do Crypto Times, e autor do livro "2020: O Ano que Não Aconteceu". Escreve sobre criptoativos, tokenização, Web3 e blockchain, além de matérias na editoria de tecnologia, como inteligência artificial, Real Digital e temas semelhantes. Já cobriu eventos como Consensus, LabitConf, Criptorama e Satsconference.
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Jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Repórter do Crypto Times, e autor do livro "2020: O Ano que Não Aconteceu". Escreve sobre criptoativos, tokenização, Web3 e blockchain, além de matérias na editoria de tecnologia, como inteligência artificial, Real Digital e temas semelhantes. Já cobriu eventos como Consensus, LabitConf, Criptorama e Satsconference.
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