Entrevista

Fleury (FLRY3) chega aos 100 anos e dobra a aposta em longevidade; CEO e CFO falam sobre juros, expansão e dividendos

20 maio 2026, 8:20 - atualizado em 20 maio 2026, 8:20
Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury (Divulgação)
Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury (Divulgação)

O Grupo Fleury (FLRY3) celebra seu centenário em 2026, com planos de manter o ritmo de expansão, reforçar investimentos em prevenção e longevidade e sustentar uma política de distribuição relevante de proventos aos acionistas, segundo a CEO Jeane Tsutsui.

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Após registrar avanço no lucro líquido e nas demais principais linhas do balanço do primeiro trimestre de 2026, a executiva afirma que o direcionamento do Grupo Fleury passa pela continuidade de uma estratégia focada em equilibrar solidez financeira e expansão, com o objetivo de sustentar o desempenho positivo ao longo do ano.

“Nossa disciplina em termos de estrutura de capital robusta e boa gestão financeira nos permite ser uma empresa que cresce, entrega lucro e que tem uma estratégia que vem sendo executada ao longo dos anos. Entramos em 2026, um ano tão importante para o grupo Fleury, no seu centenário, muito forte, muito positivo”, afirmou a executiva, em entrevista ao Money Times.

Em um cenário que combina mudanças nas tendências de envelhecimento da população e comportamentos em relação à saúde suplementar, juros altos e novidades ligadas aos seus 100 anos, a CEO revelou o que norteia a fase centenária da companhia.

Tendência de envelhecimento

Tsutsui chama atenção para a tendência de envelhecimento da população, que impulsiona a demanda por tratamentos preventivos, vacinas e tratamentos de doenças crônicas.

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É de olho neste cenário que o Fleury inaugura neste mês a unidade Marco 100, que estreia o serviço “Fleury Life Care”, voltado para pessoas acima de 35 anos que buscam qualidade e aumento na expectativa de vida.

Localizada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, a nova unidade recebeu investimento de R$ 35 milhões.

A partir da percepção de uma mudança de comportamento que prioriza a manutenção da saúde em vez do tratamento de doenças, o Fleury vem há cinco anos complementando o portfólio com os chamados “novos elos”.

A CEO do grupo pontua que esse segmento reúne a prestação de serviços como ortopedia, oftalmologia, infusão de medicamento imunobiológicos, entre outros que a companhia compreende complementar a jornada de cuidado.

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“São serviços que vão além da medicina diagnóstica, tem toda a parte de consulta, de fisioterapia, de tratamentos ambulatoriais para os pacientes cuidarem da sua saúde. E agora, a gente lança um centro de longevidade que também tem a ver com a tendência de cada vez mais haver essa conscientização da importância do cuidado da saúde”, disse ao Money Times.

Os novos elos do Fleury correspondem hoje a 9% da receita total do grupo.

O envelhecimento da população levanta ainda a questão do aumento de algumas doenças. Neste cenário, a CEO chegou a avaliar uma operação com a Oncoclínicas (ONCO3), em parceria com a Porto (PSSA3), em meio às dificuldades financeiras que a rede de oncologia enfrenta.

O acordo não foi para frente, mas o olhar do Fleury para a oncologia existia e continua existindo, conforme a executiva.

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“Hoje nós já temos um portfólio muito completo de oncologia, porque fazemos todo o portfólio de medicina diagnóstica para os pacientes oncológicos, não só para diagnóstico, mas também para o acompanhamento do tratamento”, disse Tsutsui.

Neste sentido, o Fleury conta com um serviço chamado Genesis, uma joint venture com o Hospital Albert Einstein dedicada à genômica, além da Croma, joint venture entre BP, Bradesco e o Fleury, especializada no cuidado oncológico.

A executiva reforça a atual presença da empresa no setor oncológico, mas pontua que a companhia tem um olhar para eventuais M&As (fusões e aquisições) que façam sentido, seguindo a disciplina de avaliar os parâmetros econômico-financeiros, culturais e estratégicos.

