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FMI faz alerta sobre uso de stablecoins na Nigéria após aceleração do uso de ‘dólar digital’ no país: ‘Risco sobre soberania monetária’

16 jun 2026, 9:07 - atualizado em 16 jun 2026, 9:07
20 Naira Nigéria com retrato do General Murtala Muhammed. Novo dinheiro de polímeros da Nigéria (Imagem: iStock - Sergii Zyskо. ID da foto2248064982)
. O país mais populoso da África e a maior economia do continente se tornou um dos casos de uso de criptomoedas atreladas ao dólar mais proeminentes do planeta — mas há fortes riscos nisso.(Imagem: iStock - Sergii Zyskо. ID da foto2248064982)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez um alerta por meio de um comunicado para o uso de stablecoins na Nigéria. O país mais populoso da África e a maior economia do continente se tornou um dos casos de uso de criptomoedas atreladas ao dólar mais proeminentes do planeta — mas há fortes riscos nisso.

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O documento destaca que a Nigéria recebeu cerca de US$ 59 bilhões em criptoativos entre julho de 2023 e junho de 2024. O país ocupou o segundo lugar global no Índice Global de Adoção de Criptomoedas de 2024 da Chainalysis e ficou em sexto lugar em 2025.

“Dentro da África Subsaariana, a Nigéria responde por aproximadamente 60% das entradas de stablecoins desde 2019. Hoje, as stablecoins representam uma ponte fundamental entre os mercados de criptomoedas e o sistema financeiro tradicional, conforme detalhado em análises realizadas no âmbito da mais recente avaliação anual da saúde econômica da Nigéria pelo FMI”, diz o documento.

No entanto, o FMI faz um alerta para o avanço da importância das stablecoins para as economias nacionais.

Problemas das stablecoins na Nigéria — e no mundo

O primeiro ponto é a soberania monetária. “Como as stablecoins geralmente são denominadas em dólares americanos, seu uso disseminado pode se assemelhar a uma forma digital de dolarização”.

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Ao reduzir a demanda pela moeda local, diz o relatório, as stablecoins podem enfraquecer a capacidade de transmissão da política monetária doméstica, por exemplo.

Outra preocupação está relacionada à integridade financeira. Atividades que antes passavam pelos bancos estão migrando cada vez mais para carteiras digitais e corretoras de criptomoedas.

Sistemas de monitoramento projetados para intermediários financeiros tradicionais podem não capturar essas transações de forma eficaz, abrindo espaço para atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo.

“Esses riscos não são exclusivos da Nigéria, mas a magnitude da adoção torna seus efeitos mais pronunciados no país”.

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Moedas digitais ganham espaço

Por outro lado, o FMI não menospreza o potencial das stablecoins. Esse tipo de moeda permite que usuários com um smartphone e acesso à internet recebam remessas ou realizem pagamentos internacionais em poucos minutos, muitas vezes a custos inferiores aos dos canais tradicionais.

“Para famílias e pequenas empresas com acesso limitado aos serviços bancários formais, trata-se de uma alternativa prática”, explicam os especialistas do órgão.

Do mesmo modo, as condições domésticas de economias mais instáveis, como é o caso da Nigéria, ampliaram esses efeitos.

Entre 2023 e 2024, a forte desvalorização da naira nigeriana, a inflação elevada e o acesso restrito ao mercado de câmbio aumentaram a demanda por ativos vinculados ao dólar.

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As stablecoins passaram a servir tanto como proteção contra o risco cambial quanto como ferramenta para pagamentos a fornecedores internacionais.

Além disso, após o Banco Central da Nigéria (CBN) restringir, em fevereiro de 2021, a prestação de serviços bancários para corretoras de criptomoedas, a atividade migrou para canais menos regulados, especialmente plataformas peer-to-peer (“pessoa a pessoa” ou P2P), o que estimulou o crescimento das stablecoins no país.

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É editor-assistente do Money Times, atua na cobertura de criptomoedas, criptoeconomia e tecnologia para o Crypto Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, graduando em Economia na Unifesp. Foi repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.
É editor-assistente do Money Times, atua na cobertura de criptomoedas, criptoeconomia e tecnologia para o Crypto Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, graduando em Economia na Unifesp. Foi repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.
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