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Fintechs estão migrando para cripto, mas empresas cripto não considerando fintechs

10/08/2020 - 9:33
Traduzido e editado por Daniela Pereira do Nascimento
Fintechs estão migrando para o mercado cripto, mas empresas cripto não estão migrando para fintech. Por quê? (Imagem: Freepik)

Square, SoFi e, em breve, PayPal.

A lista de empresas de tecnologia financeira (fintechs) que entraram no bonde dos criptoativos continua a crescer. E faz sentido; fintechs querem investir nessas ofertas, o que pode ser mais rentável do que ofertas de ações, em certos casos.

Também fornecem a fintechs uma forma de expandir sua base de usuários. Cash App da Square é um ótimo exemplo do que uma oferta cripto pode significar para uma fintech.

Na semana passada, os rendimentos do segundo trimestre da Square foram lançados, mostrando que lucrou US$ 875 milhões em receita de bitcoin por meio de seu Cash App.

O aplicativo gerou US$ 17 milhões em lucro bruto em bitcoin no mesmo período. O relatório da Square indica que as despesas totais relacionadas à sua oferta de bitcoin foram de US$ 858 milhões.

Volume em bitcoin do Cash App da Square continua a crescer, já que lucro bruto de vendas em bitcoin aumentaram 150% do trimestre passado (Imagem: Square Company Filings, The Block)

Tal crescimento impressionante explica por que PayPal quer entrar em ação. A empresa está trabalhando com a empresa cripto Paxos para lançar uma oferta de criptoativos. Ainda não se sabe quando o serviço será lançado ou quantas moedas fornecerá suporte.

De qualquer forma, levanta uma boa questão para outras fintechs que não estão ativas em cripto: o que vocês estão esperando?

Vamos explorar esse lado da questão, ou seja, o que está impedindo que empresas cripto — principalmente aquelas com grandes bases de clientes de varejo — de entrarem para grandes serviços financeiros ao lançar negociações de ações, contas-poupança com altos rendimentos etc.

De fato, é uma questão que David Mercer, CEO do LMAX Group, debateu sobre. Sua empresa, que opera um forex tradicional desde 2010, lançou uma corretora cripto em maio de 2018.

Em entrevista ao The Block, Mercer disse que corretores tradicionais de ações devem estar preocupados com players que expandem além de cripto.

“Eu digo às pessoas nas finanças tradicionais: preste atenção em startups de cripto”, disse ele. “Elas fornecem acesso ao mercado a milhões de clientes e podem vir atrás do seu negócio.”

Ele continuou:

A Amazon, por exemplo, costumava vender livros. Eles acharam que as pessoas que compram livros também podem querer comprar roupas e assim por diante.

Se sou um corretor de valores, eu estaria preocupado com corretoras cripto porque elas já têm meus clientes. Eles deram duro nas vendas e no marketing, bem como na aquisição de clientes.

Robinhood é uma plataforma de negociação sem comissões que permite a usuários negociarem ações, fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês), opções, ouro e cripto por meio de um aplicativo para celular ou navegador de internet (Imagem: Facebook/Robinhood)

Mercer tem uma boa argumentação. A base de clientes da corretora Coinbase, por exemplo, é de 35 milhões. Blockchain.com tem mais de 51 milhões de contas de carteira.

Embora não se saiba quantas carteiras estão ativas, existem certos públicos que não negociam na Robinhood, que afirma ter 13 milhões de usuários em sua plataforma de negociação para o varejo.

De fato, inúmeras empresas cripto exploraram ofertas de serviços de negociação de ações, incluindo Blockchain.com, segundo uma fonte familiar com o assunto.

BlockFi, a credora cripto e plataforma de negociação, também pode considerar essa possibilidade, segundo o diretor executivo Zac Prince. Ele diz adorar a ideia, acrescentando que é apenas “uma questão de tempo/priorização para nós”.

Prince é conhecido por ser muito ambicioso. Ainda assim, ele disse que a oportunidade ofereceria “fontes de renda mais diversificadas, ofertas de produtos mais holísticas e aderência com clientes”.

Empresas cripto, principalmente as envolvidas com negociação, poderiam usar diversificação, principalmente este ano. Segundo Larry Cermak, receitas de corretoras cripto são 90% transacionais. Além disso, quando volumes de negociação caem, receita também caem.

No segundo trimestre, negociação de ações dominou as manchetes enquanto criptos de grande capitalização, como bitcoin e ether, estiveram presas no marasmo.

Bitcoin e ether tiveram um desempenho ruim no segundo trimestre, mas surpreenderam a todos com seu ótimo desempenho recente (Imagem: Freepik/master1305)

Volumes e receita caíram bastante enquanto corretoras como Robinhood continuaram a ganhar novos clientes e volumes de negociação em ações e opções nos EUA continuaram a aumentar. Segundo um especialista cripto, “esse pessoal deixaram a ação escapar”.

Especialistas dizem que não seria um grande esforço tecnológico para uma empresa como a Coinbase fornecer negociações nos 50 principais nomes, por exemplo.

É algo que a Blockchain.com considerou, segundo uma fonte. Mas existem alguns obstáculos enfrentados por essas empresas que tornam o lançamento de uma ação mais difícil do que parece.

eToro, que opera uma oferta de ações e de cripto na Europa, levou sua plataforma de negociação cripto para os EUA em março de 2019.

A empresa ainda irá lançar ações nos EUA, mas ainda está trabalhando com reguladores, como a Autoridade Regulatória da Indústria Financeira (FINRA), para sua aprovação.

A empresa assegurou sua afiliação com a FINRA no fim de junho e ainda está trabalhando na compensação de seu recurso “copy-trader”, afirma Guy Hirsch, diretor de gestão da eToro nos EUA.

“É bem menos arriscado mexer na parte tecnológica”, disse ele. “Está bem claro o que precisa acontecer. Do lado de cumprimento à lei, sua intuição está correta. É mais complexo.”

Conseguir uma afiliação com a FINRA é bem difícil. O atraso de empresas cripto que buscam por aprovação é bem-documentado.

Para tais empresas cripto, os obstáculos regulatórias tornam impossível a oferta de tais produtos, disse um executivo.

Também pode não fazer sentido de uma perspectiva de roteiro de desenvolvimento (roadmap) de produto para muitas empresas cripto, que ainda precisam ter uma oferta de produto completa até mesmo para o mercado cripto.

“Poderíamos vender ações às pessoas”, disse o executivo. “Mas queremos fazer isso em vez de apresentar um melhor mercado de opções para bitcoin ou produtos DeFi ou negociação em margem?”

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Última atualização por Daniela Pereira do Nascimento - 10/08/2020 - 9:33