Fim da escala 6×1: quais os potenciais impactos para o varejo, na avaliação do BTG Pactual
A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode pressionar as margens das empresas brasileiras, com destaque para o varejo, segundo relatório do BTG Pactual divulgado na quarta-feira (15).
De acordo com o banco, o setor pode registrar compressão de cerca de 100 pontos-base nas margens e queda próxima de 10% no Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), mesmo com eventuais ganhos de eficiência operacional.
A mudança altera uma equação central para companhias intensivas em mão de obra: menos horas trabalhadas, com manutenção dos salários. Em operações de alto fluxo e funcionamento contínuo, isso tende, segundo o banco, a exigir reorganização de escalas, aumento de contratação e maior investimento em automação.
Varejo concentra maior exposição
O BTG destaca o varejo como um dos setores mais expostos à proposta. Segmentos como vestuário, eletroeletrônicos e varejo farmacêutico aparecem entre os mais sensíveis, dada a dependência de jornadas estendidas e operação contínua.
O relatório também cita estimativa do governo segundo a qual a eliminação gradual do modelo 6×1 poderia elevar em cerca de 4,7% os custos de mão de obra na economia.
Segundo o banco, o impacto tende a ser assimétrico, com maior pressão sobre setores intensivos em mão de obra e empresas de menor escala, que possuem menor capacidade de diluição de custos.
Ajustes operacionais mitigam apenas parte do impacto
A adaptação ao novo modelo deve passar por reorganização de turnos, melhor alocação de equipes e avanço em automação e tecnologia. Ainda assim, o BTG avalia que os ganhos de eficiência devem ser apenas parciais no curto prazo.
O relatório destaca que a tese do governo é de que a redução da jornada poderia ser compensada por ganhos de produtividade, com menor fadiga, redução de absenteísmo e queda de acidentes de trabalho.
No entanto, o banco ressalta que esse efeito depende de execução no nível das empresas, incluindo redesenho operacional e maior investimento em tecnologia. Sem esses ajustes, a mudança tende a se traduzir mais em aumento de custos do que em ganhos de eficiência.
Assimetria entre empresas deve aumentar
Nesse cenário, o efeito da reforma tende a ser mais seletivo entre as companhias. Grandes empresas, com maior escala, acesso a capital e capacidade tecnológica, devem ter mais condições de adaptação.
Já empresas menores tendem a enfrentar maior pressão sobre custos e maior dificuldade para preservar rentabilidade.
Para o BTG, o impacto não é uniforme, mas assimétrico — ampliando a diferença entre companhias mais preparadas para a transição e aquelas mais expostas à pressão de custos.