O ano de 2025 ficou marcado como o ano das aquisições no Fleury, entre elas a incorporação das marcas Confiance, em Campinas, Hemolab, em Minas Gerais, e São Lucas, no Rio Claro. Além disso, há o Femme, ativo voltado para a saúde da mulher, localizado na cidade de São Paulo.

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Expansão no radar

No que diz respeito aos planos de expansão do Fleury, aquisições que complementem o portfólio de serviços permanecem no radar. Neste sentido, a companhia considera três pilares que direcionam os movimentos de expansão.

Um deles é o pilar estratégico, que combina a análise da geografia, tipo de negócio e a complementariedade do portfólio. Somado a isso, há o pilar econômico-financeiro, que analisa o retorno do investimento, payback (tempo de retorno) e se há múltiplos compatíveis. Por fim, o Fleury observa o pilar cultural, com avaliação da capacidade de integração operacional e de sistemas.

Mesmo diante de um cenário macroeconômico mais desafiador, o Fleury vem se sustentando dentro de um setor que é mais resiliente, por meio de ganho de market share e crescimento a partir de aquisições disciplinadas.

“Claro que está todo mundo olhando o macro, mas os fatores que acompanhamos é a questão de inflação e impacto no crescimento do Brasil”, diz.

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Diante de um cenário em que a taxa básica de juros (Selic) está em 14,50% e o ciclo de afrouxamento monetário avança de forma moderada, Tsutsui afirma que a disciplina na alocação de capital, os ganhos de produtividade e a manutenção de um nível de alavancagem adequado têm sido fundamentais para sustentar o crescimento da companhia.

“Existe a expectativa que demore para os juros caírem e, mesmo assim, a gente continua fazendo a alocação de capital onde acreditamos que terá um retorno adequado. Tanto é que, ao longo do tempo, o nosso retorno sobre capital investido, o nosso ROIC, fechou o trimestre com 17%, que são 300 pontos-base acima do segundo trimestre de 2023, quando a gente fez a combinação de negócios com o Pardin”, diz a executiva.

Dividendos

O Fleury é um nome do mercado que conta com histórico de payout (porcentagem de lucro distribuído aos acionistas) elevado. Mesmo em um cenário macroeconômico adverso, a expectativa da companhia é de continuidade de uma distribuição do lucro relevante.

José Filippo, CFO da companhia, enfatiza que a distribuição de proventos ocorre à medida que outros parâmetros são avaliados, como alavancagem, caixa e custos.

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“Tudo isso é levado em consideração e nós temos conseguido atender aos parâmetros para poder fazer um payout elevado. Não temos um guidance (projeção) formal para isso, mas devemos manter esse pagamento elevado como prática neste ano”, disse ao Money Times.

1T26 do Fleury

No primeiro trimestre de 2026, o Fleury registrou lucro líquido de R$ 201,2 milhões, uma alta de 12,2% ante o mesmo período do ano passado. O resultado, segundo a CEO, é reflexo da estratégia que envolve crescimento orgânico, aquisições e disciplina financeira.

A cifra veio acima da expectativa do mercado. Consenso reunido pela Bloomberg apontava para um lucro de R$ 185 milhões no período.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede o desempenho operacional, chegou a R$ 606 milhões, um avanço de 10,7% na comparação anual. A margem Ebitda ficou estável na comparação anual, em 27,3% no período de janeiro a março deste ano.

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Já a receita bruta da companhia totalizou R$ 2,18 bilhões no trimestre, uma alta de 10,1% ante o mesmo período em 2025. No caso da receita líquida, o montante chegou a R$ 2 bilhões, avanço de 10,3% na comparação anual.

“Os grandes destaques são crescimento top line, em que crescemos duplo dígito, principalmente nas unidades de atendimento, que correspondem a 70% da receita e apresentaram crescimento de 15%, então é bastante forte”, diz a executiva.

A CEO destaca que, apesar de um cenário macroeconômico desafiador, a companhia continua crescendo com disciplina em termos de controle de custos e despesas, que resultou em um Ebitda de R$ 606 milhões no trimestre.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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