EUA devem colher segunda maior safra de milho da história apesar da queda na produtividade, diz USDA
Os agricultores dos Estados Unidos colherão neste ano a segunda maior safra de milho já registrada, já que a queda na produtividade causada por condições climáticas adversas durante o verão foi mais do que compensada por uma área plantada maior, previu o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) nesta quarta-feira (12).
O USDA projetou a produtividade média do milho dos EUA em 180,7 bushels por acre em 2026, abaixo da estimativa de 183 bushels por acre divulgada há um mês. Ao mesmo tempo, a projeção de área colhida aumentou para 88,6 milhões de acres, ante 87,4 milhões de acres anteriormente. Com isso, a produção foi ligeiramente elevada para 16,013 bilhões de bushels, frente aos 16 bilhões de bushels estimados em julho.
Para a safra de soja, o USDA reduziu sua projeção de produtividade de 2026 para 52,7 bushels por acre, ante 53 bushels por acre no mês anterior. A produção foi estimada em 4,519 bilhões de bushels, acima dos 4,475 bilhões de bushels projetados há um mês.
Calor e seca pressionam o milho
A produtividade do milho foi reduzida porque o calor intenso e o agravamento da seca no oeste do Meio-Oeste dos Estados Unidos prejudicaram as lavouras durante a fase de polinização no mês passado. Mais a leste, chuvas excessivas inundaram áreas agrícolas e lixiviaram nutrientes do solo.
Os problemas climáticos enfrentados nos Estados Unidos ocorreram em um momento em que guerras vêm interrompendo cadeias de suprimento e elevando os custos de combustíveis e fertilizantes, enquanto o calor extremo afeta as lavouras europeias e meteorologistas alertam que um super El Niño pode reduzir ainda mais a produção global de alimentos.
Apesar disso, o USDA elevou sua estimativa para a área colhida de milho, compensando com folga a queda da produtividade. Como resultado, os agricultores norte-americanos deverão colher a segunda maior safra de milho da história, atrás apenas da safra de 2025, que alcançou 17,021 bilhões de bushels.
Os contratos futuros de milho e soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) ampliaram os ganhos após a divulgação do relatório do USDA.
As condições das lavouras de milho dos EUA avaliadas pelo USDA se estabilizaram na semana passada após três semanas consecutivas de deterioração provocadas pelas condições climáticas desfavoráveis no Meio-Oeste. As classificações da soja recuaram ligeiramente enquanto a cultura entrava neste mês em sua fase crítica de enchimento de vagens.
As avaliações mais recentes de ambas as culturas foram as mais baixas para o início de agosto desde 2023.
Analistas consultados pela Reuters esperavam, em média, que o USDA reduzisse sua estimativa de produtividade do milho para 182,4 bushels por acre e a produção para 15,934 bilhões de bushels, além de um corte de 76 mil acres na área colhida. Para a soja, a expectativa era de redução da produtividade para 52,9 bushels por acre e da produção para 4,472 bilhões de bushels, enquanto a área colhida deveria aumentar em 163 mil acres.
As exportações mais fortes de milho e uma oferta inicial menor na temporada deverão reduzir os estoques norte-americanos ao fim da safra 2026/27 para 1,653 bilhão de bushels, abaixo da estimativa de 1,790 bilhão de bushels divulgada em julho. Já os estoques finais de soja para 2026/27 foram estimados em 320 milhões de bushels, ante 310 milhões de bushels projetados anteriormente.