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BrasilAgro (AGRO3): Itaú BBA corta preço-alvo mesmo com melhora para commodities e vendas de fazendas; entenda

11 set 2026, 11:18
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(iStock.com/fotokostic)

O Itaú BBA reduziu o preço-alvo para as ações da BrasilAgro (AGRO3) de R$ 24, ao fim de 2026, para R$ 22, ao fim de 2027, mesmo diante de uma perspectiva mais favorável para os preços das commodities agrícolas e da expectativa de retomada da venda de fazendas pela companhia.

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O novo valor representa um potencial de valorização de 14,1% em relação à cotação de R$ 19,28 utilizada no relatório. A recomendação market perform, equivalente a neutra, foi mantida.

Segundo os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama, a recuperação da companhia começa a ganhar forma, mas ainda faltam sinais mais claros para justificar uma visão mais otimista sobre a ação.



O banco incorporou ao modelo um cenário mais benigno para as commodities, a retomada das vendas de propriedades em 2027 e o novo guidance da BrasilAgro. Esses fatores devem contribuir para uma recuperação dos resultados no próximo exercício.

O problema é o ponto de partida. O desempenho abaixo do esperado no ano fiscal de 2026 deixou uma base de lucros menor, levando o BBA a revisar para baixo suas estimativas para 2027 na comparação com o modelo anterior.

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“Gostaríamos de ter maior visibilidade sobre os possíveis impactos do El Niño e sobre assimetrias mais favoráveis na geração de fluxo de caixa livre ao acionista antes de adotarmos uma postura mais construtiva”, afirmam os analistas.

Commodities e custos ajudam a BrasilAgro

Para o Itaú BBA, a recuperação recente dos preços das commodities agrícolas, combinada com uma perspectiva favorável para os custos, deve impulsionar as margens e a geração de resultados da BrasilAgro em 2027.

A melhora das cotações de grãos, algodão e açúcar tende a favorecer a rentabilidade do portfólio. Para os grãos, o avanço da demanda por biocombustíveis tem sido um dos principais catalisadores, enquanto o algodão pode ser afetado pelas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.

No açúcar, após um período prolongado de preços abaixo dos custos de produção, o banco identifica um ambiente mais favorável para a rentabilidade da cana-de-açúcar.

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A BrasilAgro também poderá aproveitar a recuperação das cotações para realizar novas operações de hedge nos próximos meses, protegendo parte de suas margens contra eventuais quedas futuras dos preços.

Do lado dos custos, a administração projeta alta anual de apenas 2% no custo unitário da soja durante a safra 2026/27. Para milho e algodão, a expectativa é de quedas de dois dígitos, apesar da volatilidade dos fertilizantes nitrogenados.

O BBA avalia positivamente a estratégia de compra de insumos da companhia, especialmente em relação ao momento e aos preços das aquisições.

El Niño deixa banco mais cauteloso

Apesar da melhora das commodities e dos custos, os possíveis impactos do El Niño continuam sendo uma fonte relevante de incerteza.

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Para a safra 2026/27, a BrasilAgro adotou uma estratégia mais seletiva na alocação das culturas, priorizando rentabilidade e redução de riscos. A área plantada consolidada deverá recuar 1% na comparação anual.

A companhia pretende ampliar a exposição ao algodão de segunda safra em áreas irrigadas e transferir parte das áreas de soja e algodão de primeira safra para o milho.

Segundo o Itaú BBA, as estimativas de produção poderão permanecer voláteis ao longo da temporada, acompanhando possíveis revisões de produtividade e novos ajustes no mix de culturas.

Por outro lado, a empresa conta atualmente com um portfólio de terras mais maduro, após vários anos de revitalização das fazendas. Os investimentos em irrigação também devem ajudar a limitar os efeitos da volatilidade climática.

Venda de fazendas deve voltar em 2027

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Outro fator que pode contribuir para a recuperação dos resultados é a retomada das vendas de fazendas, uma parte importante do modelo de negócios da BrasilAgro.

As transações tiveram contribuição limitada em 2026, em meio à menor liquidez do mercado e à postura mais cautelosa dos compradores de propriedades rurais.

A administração espera que as vendas voltem a ocorrer em 2027, conforme as condições do mercado melhorem gradualmente. O ano anterior foi considerado excepcionalmente fraco para esse tipo de operação.

Ainda assim, o Itaú BBA entende que a melhora operacional e a retomada das vendas de terras não são suficientes para mudar a recomendação neste momento.

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Além do risco climático, os juros elevados continuam pressionando as despesas financeiras e a geração de caixa. O banco também considera ainda pouco atrativo o retorno do fluxo de caixa livre ao acionista para a safra atual.

Para adotar uma postura mais otimista, os analistas querem enxergar retornos mais fortes do fluxo de caixa em 2027 e 2028, capazes de compensar as incertezas sobre os efeitos do clima na produção.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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