EWZ tem leve alta após corte da Selic em dia negativo nos mercados acionários
O iShares MSCI Brazil (EWZ), que é um fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) negociado na Bolsa de Nova York (NYSE) que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro – e que também opera influenciado por fatores externos -, subia 0,23%, a US$ 34,19, às 19h40 (horário de Brasília) desta quarta-feira (17).
O desempenho sucede a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que cortou a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Essa foi a terceira flexibilização consecutiva do Banco Central, em linha com o esperado pelo mercado.
No pregão regular, o EWZ fechou com baixa de 0,84%, a US$ 34,12, em dia negativo para os mercados globais após decisão de juros nos Estados Unidos.
A decisão do Copom foi divulgada após o fechamento do pregão regular dos mercados. O principal índice da bolsa brasileira, Ibovespa (IBOV), terminou as negociações com queda de 0,70%, aos 168,453,93 pontos.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1077, com alta de 0,41%, em linha com o DXY.
Selic a 14,25%
O Copom deu sequência ao ritmo de cortes na Selic, reduzindo a taxa básica de juros a 14,25% ao ano.
“O Comitê julgou apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25% a.a.”, diz o comunicado.
Os diretores mantiveram a menção ao conflito no Oriente Médio, afirmando que o cenário externo permanece incerto em meio à incertezas sobre os termos do acordo para cessar conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos impactos da guerra até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais.
As projeções para inflação para 2026 e no horizonte relevante também tiveram ajustes para cima. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,6% para 5,2% em 2026, acima do teto da meta, que é de 4,5%.
Para o horizonte relevante, quarto trimestre de 2027, a estimativa de IPCA do Copom subiu de 3,5% para 3,7%.
O comunicado ainda destacou que, diante do cenário atual, o Comitê passou a trabalhar com uma “trajetória alternativa” para a Selic que garante a convergência da inflação ao centro da meta, de 3%, no primeiro trimestre de 2028 – e não mais o fim de 2027, atual horizonte relevante.
Juros nos EUA
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quarta vez consecutiva como amplamente esperado pelo mercado. A decisão foi unânime.
Essa foi a primeira decisão sob o comando de Kevin Warsh, que sinalizou mudanças na condução e comunicação da política monetária.
A primeira mudança, porém, foi vista no comunicado da decisão do Fed com a exclusão do forward guidance, com a retirada do trecho em que o Fomc afirmava que avaliaria a “magnitude e o momento de ajustes adicionais” na taxa de juros.
Já durante a coletiva de imprensa, o Warsh indicou que o BC poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado, incluindo a realização de coletivas de imprensa e outros instrumentos de orientação aos investidores.
“Acho que os mercados funcionam melhor quando reagem aos dados que chegam. Funcionam menos eficientemente quando tentam responder à pergunta de como o Federal Reserve reagirá a essas informações”, afirmou.
Ele também revelou que não enviou uma projeção para o dot plot, por considerar que a ferramenta não é particularmente útil para a condução da política monetária. Segundo ele, as projeções foram feitas “a lápis, com uma grande borracha”, sugerindo que os dirigentes reconhecem a elevada incerteza do cenário.
No gráfico de pontos (dot plot), o Comitê apontou para uma nova alta de 25 pontos-base nos juros até dezembro, além de elevar as estimativas para a inflação, medida pelo índice de gastos com consumo (PCE), de 2,7% para 3,6% em 2026.
Após a decisão e as falas de Warsh, o mercado adiantou a aposta de elevação nos juros. Agora, os agentes financeiros veem 66,3% de chance de o Fed elevar os juros em setembro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Antes da decisão, dezembro era o mês mais provável para um ajuste para cima dos juros.
Já os índices de Wall Street fecharam em queda: Dow Jones recuou 0,98%, aos 51.492,55 pontos; S&P 500 teve baixa de 1,21%, aos 7.420,10 pontos; e Nasdaq encerrou com recuo de 1,35%, aos 26.021,656 pontos.