Fleury (FLRY3): BofA eleva preço-alvo, mas reitera recomendação de venda; veja os motivos
O Bank of America (BofA) elevou o preço-alvo de Fleury (FLRY3) de R$ 14 para R$ 16,50, mas reiterou a classificação underperform (equivalente à venda) para a ação. Os analistas afirmam que não se trata de questionar a qualidade da empresa ou a execução recente, mas, nos níveis atuais, veem uma relação risco-retorno desfavorável em termos relativos.
A equipe de analistas do banco reconhece que o Fleury entregou um crescimento sólido de 12% no último trimestre, na comparação anual, no entanto, a maior parte desse impulso já está precificado, com a companhia negociando a 12,1 vezes o preço sobre o lucro projetado para 2027, próximo da Rede D’or, a 13,4 vezes.
“A execução recente tem sido sólida, com a receita orgânica no 2T26 e a marca premium Fleury crescendo 12% na comparação anual, mas vemos grande parte desse desempenho como já precificada. A ação acumula alta de 24% no ano, superando os pares do setor, e, negociada a 12,1x o P/L estimado para 2027, está muito próxima da Rede D’Or, a 13,4x, apesar de apresentar um perfil de crescimento menos atraente”, diz o banco.
O BofA cita ainda três razões para cautela:
- Uma valuation elevada;
- Comparações difíceis pela frente, com o crescimento recente dependente da expansão de área;
- Pressão estrutural sobre as margens decorrente de fusões e aquisições e de um mix desfavorável.
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Perspectivas
O segundo semestre de 2026 deve enfrentar comparações significativamente mais difíceis na marca Fleury, que cresceu 10% na comparação anual no segundo semestre de 2025, ante 5% no primeiro semestre de 2025, indicando uma desaceleração natural pela frente.
“É importante destacar que o crescimento recente tem sido sustentado por adições de capacidade, com a área (m²) sob a marca Fleury expandindo 8% na comparação anual no 2T26, após anos de estabilidade. Acendemos uma luz amarela, uma vez que o crescimento da receita por metro quadrado desacelerou de 10% na comparação anual no 1T26 para 5% no 2T26”, dizem os analistas.
Caso a Fleury não consiga aumentar os volumes nessa nova área, a produtividade poderá estagnar, pressionando os retornos sobre o capex realizado.
O BofA continua esperando uma pressão estrutural sobre as margens, impulsionada por aquisições e por um mix de receitas desfavorável.
A expansão tem se concentrado em marcas de preços mais baixos, pressionando as margens, enquanto a consolidação contínua em um mercado de diagnósticos fragmentado e competitivo deve pressionar ainda mais os preços.
” Dada a estrutura de aproximadamente 70% de custos fixos e as alavancas limitadas de eficiência, vemos pouco espaço para compensar a diluição do mix, mantendo a margem Ebitda amplamente estável e os riscos inclinados para o lado negativo”, diz o banco.
2T26 do Fleury
O lucro líquido do Fleury atingiu R$ 221,9 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), um avanço de 45,7% na comparação com o mesmo período de 2025, mostra relatório de resultados divulgado ao mercado nesta quinta-feira (6).
A cifra bateu a expectativa do mercado: consenso reunido pela Bloomberg apontava para um lucro de R$ 172 milhões no período.
Jeane Tsutsui, CEO da companhia, afirmou ao Money Times que o resultado reflete consistência na execução da estratégia da companhia, baseada na combinação entre expansão orgânica e aquisições, integração das empresas adquiridas, gestão da alavancagem e aumento do retorno sobre o capital investido.
“Nós temos um plano e estamos executando o planejamento. Não tem nenhuma mudança em termos de rumo, que é a partir do crescimento orgânico e inorgânico”, acrescentou o CFO da companhia, José Filippo.
O desempenho operacional, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 612,9 milhões, avanço de 15,2% ante o mesmo período em 2025. A margem Ebitda ficou em 26,5%.
Já a receita líquida avançou 14,4%, para R$ 2,31 bilhões no segundo trimestre do ano, enquanto a receita bruta chegou a R$ 2,51 bilhões, crescimento de 14,4%.
No segmento B2C, a receita cresceu 15% no trimestre, com expansão orgânica de 11,6%. A marca Fleury apresentou crescimento de 12% dentro do segmento premium.
Além da marca Fleury, outras operações também apresentaram crescimento. As Demais Marcas em São Paulo cresceram 27,7% no trimestre, com expansão orgânica de 12,9%. Em Minas Gerais, o avanço foi de 19,2%, sendo 14,3% orgânico, enquanto o Rio de Janeiro cresceu 8,9% e as operações regionais avançaram 10,2%.