ETFs do Brasil atraem US$ 3,8 bilhões em 2026 e lideram fluxo para América Latina, diz Bank of America
Os fundos de índice negociados em bolsa (ETFs) voltaram a colocar o Brasil no centro das atenções dos investidores estrangeiros em 2026. Segundo relatório do Bank of America (BofA), os ETFs globais dedicados ao mercado brasileiro receberam US$ 3,8 bilhões em entradas líquidas de recursos no acumulado do ano, acima dos US$ 2,7 bilhões registrados em 2025.
O movimento ajudou a sustentar a valorização das ações brasileiras ao longo dos primeiros meses do ano, período marcado por um forte fluxo estrangeiro para a Bolsa. Para o banco, os ETFs desempenharam papel relevante nesse processo por servirem como uma das principais portas de entrada para investidores internacionais interessados em exposição ao Brasil.
De acordo com o levantamento, as captações em ETFs focados na América Latina aceleraram para US$ 5,5 bilhões em 2026, ante US$ 4,6 bilhões no ano passado. O Brasil foi o principal responsável por esse desempenho positivo, enquanto o México seguiu na direção contrária.
Os ETFs voltados ao mercado mexicano acumularam saídas líquidas de US$ 1,5 bilhão neste ano, revertendo as entradas de aproximadamente US$ 100 milhões observadas em 2025.
Brasil domina universo de ETFs da América Latina
O estudo, que chega à sua sétima edição, identificou 114 ETFs de ações focados na América Latina, somando aproximadamente US$ 50 bilhões em ativos sob gestão (AUM).
Desse total, 40 fundos são negociados em mercados internacionais e 74 estão listados localmente.
Segundo o BofA, o Brasil continua sendo o principal destino dentro desse universo. Atualmente, as estratégias ligadas ao país representam 53% dos ativos sob gestão dos ETFs latino-americanos listados no exterior.
A predominância brasileira também reflete o peso do mercado acionário local dentro dos índices regionais e o interesse dos investidores estrangeiros em empresas ligadas ao ciclo doméstico, commodities e setor financeiro.
ETFs perdem espaço para a tese de inteligência artificial
Apesar do bom desempenho dos fluxos neste ano, o BofA observa que parte do capital destinado anteriormente à América Latina passou a migrar para outros mercados emergentes com maior exposição ao setor de tecnologia e às empresas beneficiadas pelo avanço da inteligência artificial.
O banco destaca ainda que incertezas relacionadas às eleições, ao comércio internacional e à política fiscal também podem ter contribuído para limitar as entradas de recursos na região ao longo dos últimos meses.
Essa diferença fica evidente na composição dos ETFs latino-americanos. Enquanto serviços financeiros e commodities representam cerca de 66% das carteiras da região, os setores de tecnologia e consumo discricionário respondem por apenas 2% da exposição.
Na avaliação dos estrategistas, isso faz com que os ETFs latino-americanos ofereçam uma exposição mais concentrada em ações classificadas como value, mas menos alinhada às teses globais ligadas à inteligência artificial.
EWZ continua relevante para a liquidez do mercado brasileiro
O relatório também destaca a importância dos ETFs internacionais para a liquidez dos mercados latino-americanos.
Historicamente, o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) movimentou um volume equivalente a 31% das negociações realizadas pelo MSCI Brazil, mostrando o peso do produto para investidores que operam ativos brasileiros no exterior.
No caso do México, o iShares MSCI Mexico ETF (EWW) chegou a representar cerca de 38% do volume negociado pelo MSCI Mexico.
Apesar disso, o BofA observa que a liquidez adicional proporcionada pelos ETFs está atualmente abaixo das médias históricas, especialmente no mercado mexicano, onde o EWW opera próximo dos menores níveis já registrados.
Mercado ainda é pequeno
Embora tenha registrado forte crescimento nas últimas duas décadas, o mercado de ETFs da América Latina ainda é considerado relativamente pequeno quando comparado a outras regiões.
Os cerca de US$ 50 bilhões em ativos sob gestão representam aproximadamente 3% da capitalização de mercado do índice MSCI LatAm, segundo os cálculos do banco.
Ainda assim, o BofA avalia que esses veículos seguem ganhando relevância como canal de investimento estrangeiro para a região, especialmente em momentos de maior interesse global por ações brasileiras.