Euro digital: stablecoins “apresentam sérios riscos”, afirma Christine Lagarde

30/11/2020 - 14:53
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
BCE Banco Central Europeu Christine Lagarde
Lagarde acredita que “um euro digital também seria um emblema do processo contínuo de integração europeia que, futuramente, ajudará a unificar as economias digitais da Europa” (Imagem: Reuters/Ralph Orlowski)

Stablecoins “apresentam sérios riscos”, segundo Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu.

Seus comentários — sobre a interseção dos pagamentos e da tecnologia — desta segunda-feira (30) foram em relação à aproximação da União Europeia em aprovar a possível criação de um euro completamente digital.

Anteriormente, Lagarde indicou que uma decisão de “sim” ou “não” seria feita em janeiro, mesmo que outras instituições pelo mundo deem início a projetos de moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês).

Assim como antes, Lagarde falou sobre o euro digital como um complemento ao dinheiro físico. A líder do BCE também enfatizou como o euro digital, caso implementado, ajudaria a impulsionar a “soberania monetária” na região.

“Poderia ser importante em inúmeros cenários futuros, a partir de uma queda no uso do dinheiro físico, para antecipar a aceitação de moedas digitais na Zona do Euro”, disse ela.

A emissão de um euro digital pode ser necessária para assegurar tanto o acesso contínuo a um dinheiro do banco central como da soberania monetária.

Um euro digital também seria um emblema do processo contínuo de integração europeia que, futuramente, ajudará a unificar as economias digitais da Europa.

Sobre criptoativos, Lagarde explicou:

O principal risco está basicamente na tecnologia e no conceito falho de que não existe uma alegação ou um emissor identificável.

Também significa que usuários não podem esperar que criptoativos mantenham um valor estável: são altamente voláteis, ilíquidos e especulativos e, assim, não cumprem com as funções do dinheiro.

Seus comentários foram bem específicos quando ela falou sobre stablecoins.

“Apesar de stablecoins poderem direcionar mais inovação em pagamentos e serem integradas às redes sociais, negociações e outras plataformas, apresentam sérios riscos”, afirmou ela.

Se forem amplamente adotadas, poderão ameaçar a estabilidade financeira e a soberania monetária. Por exemplo, se o emissor não puder garantir um valor fixo ou sejam considerados incapazes de lidar com perdas, uma corrida [aos bancos] poderia acontecer. 

Além disso, usar stablecoins como uma reserva de valor poderia resultar em uma maior migração de depósitos bancários a stablecoins, o que pode ter um impacto nas operações bancárias e na transmissão de políticas monetárias.

Lagarde também criticou stablecoins emitidas por “empresas globais de tecnologia” — uma referência não tão sutil à Libra do Facebook — e como “também podem representar riscos à competitividade e autonomia tecnológica na Europa, pois tentariam alavancar sua vantagem competitiva e controlar grandes plataformas”. 

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 30/11/2020 - 14:53

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