Alta do IPCA no Focus aumenta cautela às vésperas do Copom; analista da Perspective comenta no Giro do Mercado
O mercado iniciou a semana em tom de cautela, com investidores atentos a uma piora nas expectativas de inflação e à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (29), em meio às incertezas no cenário político e externo.
No Giro do Mercado desta segunda-feira (27), o analista Hugo Otani, sócio da Perspective, destacou em entrevista à jornalista Giovana Leal que o Boletim Focus voltou mostrar uma pressão das expectativas. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 4,80% para 4,86%, acima do teto da meta, enquanto as estimativas para 2027 também avançaram.
A piora nas expectativas aumenta a atenção sobre o Copom. A aposta do mercado é majoritariamente de corte de 0,25 ponto percentual, com cerca de 85% de probabilidade, mas o foco segue no comunicado do Banco Central e nos próximos passos da política monetária.
Na política, pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrou Lula com 41% no primeiro turno, à frente de Flávio Bolsonaro (36%), Zema (4%) e Caiado (3%). No segundo turno, há empate técnico com Flávio (46% a 45%).
Apesar disso, Otani avalia que o mercado ainda não precifica de forma relevante o cenário eleitoral, com a bolsa mais influenciada por fluxos estrangeiros, juros elevados e busca por liquidez.
“Normalmente, esse movimento ganha força mais perto do pleito, faltando dois ou três meses, quando há maior definição dos candidatos e o mercado passa a fazer mais contas, sobretudo com o fluxo doméstico”, explicou.
No exterior, o Irã propôs aos Estados Unidos reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra, segundo o Axios, mas deixou o tema nuclear para depois, o que mantém a cautela nos mercados. O petróleo segue em alta, pressionando as expectativas de inflação global.
Preocupações com o crédito privado avançam
O sócio da Perspective também comentou durante o Giro do Mercado sobre casos como Raízen (RAIZ4) e Oncoclínicas (ONCO3), que, segundo ele, reforçam a percepção de que empresas endividadas seguem pressionadas por juros elevados, inflação resistente e menor apetite dos investidores.
“O cenário está complicado, tanto o macro lá fora quanto o doméstico para as finanças corporativas. Guerra, preços de petróleo, inflação. A taxa de juros mais elevada comprime o crédito e diminui o consumo. É uma combinação difícil para o empresário”, disse Otani.
Segundo ele, o primeiro trimestre registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, com quase 6 mil empresas, além de cerca de 500 solicitações no agronegócio. O especialista também destacou um mercado de emissões mais travado, com empresas evitando captar e investidores ainda cautelosos.
“O investidor com caixa deve manter uma posição mais conservadora para aproveitar esse movimento, encarteirar e comprar bons ativos de renda fixa. Mas precisa ter paciência e calma”, afirmou.
*Com supervisão de Kaype Abreu