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EUA transferem US$ 288 milhões em criptomoedas e acendem alerta no mercado; ‘O catalisador que faltava’, diz CEO da Coinext

14 jul 2026, 13:50 - atualizado em 14 jul 2026, 14:09
Bitcoin (BTC) em alta (Imagem: ChatGPT)
(Imagem: ChatGPT)

Os Estados Unidos (EUA) realizaram a transferência de aproximadamente US$ 288 milhões (mais de R$ 1,4 bilhão) em bitcoin (BTC) e ethereum (ETH) que haviam sido apreendidos em investigações, mostrou a plataforma de rastreamento on-chain Arkham.

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Segundo os dados, os ativos foram enviados na manhã de segunda-feira (13) para a Coinbase Prime, corretora escolhida pelo governo norte-americano para custodiar criptomoedas confiscadas.

As movimentações envolveram cerca de 3,8 mil BTC, avaliados em US$ 235 milhões, e 30 mil ETH, no valor de US$ 53 milhões.

Enquanto os bitcoins seriam provenientes de apreensões realizadas pelas autoridades do país, os ethers estariam ligados a um caso de lavagem de dinheiro.

Bitcoin: venda à vista?

Embora represente apenas uma transferência — e não uma venda —, a operação reacendeu especulações de que a Casa Branca poderia estar se preparando para se desfazer de parte das criptomoedas que havia prometido manter em custódia.

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Isso porque, na ordem executiva de março de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, criou uma Reserva Estratégica de Bitcoin e declarou que o país errou ao vender unidades do ativo no passado.

Na ocasião, ele determinou que os BTC destinados à reserva não fossem alienados e chegou a declarar que pretende transformar os Estados Unidos em “uma superpotência de bitcoin e na capital mundial das criptos”.

Em meio a esse cenário, as movimentações detectadas pela Arkham despertaram dúvidas na indústria: o maior detentor soberano de bitcoin do mundo estaria se preparando para vender parte de suas reservas?

Para José Artur Ribeiro, CEO da Coinext, a pergunta é legítima, mas exige contexto.

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Em comentário enviado ao Money Times, o executivo afirmou que ativos apreendidos em processos criminais seguem um rito jurídico próprio e, após a conclusão das ações judiciais, o governo norte-americano precisa dar uma destinação a eles.

Por isso, segundo Ribeiro, “uma transferência para a Coinbase Prime pode ser simplesmente a conclusão administrativa desse processo”.

Ainda assim, o executivo apontou que grandes investidores normalmente mantêm seus ativos em cold wallets (carteira fria) por questões de segurança e que mover criptoativos para uma exchange é historicamente interpretado como preparação para liquidação.

“As transferências parecem conflitar diretamente com a ordem executiva de março de 2025 assinada por Trump, que determinou que o bitcoin apreendido fosse direcionado para a Reserva Estratégica e proibiu explicitamente sua venda”, afirmou Ribeiro.

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“O ethereum até escapa dessa restrição por estar sob um regime jurídico separado, com maior liberdade de gestão pelo Tesouro [dos EUA], mas o bitcoin transferido não tem essa flexibilidade, ao menos no papel”, acrescentou.

Movimento representa pequena parcela das reservas

O CEO da Coinext também destacou que o governo dos EUA ainda detém cerca de US$ 20,6 bilhões em criptoativos. Os US$ 288 milhões transferidos representam, portanto, uma fração pequena do montante.

“Mesmo assim, não é o volume que move o mercado, mas sim a narrativa. E a narrativa de que o próprio governo norte-americano pode estar desfazendo posições, contrariando sua própria política, é o tipo de sinal que amplifica o pessimismo em momentos de vulnerabilidade”, disse ele.

“Não há confirmação on-chain de venda até o momento. Mas o mercado não espera confirmação para precificar risco. Qualquer movimentação subsequente dessas carteiras será monitorada com lupa, e pode ser o catalisador que faltava para o próximo movimento relevante de preço”, prosseguiu.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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